FMI. PIB português cresce acima do previsto em 2018 mas abaixo em 2019

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O Fundo Monetário Internacional espera mais crescimento da economia este ano para Portugal do que o próprio Governo. Nas previsões do FMI para a economia mundial, a instituição liderada por Christine Lagarde prevê um crescimento de 2,4 por cento para este ano, enquanto o Governo estima 2,3 por cento. Contudo, continua a prever que o PIB avance 1,8% em 2019, abaixo do previsto pelo Governo.

É a segunda vez no espaço de um ano e meio que o FMI revê em alta as previsões para o crescimento económico português.

De acordo com o World Economic Outlook (WEO), relatório com previsões económicas mundiais divulgado hoje, o FMI melhorou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português, de 2,2 por cento para 2,4 por cento.

Esta nova previsão fica ligeiramente acima do estimado pelo Governo, que prevê que a economia portuguesa cresça 2,3% no conjunto deste ano, segundo o Programa de Estabilidade 2018-2022 entregue na sexta-feira à Assembleia da República.

Na sexta-feira, o ministro das Finanças alertou para o que disse ser um "risco de retrocesso" na economia portuguesa que "é maior do que parece", pelo que não se pode deixar que "os mesmos erros do passado sejam cometidos". Mário Centeno acrescentou que o Governo não tem feito escolhas de "despesismo" ou de "austeridade" em finanças públicas.

“O risco de um retrocesso existe e ele é maior do que parece. Principalmente quando as coisas nos correm bem. Não temos memória curta e sabemos o que custou aos portugueses sair da daquele pesadelo. Eu não seguirei esse caminho. E não podemos deixar que os mesmos erros do passado sejam cometidos”, frisou Mário Centeno em conferência de imprensa no Ministério das Finanças, no âmbito da divulgação do Programa de Estabilidade.

Centeno defendeu ainda que o Programa de Estabilidade “traduz uma escolha e implementa o programa de Governo. As escolhas feitas permitem o desenvolvimento gradual do país e consequentemente dos seus cidadãos. Há cada vez mais portugueses com emprego, com melhores empregos e com melhores salários”.

“A economia está a crescer acima da média europeia. E portanto convergimos com a União Europeia. O investimento cresce duas vezes mais do que na Europa. As empresas e as famílias têm acesso a taxas de juro mais baixas e aumentam finalmente de forma consecutiva e sustentada as suas poupanças”, sustentou.

Segundo Mário Centeno, esse crescimento da economia é “o resultado das escolhas que fizemos nos últimos dois anos. E essas escolhas estão a conduzir o país para um porto seguro. Investindo no futuro e preparando-nos para enfrentar um mundo com riscos e com incerteza”.

FMI menos otimista em relação ao PIB

No entanto, para o próximo ano, o FMI mostra-se menos otimista do que o executivo liderado por António Costa, mantendo a estimativa de crescimento do PIB em 1,8%.

No Programa de Estabilidade, o Governo estima que a economia cresça acima de dois por cento até 2022, avançando 2,3% em cada um dos anos até 2020, e abrandando em 2021 e novamente em 2022, ao crescer 2,2% e 2,1%, respetivamente.

"Também há algum tempo, há exatamente três anos, um grupo de 12 economistas apresentou o plano orçamental que oferecia uma alternativa política para o crescimento, o aumento do rendimento e a consolidação das contas públicas. Esta alternativa foi aquela que construímos a partir da responsabilidade de quem entendia as dificuldades do país, após um período de ajustamento difícil e a necessidade de criar emprego e gerar confiança”, disse Centeno na sexta-feira.

E acrescentou: “Três anos passados, os objetivos que nessa altura definimos são os mesmos que hoje desenhamos e incluímos no Programa de Estabilidade. O saldo primário em 2018 e em 2019 será de 2,8 por cento e 3,2 por cento do PIB. São os mesmos valores, a mesma estratégia orçamental que apresentamos nessa altura. Podemos dizer que a cumprimos à décima. A mesma coisa acontece com a trajetória da dívida, também ela idêntica. Exatamente aquilo que inscrevemos no programa de Governo, está a ser cumprido à décima”.

O FMI contraria estas previsões e diz que é já em 2019 que a economia abranda.Por outro lado, o Fundo está mais otimista do que o Governo no que diz respeito à redução do desemprego, estimando que fique abaixo dos sete por cento já em 2019, um ano mais cedo.

No WEO, o FMI prevê que a taxa de desemprego desça para 7,3 por cento este ano e para 6,7 por cento no próximo.

O Governo, por sua vez, antecipa que a taxa de desemprego se reduza para 7,6 por cento este ano e para 7,2 por cento no próximo, descendo para 6,8 por cento em 2020, para 6,5 por cento em 2021 e para 6,3 por cento em 2022.

Ao contrário do executivo, o FMI estima que o saldo da balança corrente se deteriore, representando um excedente de 0,2 por cento do PIB este ano e um défice de 0,1 por cento do PIB em 2019.

No Programa de Estabilidade, prevê-se que o excedente da balança corrente cresça para 0,7 por cento do PIB este ano, mantendo-se nesse valor até 2020 e reduzindo-se até 0,4 por cento do PIB em 2022.

 

c/Lusa

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