Rússia e Ucrânia confirmam cessar-fogo de três dias

Rússia e Ucrânia confirmam cessar-fogo de três dias

As tréguas, declaradas pelo Dia da Vitória da Rússia sobre a Alemanha na II Guerra Mundial, serão ainda marcadas pela troca de dois mil prisioneiros de guerra, mil de cada lado.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Escultura soviética em Kiev sobre a II Guerra Mundial Thomas Peter - Reuters

Moscovo já tinha anunciado antes, unilateralmente, um cessar-fogo de dois dias, dias 8 e 9 de maio. Kiev contrapôs ao Kremlin uma trégua entre dias 6 e 10 de maio, mas não obteve resposta.

Nem Ucrânia nem Rússia cessaram entretanto os seus ataques com drones. Volodymyr Zelensky, o presidente ucraniano, considerou quarta-feira, que a Rússia mostrava "não estar interessada na paz" por prosseguir com a ofensiva.

A Rússia afirmou por seu lado, esta sexta-feira, que se limitou a responder "de forma simétrica" ​​às "violações" do cessar-fogo por parte da Ucrânia.

De acordo com a Força Aérea Ucraniana, Moscovo lançou 67 drones de longo alcance contra o país durante a noite, o número mais baixo em quase um mês.

As defesas aéreas russas, por sua vez, intercetaram 409 drones ucranianos, estes últimos dias.
Trump intervém

A tensão resultante levou a Rússia a reforçar as medidas de segurança em torno do desfile do Dia da Vitória, a 9 de maio, alegando temer um ataque ucraniano.A apreensão levou Moscovo a avisar embaixadas em Kiev para prepararem uma possível evacuação e a apelar aos residentes da capital ucraniana para se manterem afastados da cidade, prometendo um ataque massivo em caso de ofensiva ucraniana. 

Esta sexta-feira, o presidente norte-americano anunciou um período de tréguas de três dias a partir de sábado, aceite pelos dois lados.

"Espero que este seja o princípio do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil", escreveu o presidente norte-americano na sua plataforma Truth Social, especificando que o cessar-fogo seria acompanhado por uma "troca de 1.000 prisioneiros de cada país".



Pouco depois da publicação da mensagem de Donald Trump, o presidente ucraniano ordenou ao exército que não atacasse o desfile marcado para sábado na Praça Vermelha, em Moscovo.

O decreto de Zelensky referiu que, "considerando os inúmeros pedidos" e com um "propósito humanitário", está autorizada "a realização de um desfile em Moscovo (Federação Russa) no dia 09 de maio de 2026".

"Durante o desfile", acrescenta o texto, "a Praça Vermelha estará excluída do plano de utilização de armamento ucraniano".

Moscovo confirmou igualmente a aceitação tanto do cessar-fogo como da troca de prisioneiros.
Negociações prosseguem

Trump afirmou esta sexta-feira que o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia estava "cada vez mais próximo". Esta semana foram retomadas na Florida as negociações entre os representantes ucranianos e norte-americanos.

As conversações estavam em segundo plano desde o início da guerra no Médio Oriente. 

Na sexta-feira, Volodymyr Zelensky disse esperar que os negociadores norte-americanos chegassem à Ucrânia nas próximas semanas

A invasão russa em grande escala da Ucrânia, iniciada em 2022 e que dura há cinco anos, ceifou centenas de milhares de vidas. 

É o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

c/agências
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