Economia
Guerra na Ucrânia
"Não é retorsão". Governo francês desvaloriza exigência russa de rublos por gás
A ministra francesa da Transição Ecológica estimou esta sexta-feira que a exigência russa de pagamentos em rublos para custear o abastecimento de gás à Europa não deverá gerar, “a priori, uma rutura”. Barbara Pompili vê no decreto assinado por Vladimir Putin “uma medida de apoio” à moeda da Rússia, ao invés de um gesto de “retorsão para com empresas europeias”.
“As informações que recebemos de Moscovo, nestes últimos dias e nas últimas horas, tendem a deixar-nos pensar que as empresas poderão continuar a pagar em euros junto dos bancos que, eles mesmos, deverão converter os seus euros em rublos e nomeadamente o Gazprom Bank”, declarou a ministra francesa da Transição Ecológica, que falava perante a comissão de Assuntos Económicos da Assembleia Nacional, em Paris.
“A partir do momento em que as empresas paguem em euros, os contratos são respeitados e, portanto, não muda grande coisa para as nossas empresas”, continuou Barbara Pompili, para afirmar, depois, que nesta fase não há “risco de rutura dos contratos, se for essa a solução posta em prática”.“Este pagamento em rublos, creio, é antes de mais uma medida de apoio ao rublo, mas não é verdadeiramente uma medida de retorsão para com empresas europeias”, advogou a ministra francesa da Transição Ecológica.
A governante francesa colocaria ainda a ênfase na ideia de que o decreto assinado na quinta-feira por Vladimir Putin, a impor o pagamento dos abastecimentos em rublos, não deverá travar o trabalho dos países europeus para reduzir progressivamente a dependência das importações de gás russo.
“Do nosso ponto de vista, impor um pagamento em rublos constituiria uma rutura da maior parte dos contratos: os contratos passados entre as empresas francesas nomeadamente com a Gazprom são rotulados em euros, por isso as empresas têm legitimidade para recusar uma mudança de divisas”, propugnou Pompili.
Gás russo continua a fluir para a Europa
Na ressaca do decreto do presidente russo, os preços do gás nos mercados europeus prosseguiam, na manhã desta sexta-feira, a rota de subida.
Dois dos três principais gasodutos entre a Rússia e a Europa – Nord Stream 1, através do Báltico, e até à Eslováquia, através da Ucrânia – continuam a fazer chegar o combustível ao destino. O fluxo do gasoduto Yamal-Europa, através da Bielorrússia, sofreu uma mudança de direção que não é incomum – neste caso, o gás está a fluir da Alemanha para a Polónia por esta rota.
Ao abrigo do decreto de Putin, os importadores estrangeiros de gás russo terão de abrir contas no estatal Gazprom Bank para que as respetivas moedas sejam convertidas em euros. A medida já permitiu uma recuperação da cotação da moeda russa, que atingiu mínimos históricos com o início da invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro.
O Gazprom Bank tem sido amplamente poupado às sanções ocidentais, desde logo à interdição do acesso de instituições financeiras russas ao sistema de pagamentos SWIFT, embora o Governo britânico tenha avançado com o congelamento de ativos daquela entidade. Contudo, apenas quatro por cento do gás consumido pela Grã-Bretanha é de origem russa, assinala a Reuters. O rácio alemão é de aproximadamente 40 por cento.
A Alemanha, motor económico da União Europeia, formou já uma equipa de crise com elementos do Ministério da Economia, da estrutura de regulação do sector energético e do sector privado para monitorizar as importações e o armazenamento. O Governo da Áustria, que importa da Rússia cerca de 80 por cento das suas necessidades de gás, promete seguir de perto o comportamento do mercado.
c/ agências
“A partir do momento em que as empresas paguem em euros, os contratos são respeitados e, portanto, não muda grande coisa para as nossas empresas”, continuou Barbara Pompili, para afirmar, depois, que nesta fase não há “risco de rutura dos contratos, se for essa a solução posta em prática”.“Este pagamento em rublos, creio, é antes de mais uma medida de apoio ao rublo, mas não é verdadeiramente uma medida de retorsão para com empresas europeias”, advogou a ministra francesa da Transição Ecológica.
A governante francesa colocaria ainda a ênfase na ideia de que o decreto assinado na quinta-feira por Vladimir Putin, a impor o pagamento dos abastecimentos em rublos, não deverá travar o trabalho dos países europeus para reduzir progressivamente a dependência das importações de gás russo.
“Do nosso ponto de vista, impor um pagamento em rublos constituiria uma rutura da maior parte dos contratos: os contratos passados entre as empresas francesas nomeadamente com a Gazprom são rotulados em euros, por isso as empresas têm legitimidade para recusar uma mudança de divisas”, propugnou Pompili.
Gás russo continua a fluir para a Europa
Na ressaca do decreto do presidente russo, os preços do gás nos mercados europeus prosseguiam, na manhã desta sexta-feira, a rota de subida.
Dois dos três principais gasodutos entre a Rússia e a Europa – Nord Stream 1, através do Báltico, e até à Eslováquia, através da Ucrânia – continuam a fazer chegar o combustível ao destino. O fluxo do gasoduto Yamal-Europa, através da Bielorrússia, sofreu uma mudança de direção que não é incomum – neste caso, o gás está a fluir da Alemanha para a Polónia por esta rota.
Ao abrigo do decreto de Putin, os importadores estrangeiros de gás russo terão de abrir contas no estatal Gazprom Bank para que as respetivas moedas sejam convertidas em euros. A medida já permitiu uma recuperação da cotação da moeda russa, que atingiu mínimos históricos com o início da invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro.
O Gazprom Bank tem sido amplamente poupado às sanções ocidentais, desde logo à interdição do acesso de instituições financeiras russas ao sistema de pagamentos SWIFT, embora o Governo britânico tenha avançado com o congelamento de ativos daquela entidade. Contudo, apenas quatro por cento do gás consumido pela Grã-Bretanha é de origem russa, assinala a Reuters. O rácio alemão é de aproximadamente 40 por cento.
A Alemanha, motor económico da União Europeia, formou já uma equipa de crise com elementos do Ministério da Economia, da estrutura de regulação do sector energético e do sector privado para monitorizar as importações e o armazenamento. O Governo da Áustria, que importa da Rússia cerca de 80 por cento das suas necessidades de gás, promete seguir de perto o comportamento do mercado.
c/ agências