Economia
Orçamento 2011
João Salgueiro diagnostica "ignorância" à classe política
A classe política portuguesa enferma de uma formação deficiente, revelando “muitas vezes” um “problema de ignorância”, concluiu esta quinta-feira o economista João Salgueiro, um dos oradores de uma conferência organizada no Porto para debater respostas à crise. Entre o lote de conferencistas esteve também o deputado social-democrata José Pacheco Pereira, para quem a “crise política” não se esgota no Orçamento do Estado.
Subordinada ao tema “O que fazer por Portugal? – Medidas para ultrapassar a crise”, a conferência organizada pela rádio TSF e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas juntou no Seminário do Vilar um conjunto de personalidades da área política, mas também empresários, economistas e professores universitários. Um dos nomes escolhidos para a lista de conferencistas foi o de João Salgueiro. Antes de ser chamado a debater, no Porto, “o papel da banca no desenvolvimento da economia”, o antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos isolou a classe política numa leitura do momento actual.
“Na China, há academias políticas. São de difícil acesso, são muito exigentes, como as outras écoles em França. São exigentes. E os melhores alunos passam, finalmente, mas depois têm que fazer demonstração de que são capazes, na prática, de pelo menos dois postos, presidente da Câmara de Xangai, ou governador da província do Tibete, ou outra qualquer, antes de chegarem à possibilidade de serem dirigentes a nível nacional”, exemplificou o economista, em declarações recolhidas pela Antena 1.
Em seguida, João Salgueiro empregou a ironia para criticar o recrutamento de “pessoal político” no seio das juventudes partidárias: “E nós, como é que recrutamos o pessoal político? Pelas jotas, que é uma escola de competências, como sabemos. Não é de espantar, portanto, que os resultados sejam estes”.
“Em parte”, prosseguiu o economista, “há a história dos amigos do PS e dos amigos do PSD, que hoje está na ordem do dia”. “Mas além disso eu acho que muitas vezes não é um problema de cumplicidade, é um problema de ignorância”, rematou.
“Política de cegueira”
A presidir à conferência esteve Rui Rio, que não se furtou a falar do quadro de uma vida política “em crise”. À margem dos trabalhos, o presidente da Câmara Municipal do Porto começou por sublinhar que o país tem feito “muita coisa que não devia fazer”, desde logo “gastar mais do que aquilo que temos”, ou “estar permanentemente a desprestigiar” e a “lançar suspeitas” sobre as instituições. Mas acrescentou: “Se é verdade que a política está em crise, que o poder político é cada vez mais desacreditado e cada vez mais fraco, também é verdade que é o próprio poder político que muitas vezes lança suspeitas, muitas vezes mesmo infundadas, sobre si próprio”.
Outro dos sociais-democratas convocados para a conferência foi José Pacheco Pereira. Em declarações aos jornalistas, o deputado comentou o momento de aparente impasse na discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2011, situando a degradação do sistema político na base da actual crise. E reservou o grosso das críticas para José Sócrates.
Pela “situação de sarilho em que nós estamos metidos”, afirmou Pacheco Pereira, “é em primeiro lugar responsável o engenheiro Sócrates”. Isto porque “muita gente preveniu” e “disse o que iria acontecer”. “Ele continuou numa política de cegueira, de incompetência, de arrogância, convencido de que todos os dias se via ao espelho e que era um grande primeiro-ministro, que até os grandes do Mundo tomavam como exemplo. Ficou apenas com Hugo Chávez, na Venezuela, e com um país que está a empobrecer muito significativamente, em que o Estado social está longe de estar garantido”, criticou.
Quanto à ameaça de “bancarrota” que impende sobre o país, Pacheco Pereira não exclui as responsabilidades do PSD. “Só que, por muito grandes que elas sejam, são muito inferiores às responsabilidades do Partido Socialista e do primeiro-ministro”, sustentou o deputado social-democrata, acrescentando que “a crise política não acaba se o Orçamento existir”, dado que “continuamos com o mesmo Governo completamente descredibilizado, que falhou completamente nas metas do Orçamento que atribuiu a si próprio para este ano”.
Situação “dramática em termos financeiros”
Integrado no primeiro painel de debate, o bastonário da Ordem dos Advogados disse encarar com “muita apreensão” a questão do Orçamento do Estado. Para Marinho e Pinto, o país está confrontado com uma situação que se pode considerar “dramática”, caso não haja Orçamento. “Portanto, espero que o Governo tenha a capacidade e a maleabilidade para ceder onde deve ceder, onde é possível ceder. Espero que os outros partidos tenham também essa capacidade, sobretudo o Partido Social Democrata. O país sem Orçamento, na situação actual, vai sair muito caro ao bolso dos contribuintes portugueses”, alertou o bastonário à margem da conferência.
“Tem que se pôr o interesse nacional acima dos interesses partidários e sobretudo não estar a fazer este tipo de negociações como um espectáculo ou com uma teatralização, voltado para as sondagens ou para benefícios políticos imediatos”, reforçou Marinho e Pinto.
Na perspectiva do bastonário da Ordem dos Advogados, “o povo português saberá recompensar a longo prazo, em termos políticos, aqueles que forem capazes de ceder nos seus interesses próprios e imediatos”.
“Na China, há academias políticas. São de difícil acesso, são muito exigentes, como as outras écoles em França. São exigentes. E os melhores alunos passam, finalmente, mas depois têm que fazer demonstração de que são capazes, na prática, de pelo menos dois postos, presidente da Câmara de Xangai, ou governador da província do Tibete, ou outra qualquer, antes de chegarem à possibilidade de serem dirigentes a nível nacional”, exemplificou o economista, em declarações recolhidas pela Antena 1.
Em seguida, João Salgueiro empregou a ironia para criticar o recrutamento de “pessoal político” no seio das juventudes partidárias: “E nós, como é que recrutamos o pessoal político? Pelas jotas, que é uma escola de competências, como sabemos. Não é de espantar, portanto, que os resultados sejam estes”.
“Em parte”, prosseguiu o economista, “há a história dos amigos do PS e dos amigos do PSD, que hoje está na ordem do dia”. “Mas além disso eu acho que muitas vezes não é um problema de cumplicidade, é um problema de ignorância”, rematou.
“Política de cegueira”
A presidir à conferência esteve Rui Rio, que não se furtou a falar do quadro de uma vida política “em crise”. À margem dos trabalhos, o presidente da Câmara Municipal do Porto começou por sublinhar que o país tem feito “muita coisa que não devia fazer”, desde logo “gastar mais do que aquilo que temos”, ou “estar permanentemente a desprestigiar” e a “lançar suspeitas” sobre as instituições. Mas acrescentou: “Se é verdade que a política está em crise, que o poder político é cada vez mais desacreditado e cada vez mais fraco, também é verdade que é o próprio poder político que muitas vezes lança suspeitas, muitas vezes mesmo infundadas, sobre si próprio”.
Outro dos sociais-democratas convocados para a conferência foi José Pacheco Pereira. Em declarações aos jornalistas, o deputado comentou o momento de aparente impasse na discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2011, situando a degradação do sistema político na base da actual crise. E reservou o grosso das críticas para José Sócrates.
Pela “situação de sarilho em que nós estamos metidos”, afirmou Pacheco Pereira, “é em primeiro lugar responsável o engenheiro Sócrates”. Isto porque “muita gente preveniu” e “disse o que iria acontecer”. “Ele continuou numa política de cegueira, de incompetência, de arrogância, convencido de que todos os dias se via ao espelho e que era um grande primeiro-ministro, que até os grandes do Mundo tomavam como exemplo. Ficou apenas com Hugo Chávez, na Venezuela, e com um país que está a empobrecer muito significativamente, em que o Estado social está longe de estar garantido”, criticou.
Quanto à ameaça de “bancarrota” que impende sobre o país, Pacheco Pereira não exclui as responsabilidades do PSD. “Só que, por muito grandes que elas sejam, são muito inferiores às responsabilidades do Partido Socialista e do primeiro-ministro”, sustentou o deputado social-democrata, acrescentando que “a crise política não acaba se o Orçamento existir”, dado que “continuamos com o mesmo Governo completamente descredibilizado, que falhou completamente nas metas do Orçamento que atribuiu a si próprio para este ano”.
Situação “dramática em termos financeiros”
Integrado no primeiro painel de debate, o bastonário da Ordem dos Advogados disse encarar com “muita apreensão” a questão do Orçamento do Estado. Para Marinho e Pinto, o país está confrontado com uma situação que se pode considerar “dramática”, caso não haja Orçamento. “Portanto, espero que o Governo tenha a capacidade e a maleabilidade para ceder onde deve ceder, onde é possível ceder. Espero que os outros partidos tenham também essa capacidade, sobretudo o Partido Social Democrata. O país sem Orçamento, na situação actual, vai sair muito caro ao bolso dos contribuintes portugueses”, alertou o bastonário à margem da conferência.
“Tem que se pôr o interesse nacional acima dos interesses partidários e sobretudo não estar a fazer este tipo de negociações como um espectáculo ou com uma teatralização, voltado para as sondagens ou para benefícios políticos imediatos”, reforçou Marinho e Pinto.
Na perspectiva do bastonário da Ordem dos Advogados, “o povo português saberá recompensar a longo prazo, em termos políticos, aqueles que forem capazes de ceder nos seus interesses próprios e imediatos”.