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"Maior produto de todos os tempos". Musk aposta em robôs e Tesla abandona modelos X e S

"Maior produto de todos os tempos". Musk aposta em robôs e Tesla abandona modelos X e S

A Tesla vai descontinuar a produção dos modelos X e S, dois dos mais antigos, enquanto Elon Musk redireciona o futuro da empresa para a robótica e inteligência artificial. O anúncio foi feito esta semana pelo magnata da tecnologia durante uma teleconferência com investidores.

RTP /
Evelyn Hockstein - Reuters

“Chegou a hora de encerrar os programas do Model S e do Model X”, afirmou Musk, apontando a data para o término no próximo semestre.

Segundo o multimilionário, uma fábrica na Califórnia, atualmente dedicada a esses modelos, será convertida para produzir o humanoide Optimus- robô com aparência baseada no corpo humano - , de acordo com o jornal britânico The Guardian.

A decisão simboliza, até agora, um sinal notório de que a Tesla está a afastar-se do negócio tradicional de carros elétricos. Segundo a Tesla, a produção do Optimus deve começar antes do final deste ano, com vendas ao público previstas para 2027.


No relatório trimestral, a empresa descreveu o momento como uma “transição de um negócio centrado em hardware para uma empresa de IA física”, em resposta à quebra nas vendas de veículos e à diminuição da receita.

Apesar deste cenário, a Tesla conseguiu superar as previsões de analistas de Wall Street. A empresa reportou um lucro de 0,42 euros por ação (0,50 dólares) no quarto trimestre, acima dos 0,38 euros esperados (0,45 dólares), totalizando cerca de 22,9 mil milhões de euros de receita (24,9 mil milhões de dólares), ligeiramente superior às estimativas de 22,8 mil milhões de euros (24,79 mil milhões de dólares).A diferença é reduzida, mas suficiente para afirmar que a Tesla superou as expectativas do mercado.

Ainda assim, foi a primeira queda anual da receita total da Tesla, com recuo de três por cento em relação ao ano anterior.

O setor automóvel apresenta-se assim como o seu principal ponto fraco.A receita com veículos caiu 11 por cento em 2025, e as entregas no quarto trimestre recuaram 16 por cento, com destaque para a redução do interesse na Europa.

As ações chegaram a subir quatro por cento no período de negociações antes da abertura e depois do fecho oficial da bolsa, após a divulgação dos resultados, reagindo de forma positiva aos números esperados.

Contudo, essa subida não se manteve, uma vez que parte das ações caíram, causando perda de uma parte do lucro inicial.

Com a diminuição das vendas de automóveis, Elon Musk tem reforçado a aposta em projetos ainda não comprovados comercialmente, como o Optimus e os Robotaxis autónomos. Mesmo sem estarem amplamente disponíveis ou gerarem lucro, as iniciativas sustentam a narrativa de crescimento futuro da empresa.
A robótica pode ser o futuro

O CEO da Tesla classificou mesmo o Optimus como “o maior produto de todos os tempos” e afirmou que, juntamente com os veículos autónomos, os robôs iniciam “um mundo sem pobreza”.A empresa revelou ainda um investimento de cerca de 1,85 mil milhões de euros na xAI, a empresa de IA fundada por Musk.


Durante a teleconferência, o diretor financeiro da Tesla, Vaibhav Taneja, afirmou que o investimento do capital da empresa irá superar os 18 mil milhões de euros (20 bilhões de dólares), valor considerado muito acima do que analistas projetavam, segundo o Guardian.

No mercado financeiro, as ações da Tesla revelaram-se instáveis durante o período em que Musk esteve associado à Administração Trump, em 2025. Mas recuperaram e atingiram um recorde histórico em dezembro do ano passado, embaladas pela euforia em torno da IA e pela promessa de Musk de construir um “exército de robôs”.No mês anterior, os acionistas aprovaram um pacote de remuneração que pode render ao CEO cerca de um bilião de euros (um trilião de dólares), caso metas financeiras sejam alcançadas.


Enquanto projeta um futuro dominado por robôs, alguns produtos antes vistos como revolucionários enfrentam dificuldades.

O Cybertruck, descrita por Musk como “o melhor veículo que a Tesla já fez”, registou uma queda de 48 por cento nas vendas do ano passado, segundo dados divulgados no relatório da Kelley Blue Book- um guia que compara preços de veículos novos e usados nos Estados Unidos.

A Tesla enfrenta ainda um aumento da concorrência, especialmente da marca chinesa BYD, que ultrapassou a empresa como a maior fabricante de carros elétricos do mundo. Em 2025, as vendas da BYD cresceram 28 por cento, impulsionadas por modelos mais acessíveis em diversos mercados globais.
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