Preços do gás. Costa em Madrid defende que "exceção ibérica" é para manter

por RTP
"Continuamos uma relativa ilha no mercado europeu", apontou António Costa, que esteve em Madrid com o homólogo espanhol, Pedro Sánchez Chema Moya - EPA

Em Madrid para o XVI Congresso da Internacional Socialista, António Costa defendeu este sábado que a "exceção ibérica" para os preços do gás deve perdurar além do limite estabelecido de maio de 2023, independentemente da instituição de um novo mecanismo europeu. "Continuamos uma relativa ilha no mercado europeu", acentuou o primeiro-ministro e secretário-geral do PS.

"Aquilo em que temos de trabalhar é para renovar o nosso mecanismo", vincou Costa na capital espanhola, onde participou com o homólogo do país vizinho, Pedro Sánchez, no Congresso da Internacional Socialista.

Em média, assinalou o primeiro-ministro português, os preços da eletricidade na Península Ibérica ficaram 13 por cento abaixo do que teriam atingido sem o instrumento ibérico.

"Pelo menos até agora, as propostas que a Comissão Europeia tem apresentado para a limitação do preço máximo do gás são mais elevadas do que os preços que estamos a conseguir com a solução ibérica", sustentou António Costa, para acrescentar que "há uma realidade que ainda não se alterou": a "taxa de integração no mercado europeu de energia muito baixa" da Península Ibérica, circunscrita a três por cento de interconexão.Portugal e Espanha negociaram com a Comissão Europeia um "mecanismo ibérico". Este permitiu estabelecer, a partir de junho, um teto para preço do gás adquirido pelas empresas para a produção de eletricidade.

De acordo com o secretário-geral do PS, embora tenham sido acordados com o presidente francês, Emmanuel Macron, novos gasodutos entre Portugal, Espanha e França, a implementação de tal interconexão "leva anos".

"Até lá, continuamos na situação em que estamos, continuamos uma relativa ilha no mercado europeu e por isso faz sentido que continuemos a ser uma exceção ao mecanismo europeu de fixação dos preços", propugnou.

Na mesma linha, Costa quis reforçar a ideia de que o futuro mecanismo europeu "não é necessariamente alternativo à solução ibérica, pode ser complementar".
Acordo tripartido
Portugal, Espanha e França anunciaram a 20 de outubro um acordo para a abertura de um Corredor de Energia Verde, tendo em vista o transporte de energia, com ligações entre Celorico da Beira e Zamora - CelZa - e entre Barcelona e Marselha - BarMAr - destinadas, no futuro, ao hidrogénio verde, mas capazes, desde já, de transportar gás.

Os três países deverão apresentar o projeto à Comissão Europeia até 15 de dezembro, se quiserem acautelar financiamento europeu.

O primeiro-ministro frisou que Portugal, Espanha e França continuam a trabalhar em detalhes técnicos do entendimento. Realizar-se-á "novo encontro político", a 9 de dezembro, na cidade espanhola de Alicante. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, foi convidada.

António Costa interveio numa sessão subordinada ao tema "A política energética europeia, o caso da Península Ibérica", por ocasião do XXVI Congresso da Internacional Socialista.

Pedro Sánchez, que esteve no mesmo evento, foi eleito na sexta-feira para a presidência da Internacional Socialista.

c/ Lusa

pub