"Ninguém vai ganhar". Canadá, China e México respondem à ameaça protecionista de Trump
Donald Trump prometeu impor novas taxas sobre importações do México, Canadá e China assim que tomar posse, como parte dos supostos planos para travar a imigração ilegal e o tráfico de droga nos Estados Unidos. A ameaça não é nova. E os três maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos alertam que sugestão do presidente eleito pode prejudicar as economias dos quatro países.
“Qualquer um que espere que eles fiquem parados e não retaliem não está atento”, advertiu Keith Rockwell, ex-diretor da organização, citado pelo Guardian.
Poucas horas depois do anúncio do republicano, a China prontificou-se a reagir, através do porta-voz da embaixada chinesa em Washington: “Ninguém vai ganhar uma guerra comercial ou tarifária”.
Liu Pengyu recordou que "a cooperação económica e comercial entre China e EUA é mutuamente benéfica por natureza" e negou que Pequim permita que produtos químicos usados na fabricação de drogas ilegais, incluindo fentanil, sejam contrabandeados para território norte-americano.
Juntou-se ao eco de vozes, que consideram também os laços económicos com os EUA “equilibrados e mutuamente benéficos”, a vice-primeira ministra do Canadá, Chrystia Freeland, e o ministro canadiano de Segurança Pública, Dominic LeBlanc.
"As coisas que vendemos aos Estados Unidos são as coisas de que eles realmente precisam", disse Chrystia Freeland na terça-feira, durante uma sessão parlamentar. "Nós vendemos petróleo, nós vendemos eletricidade, nós vendemos minerais e metais essenciais”.
Doug Ford, o primeiro-ministro de Ontário, a província mais populosa do Canadá, advertiu também que a tarifa proposta seria "devastadora para trabalhadores e empregos no Canadá e nos EUA".
“Comparar-nos ao México é a coisa mais insultuosa que já ouvi”, comentou ainda.
O primeiro-ministro do Canadá afirmou ter conversado com Trump na terça-feira e pretende realizar uma reunião com os líderes provinciais do Canadá esta quarta-feira para debater que resposta darão às ameaças norte-americanas. Justin Trudeau assegurou ainda que o país estava preparado para trabalhar com os EUA de "maneiras construtivas".
"Sabemos que este é um relacionamento que exige um certo trabalho, e é isso que faremos", disse Trudeau na Câmara dos Comuns em Ottawa.
“A ideia de entrar em guerra com os Estados Unidos é o que ninguém quer", continuou. "Este é o trabalho que faremos com seriedade, metodicamente”.
O vizinho do norte dos Estados Unidos foi responsável por cerca de 437 mil milhões de dólares de importações dos EUA em 2022 e foi o maior mercado para exportações dos Estados Unidos no mesmo ano. O Canadá envia cerca de 75 por cento da suas exportações totais para os EUA.
Imigração e consumo de droga sem fim com tarifas
"Uma tarifa seguirá a outra em resposta à anterior e assim por diante, até colocarmos os nossos negócios comuns em risco", reagiu a presidente do México, Claudia Sheinbaum, acrescentando que nem ameaças nem tarifas vão resolver o "fenómeno migratório" ou o consumo de drogas nos EUA.
Lendo uma carta que a própria escreveu a Trump, Sheinbaum também alertou que o México vai retaliar impondo os próprios impostos sobre as importações norte-americanas, o que mais uma vez "colocaria empresas comuns em risco". Segundo a chefe de Estado mexicana, o México tomou medidas para combater a migração ilegal para os EUA e que as “caravanas de migrantes não estão a chegar mais à fronteira”.
A questão das drogas, acrescentou dirigindo-se ao presidente eleito dos EUA, “é um problema de saúde pública e de consumo na sociedade do seu país”.
Trump fez as ameaças através da rede social Truth Social, insurgiu-se contra o afluxo de imigrantes ilegais, apesar de as travessias da fronteira sul terem registado um mínimo de quatro anos.