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Ataques russos congelam a Ucrânia. Kaja Kallas alerta para "catástrofe humanitária"

Ataques russos congelam a Ucrânia. Kaja Kallas alerta para "catástrofe humanitária"

A Ucrânia enfrenta uma "catástrofe humanitária" devido aos implacáveis ataques aéreos russos, que estão a privar centenas de milhares de civis de aquecimento e eletricidade no inverno, alertou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, esta quinta-feira.

Cristina Sambado - RTP /
Alina Smutko - Reuters

Apesar das negociações lideradas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, com o objetivo de pôr fim à guerra, a Rússia continua a bombardear ucranianos, "congelando-os para os obrigar a render-se", denunciou.

Estão a bombardear ucranianos, a tentar bombardeá-los e congelá-los para os forçar à rendição, e é por isso que também estamos a discutir o apoio energético que lhes podemos dar, porque é um inverno muito rigoroso e os ucranianos estão a sofrer muito. Há uma catástrofe humanitária a aproximar-se”, alertou Kaja Kallas.

"O inverno é muito rigoroso e os ucranianos estão a sofrer imenso. Aproxima-se uma catástrofe humanitária", enfatizou, pouco antes do início de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em Bruxelas.Os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da União Europeia reúnem-se esta quinta-feira em Bruxelas para decidir novas sanções à Rússia e aos responsáveis pela repressão no Irão, devendo também discutir a situação na Síria, Palestina e República Democrática do Congo.

A preocupação para a chefe da diplomacia da União Europeia, “é que tenhamos visto muitas concessões também por parte da Ucrânia, mas isso está a obscurecer o quadro, porque não é a Ucrânia que está a cometer a agressão. É a Rússia. Portanto, devemos pressionar mais a Rússia para que vejamos concessões por parte dela”.

Kaja Kallas desvaloriza a ideia de criação de um “exército europeu”, considerando que continua a ser do domínio das autoridades e das hierarquias nacionais.

“Nas forças armadas, é preciso ter uma cadeia de comando muito direta e compreensível, para que, quando algo acontece, seja claro quem dá ordens a quem. Se criarmos estruturas paralelas, isso só vai confundir o quadro”, acrescentou.

Além disso, Kaja Kallas considera que a delegação russa nas negociações que decorrem nos Emirados Árabes Unidos continua a ser representada apenas por militares, sem “qualquer mandato para concordar com nada”, questionando se a Rússia está genuinamente empenhada no processo de paz.A Ucrânia e a Rússia reuniram-se para conversações de paz mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi na semana passada, estando previstas novas reuniões para domingo, mas Moscovo continuou a bombardear cidades ucranianas e ambos os países atingiram as infraestruturas energéticas um do outro.

A Rússia intensificou os seus ataques contra as infraestruturas de eletricidade e aquecimento da Ucrânia, mergulhando os residentes na escuridão e no frio, com as temperaturas a atingirem os -20°C.

A União Europeia procura reforçar o seu apoio à rede elétrica ucraniana e prepara uma nova ronda de sanções contra Moscovo, na véspera do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, no próximo mês.

Já a ministra sueca dos Negócios Estrangeiros, Maria Stenergard, defendeu "uma proibição total dos serviços marítimos para todos os navios russos que transportam hidrocarbonetos" para reduzir ainda mais as receitas petrolíferas de Moscovo.

Maria Stenergard defendeu ainda a proibição da importação de fertilizantes da Rússia e a proibição da exportação de bens de luxo da União Europeia para Moscovo.

"Precisamos de pressionar mais a Rússia. É a única forma de travar as mortes", frisou a governante sueca. A União Europeia já impôs 19 pacotes de sanções contra a Rússia desde a invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022.

Kaja Kallas indicou ainda que Bruxelas iria acrescentar a Rússia à sua lista negra de branqueamento de capitais.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Margus Tsahkna, pediu aos 27 Estados-membros que imponham uma proibição coordenada de vistos para os russos que tenham combatido na Ucrânia. "Estas são pessoas realmente más, e devemos colocá-las na lista negra", defendeu.

c/ agências
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