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"Mudanças drásticas". Meta prevê duplicar investimento em inteligência artificial

"Mudanças drásticas". Meta prevê duplicar investimento em inteligência artificial

A expectativa para 2026 é quase o dobro do montante despendido no ano passado, que atingiu os 72 mil milhões de dólares (cerca de 60 mil milhões de euros) em projetos de IA.

RTP /
Dado Ruvic - Reuters

Mark Zuckerberg, número um da Meta, pretende aumentar os gastos da empresa para um valor estimado em 135 mil milhões de dólares (cerca de 112 mil milhões de euros) este ano, com grande parte do montante dirigido a infraestruturas de inteligência artificial.

O objetivo de duplicar o investimento na inteligência artificial foi anunciado esta semana durante uma reunião com analistas financeiros, no âmbito da apresentação dos resultados da empresa que controla o Facebook, o Instagram e o WhatsApp.

Mark Zuckerberg, diretor-executivo da empresa, citado pela BBC, manifestou grandes esperanças para um ano de “mudanças drásticas na forma como trabalhamos” impulsionadas pela IA.Desde a expansão dos sistemas de inteligência artificial que a Meta se tem vindo a posicionar na linha da frente desta tecnologia, onde gastou aproximadamente 140 mil milhões de dólares (117 mil milhões de euros) nos últimos três anos.


O diretor-executivo da gigante tecnológica assegura que o objetivo deste reforço na aposta na inteligência artificial é disponibilizar mais ferramentas aos profissionais da empresa, tornando-os “significativamente mais produtivos”.

O que poderá vir a acompanhar o aumento de alocação de recursos são novos despedimentos na gigante da tecnologia. De acordo com a BBC, Zuckerberg aludiu a esta possibilidade, afirmando na reunião desta semana que estamos “a começar a ver projetos que antes exigiam grandes equipas a serem realizados por uma única pessoa muito talentosa”.

Uma eventual vaga de despedimentos na empresa norte-americana prolongaria uma tendência que já se verifica desde o início de janeiro. Só este ano, a Meta já despediu várias centenas de trabalhadores. Nas últimas semanas, foi também noticiado que a o proprietário do Facebook vai despedir mais de mil pessoas da divisão Reality Labs, além de encerrar três dos seus estúdios.

Zuckerberg admite que é “difícil prever” o impacto da inteligência artificial no “funcionamento das organizações”, mas considera que “o facto de os agentes [de IA] estarem realmente a começar a trabalhar agora é algo bastante significativo”.

Alguns pares do empresário e magnata norte-americano discordam da perspetiva de Zuckerberg e alertam para o risco de os grandes investimentos criarem uma bolha associada à IA. Entre eles está Sam Altman, cuja empresa, a OpenAI, impulsionou a atual vaga de interesse pela IA na indústria tecnológica, e que já afirmou que “estamos numa fase em que os investidores, no seu conjunto, estão excessivamente entusiasmados com a IA”.

Os que defendem esta posição comparam o fenómeno à “bolha da internet”, ou “bolha dotcom”, observada entre 1995 e 2000.O fenómeno refere-se a um período de forte especulação alimentado pelo entusiasmo em torno da internet, quando investidores acreditavam que qualquer empresa com “.com” no nome iria revolucionar o mundo e enriquecer rapidamente.


Os investimentos divulgados pela Meta na quarta-feira surgiram na sequência da apresentação de resultados que mostraram que as despesas da empresa aumentaram mais rapidamente do que as suas receitas, reduzindo as margens de lucro nos últimos três meses de 2025.

Ainda assim, a empresa superou as expectativas de Wall Street, ao registar receitas de 59,89 bilhões de dólares (quase 50 mil milhões de euros) no quarto trimestre de 2025. Também o lucro por ação (EPS) excedeu as previsões dos analistas. As ações da Meta subiram quase dez por cento no mercado de Nova Iorque após o fecho da bolsa, depois da divulgação dos resultados.
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