Plano alimentar de emergência do BAD não chega, mas é um começo - ministro são-tomense

por Lusa

O ministro das Finanças de São Tomé e Príncipe considerou que o plano de emergência de 1,5 mil milhões de dólares anunciado pelo Banco Africano de Desenvolvimento não chega para resolver a crise alimentar atual, mas "é um começo".

"Não é suficiente, porque os problemas agora agudizaram-se com a crise de alimentos, fruto da guerra na Ucrânia. Mas é um começo. Penso que o BAD [Banco Africano de Desenvolvimento] poderá fazer um reforço a qualquer momento", disse à Lusa Engrácio Graça, à margem dos encontros anuais do BAD, em Acra, no Gana.

Para o ministro são-tomense, "o mais importante neste momento é os países poderem aproveitar da melhor forma estes recursos" para aumentarem a sua produção alimentar.

"Nós em África temos um grande problema, porque estamos muito dependentes daquilo que é a produção industrial da Europa e temos grandes problemas de importação. É preciso incutir nos africanos a ideia da produção local. Só na produção local é que nós podemos ultrapassar a crise de alimentos que temos", acrescentou.

Engrácio Graça disse que São Tomé e Príncipe é um país frágil, que tem sofrido com os impactos, quer da pandemia de covid-19 inicialmente, quer agora com a guerra na Ucrânia e a crise alimentar que o conflito provocou.

Lembrou ainda que, fruto dos efeitos das mudanças climáticas, o país vive neste momento um problema sério de chuvas intensas.

"Tivemos em dezembro do ano passado grandes enxurradas, cerca de 20 pontes ficaram danificadas. (...) Ainda (na quarta-feira), na Região Autónoma do Príncipe, tivemos outro problema, grandes enxurradas, as populações ficaram sem vias de acesso, as estradas desabaram e é um problema sério. Nós estamos aqui justamente para ver com o BAD, que é o nosso parceiro, o que podemos fazer" a título de emergência, afirmou.

Sublinhando que o país precisa sobretudo de apoio financeiro, o ministro lembrou que, segundo a avaliação feita em dezembro, São Tomé e Príncipe precisa "de qualquer coisa como 36 milhões de dólares [33,5 milhões de euros] para recuperação das pontes, estradas, vias de acesso".

"O BAD está sensível. (...) Estamos em crer que provavelmente não conseguiremos os 36 milhões, mas conseguiremos algum montante a título de emergência para fazer face ao estado das coisas", afirmou o governante, admitindo que em agosto ou setembro possa chegar esse apoio.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciou na semana passada um plano de emergência de 1,5 mil milhões de dólares que o presidente da instituição, Akinwumi Adesina, disse poder evitar a crise alimentar iminente.

O Plano Africano de Produção Alimentar de Emergência, promovido pelo BAD e pela Comissão da União Africana, no valor de 1,5 mil milhões de dólares (1,4 mil milhões de euros) irá beneficiar 20 milhões de agricultores com sementes e fertilizantes, bem como outros insumos agrícolas para produzir 38 milhões de toneladas de alimentos, no valor de 12 mil milhões de dólares (11,2 mil milhões de euros).

Isto incluirá 11 milhões de toneladas de trigo, 18 milhões de toneladas de milho, seis milhões de toneladas de arroz e 2,5 milhões de toneladas de soja.

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