`Troika` chegou hoje a Atenas para exame intermédio dos progressos do governo grego

por Lusa

Atenas, 25 fev (Lusa) -- Uma delegação da troika chegou hoje a Atenas para examinar os progressos do Governo em relação à execução orçamental, redução do número de funcionários públicos e privatizações, para poder autorizar um novo financiamento ao país mediterrânico.

Segundo uma fonte da Comissão Europeia (CE), esta visita dos funcionários da troika -- CE, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - deverá ser de "menor duração" que a anterior, que se prolongou durante mais de três semanas, porque se trata de um exame de avaliação intermédio.

Especialmente difícil prevê-se que seja o debate sobre a execução do Orçamento do Estado para 2013 porque o ano começou mal para o Tesouro, que arrecadou menos do que o estabelecido nos objetivos do memorando devido à contração do consumo, que foi mais profunda do que o esperado em termos de pagamentos de IVA.

Neste sentido, os meios de comunicação locais citam hoje um relatório do governador do Banco da Grécia, Georgios Provópulos, no qual este se mostra contrário a um novo aumento de impostos, algo que já nas últimas semanas os ministros do governo grego tinham deixado claro que não fariam.

O banco central grego prevê que durante 2013 a economia continue a contrair-se, pelo sexto ano consecutivo, a um ritmo de 4,5%, um número parecido com o divulgado pela Ce na sexta-feira, que reviu a estimativa de evolução do Produto Interno Bruto (PIB) grego em 2013 de 4,2% para 4,4%.

No entanto, tanto o banco central grego como a CE preveem que a Grécia regresse ao crescimento em 2014.

O jornal grego "Kathimerini" assegura hoje que o executivo vai ter de convencer a `troika` a aprovar um género de amnistia fiscal para "oferecer incentivos aos gregos para transferirem do estrangeiro (para a Grécia) o dinheiro não declarado", sempre e quando se comprometam a investir na Grécia.

No entanto, parece difícil que a troika aceite este pedido porque em novembro último se opôs a uma iniciativa similar elaborada pelo governo de Andonis Samarras que previa o pagamento de uma taxa de 8% para a repatriação de capitais não declarados.

Outro dos assuntos pendentes que poderia "pôr à prova a coesão" do governo tripartido será o despedimento de funcionários públicos, refere o jornal económico "Naftemporikí".

Os objetivos do memorando estabelecem que este ano deverão enviados 25 mil funcionários públicos para a reserva, um esquema que estabelece que estes trabalhadores recebem durante um ano entre 60% e 75% do salário base e que prevê que se no final do prazo não tiver sido encontrada uma colocação são despedidos.

Samarras reuniu-se na sexta-feira com o ministro da Reforma Administrativa, Andonis Manitakis, sobre este assunto y segundo os meios gregos acordou oferecer à troika o despedimento de 7.000 funcionários que atualmente enfrentam ações disciplinares por diferentes faltas.

A questão das privatizações, um processo que está a avançar com extrema lentidão, também vai ser tratada com troika.

No primeiro memorando com a `troika`, assinado em 2010, previam---se receitas de privatizações de 50 milhões de euros até 2015, um objetivo que foi logo reduzido para 19 mil milhões e depois para 11 mil milhões, alargando o prazo para 2016.

Uma transferência de 2.800 milhões de euros em março e de outra de 6.000 milhões de euros em abril estão dependentes da aprovação das reformas pela troika neste exame intermédio.

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