Relatório de Estabilidade Financeira. Incumprimento de empresas entre principais riscos

por RTP
André Kosters - Lusa

No Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado esta sexta-feira, o Banco de Portugal aponta o cenário de incumprimento das empresas como um dos maiores riscos. As pressões inflacionistas estão na base desta perspetiva.

Entre os principais riscos para a estabilidade financeira, lê-se no relatório do supervisor da banca, figura o "aumento da probabilidade de incumprimento das empresas, refletindo o efeito conjunto da vulnerabilidade financeira de algumas empresas, da recuperação incompleta da atividade e da rendibilidade de alguns setores no pós-pandemia, bem como o enquadramento macroeconómico e financeiro atual".

O Banco de Portugal refere também "uma redução dos preços no mercado imobiliário residencial, decorrente de alterações nas condições de financiamento", e o risco de o "rácio de dívida das administrações públicas em percentagem do PIB não prosseguir a trajetória de redução prevista, derivado da incerteza sobre a atividade económica e do aumento dos custos de financiamento".

Já o agravamento das taxas de juro, nos próximos anos, deverá conduzir a uma "melhoria da margem financeira dos bancos e num aumento do reconhecimento de imparidades e de perdas potenciais decorrentes da desvalorização dos títulos de dívida a justo valor".Pandemia e guerra
"Nos últimos meses, a economia europeia passou a estar sob o efeito simultâneo de dois choques exógenos sem precedentes e de abrangência internacional. A invasão da Ucrânia pela Federação Russa veio, em algumas dimensões, amplificar o impacto económico da pandemia", escreve a instituição liderada por Mário Centeno.

"Os efeitos nos mercados de energia e de matérias-primas e nas cadeias de abastecimento condicionaram a recuperação da atividade económica e agravaram as pressões inflacionistas", prossegue o Banco de Portugal.

"Além do aumento da incerteza, existe um risco ascendente nas projeções da inflação, devido à possibilidade de um conflito mais longo e a constrangimentos adicionais na oferta de energia".

c/ Lusa

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