G20 debate na Argentina efeitos da digitalização sobre a igualdade de género

| Economia

A digitalização do mundo e os efeitos na atual situação da mulher foram debatidas no lançamento, em Buenos Aires, da agenda de trabalho do Women20 (W20), um fórum especializado do G20 dedicado à igualdade de género.

O encontro, que decorreu na segunda-feira, caraterizou-se pela apresentação preliminar do estudo "Efeitos da digitalização sobre a igualdade de género nas economias do G20", em que foi evidenciado que no mercado laboral dos países do fórum continuam a existir desigualdades de género.

Durante o encontro destacou-se ainda que as mulheres não enveredam por carreiras nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia ou matemática, as mais valorizadas atualmente pelo mercado de trabalho.

No encontro, que contou com funcionários governamentais e representantes do setor privado e académicos, os oradores insistiram na influência da digitalização para dar mais poder às mulheres no mundo, tanto a nível laboral como financeiro, um fator considerado chave para melhorar a sua situação.

Também sublinharam que alcançar a igualdade de género não é uma questão que deve ser discutida apenas pelo W20, defendendo que, ao tratar-se de um "tema transversal", deve estar presente em todos os projetos desenvolvidos pelo G20, grupo que integra as 19 maiores economias do mundo e a UE.

"A participação da mulher é necessária no mundo da tecnologia do século XXI", introduziu Beatriz Nofal, "sherpa" designada pelo Governo de Mauricio Macri antes da cimeira do grupo de países que vai realizar-se em Buenos Aires no próximo ano.

A atual gerente executiva do W20 para a próxima cimeira, Juliane Rosin, insistiu que o G20, ao ter como objetivo a estabilidade financeira dos países-membros, deve dar prioridade à inclusão de género.

"Para abordar a estabilidade financeira precisamos de falar de estabilidade económica e tal trabalha com sociedades estáveis e isto funciona para capacitar as mulheres e a inclusão de género", argumentou a mesma responsável.

A reunião de segunda-feira esteve a cargo das instituições alemãs que atualmente presidem ao W20: o Conselho Nacional de Organizações Alemãs de Mulheres (Deutscher Frauenrat) e a Associação de Mulheres Empreendedores Alemãs (Verband deutscher Unternehmerinnen).

Do evento na capital argentina, que decorre até hoje, sairá a posição que o W20 vai levar aos países membros do G20 durante a cimeira de Hamburgo (Alemanha), que vai ter lugar a 07 e 08 de julho.

O W20 adiantou que para esse fórum resulta crucial conquistar a igualdade entre homens e mulheres na participação no mercado laboral para alcançar o objetivo de "igualdade de género" incluído nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Também coloca em evidência a necessidade de reduzir e acabar com a diferença salarial entre homens e mulheres e promover a igualdade na distribuição das tarefas, nomeadamente nas domésticas.

Rosin recordou que apesar de "20 poder parecer [um número] pequeno" face aos 194 países da ONU, estes -- incluindo China, Estados Unidos, Argentina, Alemanha e Índia -- representam "dois terços da população mundial, quatro quintos do Produto Interno Bruto global e três quartos das trocas mundiais".

Claudia Grosse-Leege, copresidente do W20 antes da cimeira de Hamburgo, concluiu que "a digitalização não pode ser um tema subvalorizado" e deve transformar-se "num tema principal" para "capacitar as mulheres", já que "não é apenas humanitário ou de direitos das mulheres, é a perspetiva económica que o faz tão interessante e importante".

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