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Manuel Pinho será ouvido em comissão parlamentar em 17 de Julho

Manuel Pinho será ouvido em comissão parlamentar em 17 de Julho

Manuel Pinho, antigo ministro da Economia, vai ser ouvido na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, em 17 de julho, disse à Lusa o deputado Helder Amaral, que preside à comissão.

Lusa /
Sebastien Pirlet - Reuters

O deputado do CDS-PP precisou que a audição decorrerá a partir das 15:00, depois de combinada a data entre as partes e na sequência de um requerimento do PSD, votado favoravelmente em 02 de maio.

Com a abstenção do Bloco de Esquerda (BE), o documento dos sociais-democratas foi aprovado para que o antigo governante possa "esclarecer cabalmente" decisões tomadas enquanto esteve no governo, nomeadamente no setor energético, e o alegado relacionamento com o Grupo Espírito Santo (GES), segundo "suspeitas que têm vindo a público".

Na apresentação do requerimento, com o assunto "alegado relacionamento entre o Dr. Manuel Pinho, enquanto ministro da Economia e da Inovação, e o setor privado", Emídio Guerreiro, deputado social-democrata, argumentou ser altura de a Assembleia da República "começar a olhar para um conjunto de situações, mantendo a separação entre o que é da Justiça e o que é da Política".

"Podemos começar por convidar o Dr. Manuel Pinho, já que não podemos chamar, porque não faz parte do Governo e de uma entidade passível de ser obrigado a vir ao parlamento, mas penso que temos o dever de o convidar para começar aqui um conjunto de esclarecimentos", disse, na altura.

Em maio, em comunicado, o advogado de Manuel Pinho, Ricardo Sá Fernandes, revelou que o ex-ministro, que deixou de ser arguido no caso EDP, estaria disposto a prestar "todos os esclarecimentos" aos deputados, mas só depois de ser interrogado pelo Ministério Público.

Em 19 de abril, o jornal 'online' Observador noticiou as suspeitas de Manuel Pinho ter recebido, de uma empresa do GES, entre 2006 e 2012, cerca de um milhão de euros.

Os pagamentos, de acordo com o jornal, terão sido realizados a "uma nova sociedade 'offshore' descoberta a Manuel Pinho, chamada Tartaruga Foundation, com sede no Panamá, por parte da Espírito Santo (ES) Enterprises - também ela uma empresa 'offshore' sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas e que costuma ser designada como o 'saco azul' do Grupo Espírito Santo".

A Assembleia da República aprovou em 11 de maio, por unanimidade, a proposta do BE para constituir uma comissão parlamentar de inquérito ao pagamento de rendas excessivas aos produtores elétricos, que tem como um dos objetos verificar a "existência de atos de corrupção ou enriquecimento sem causa de responsáveis administrativos ou titulares de cargos políticos com influência ou poder na definição das rendas no setor energético".

A audição inaugural da comissão de inquérito às rendas excessivas da energia decorreu na quarta-feira à tarde no parlamento, tendo sido Pedro Sampaio Nunes, um dos autores da denúncia a Bruxelas sobre apoios concedidos à EDP, o primeiro a prestar depoimento.

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