Kremlin afirma que apoio do Ocidente à Ucrânia agravou o conflito

Kremlin afirma que apoio do Ocidente à Ucrânia agravou o conflito

O Kremlin afirmou esta terça-feira que a decisão dos países ocidentais de intervir no conflito na Ucrânia fez com que este se tornasse um confronto muito mais amplo.

Cristina Sambado - RTP /
Anastasia Barashkova - Reuters

Após a intervenção direta neste conflito por parte dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, a operação militar especial transformou-se, de facto, num confronto muito maior entre a Rússia e os países ocidentais, que tinham e continuam a ter o objetivo de destruir o nosso país", afirmou Peskov.

Falando exatamente quatro anos depois da entrada de dezenas de milhares de soldados russos na Ucrânia por ordem do presidente Vladimir Putin, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os combates continuam, mas que Moscovo continua aberta a alcançar os seus objetivos por meios políticos e diplomáticos.O porta-voz do Kremlin garante que Moscovo está disposto a alcançar os objetivos na Ucrânia através dos canais diplomáticos. No entanto, Dmitry Peskov afirmou que não está em condições de revelar quando é que realiza mais uma ronda de conversações de paz.

"Esperamos sinceramente que este trabalho continue", concluiu.

Para já, o Kremlin frisa que “muitos” dos objetivos da operação especial ainda “não foram alcançados” e que o conflito se vai manter.

Questionado se Moscovo acreditava que o conflito poderia ser resolvido através de negociações, Peskov respondeu: "Continuamos os nossos esforços para alcançar a paz, a nossa posição é muito clara e consistente. Agora tudo depende das ações do regime de Kiev."

"Os objetivos ainda não foram alcançados, e é por isso que a operação militar especial continua", disse o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, no dia em que se assinala a quarto aniversário do início da ofensiva russa.

Na conferência de imprensa diária, Peskov acrescentou que "muitos" dos objetivos do Kremlin na Ucrânia foram atingidos, especificando que o "principal objetivo" de Moscovo era garantir "a segurança das pessoas" que vivem no leste da UcrâniaTelegram violou a lei várias vezes
Outro dos temas abordados na conferência de imprensa do porta-voz do Kremlin foi a aplicação de mensagens Telegram, que Moscovo acusa de ter violado várias vezes a lei e de mão cooperar com a Rússia.

“As autoridades registaram um grande número de violações cometidas pela aplicação de mensagens Telegram e estão a tomar as medidas adequadas em resposta”, frisou Peskov.


A Rússia iniciou uma investigação contra o fundador do Telegram, Pavel Durov, no âmbito de um processo-crime por "facilitação do terrorismo". “Atividades”, noticiaram os meios de comunicação estatais da Rússia esta terça-feira, citando o Serviço Federal de Segurança.

O Telegram, amplamente utilizado na Rússia e em toda a antiga União Soviética, negou nos últimos dias uma série de alegações da Rússia de que a aplicação é um refúgio para atividades criminosas e que foi comprometida pelos serviços de informação ocidentais e ucranianos.A Rússia está a tentar bloquear o Telegram, que tem mais de mil milhões de utilizadores e é amplamente utilizado tanto na Rússia como na Ucrânia, e encaminhar dezenas de milhões de russos para uma alternativa apoiada pelo Estado, conhecida como MAX.

As autoridades russas afirmam que a repressão das redes privadas virtuais (VPNs) e das aplicações de mensagens como o WhatsApp e o Telegram é essencial para a segurança, dado que Moscovo enfrenta ataques mortais em território russo vindos da Ucrânia e alegadas tentativas de sabotagem por parte das agências de informação ocidentais.

Desde a sua criação em 2013, o Telegram tornou-se uma das fontes de notícias mais importantes dentro da Rússia, incluindo para os soldados de ambos os lados da linha da frente de 1.200 quilómetros no leste da Ucrânia.


A aplicação é utilizada pelo Kremlin, por bloggers pró-Rússia e propagandistas pró-Putin, bem como por grupos de oposição anti-Putin no estrangeiro, pela crescente oposição nacionalista e por autoridades ucranianas, incluindo o presidente Volodymyr Zelensky.

c/ agências 
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