Detidos em base aérea usada pelos EUA estão a ser interrogados por suspeitas de terrorismo

Detidos em base aérea usada pelos EUA estão a ser interrogados por suspeitas de terrorismo

A polícia britânica está a interrogar esta segunda-feira cinco homens, por suspeita de crimes relacionados com explosivos e terrorismo, depois de terem sido detidos perto de uma base aérea utilizada pelos EUA para realizar ataques contra o Irão.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Toby Shepheard - Reuters

Os agentes detiveram os cinco homens na madrugada de domingo, depois de receberem uma denúncia de que três carrinhas brancas tinham sido vistas a dirigir-se para o aeródromo militar de RAF Fairford, no oeste de Inglaterra.

Os detetives britânicos de contraterrorismo ainda não divulgaram publicamente quem acreditam estar envolvido, mas uma fonte conhecedora da investigação afirmou à Reuters que uma motivação ligada ao Irão é considerada a mais provável, embora uma operação de sabotagem russa ou uma conspiração islâmica também estejam a ser analisadas como possibilidades.

Os detidos por suspeita de cometerem infrações previstas na Lei dos Explosivos, permanecem sob custódia e as identidades não foram reveladas.

Os suspeitos detidos com base na Lei do Terrorismo de 2000 (Terrorism Act 2000) podem ficar presos até 14 dias sem acusação formal, em comparação com o limite de 24 horas para as detenções comuns sem pedido de prorrogação.

As equipas de desarmamento de bombas examinaram vários veículos nas proximidades da RAF Fairford, em Gloucestershire, e dezenas de casas na área circundante foram evacuadas.


O ministro da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, disse à BBC, esta segunda-feira, que não iria especular sobre as motivações de uma investigação em curso.

Mas acrescentou, sobre a ameaça geral de Teerão ao país: "Sabemos que o Irão e os seus grupos aliados desejam fazer-nos mal. Sabemos que odeiam a nossa democracia e sabemos que precisamos frequentemente de frustrar as tentativas iranianas de ameaçar os nossos interesses ou, de facto, os nossos aliados."

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os suspeitos planeavam causar "grandes danos" e estavam a ser investigados pelas autoridades britânicas e norte-americanas.
Em maio, o Reino Unido impôs sanções a 12 indivíduos e entidades ligados ao Irão, acusando-os de estarem envolvidos em atividades hostis, incluindo o planeamento de ataques e a prestação de serviços financeiros a grupos que procuram desestabilizar o Reino Unido e outros países.

O Irão tem negado repetidamente qualquer envolvimento em ataques ou conspirações no Reino Unido ou noutros locais. Base isolada
Em Fairford, a polícia estabeleceu um perímetro de isolamento de 400 metros em redor da base e retirou provisoriamente os residentes de 85 casas.

Um robô antibombas pôde ser visto em operação, no domingo, nas imediações de três carrinhas brancas, enquanto a segurança era reforçada em redor da base. Polícias armados faziam a guarda à entrada principal, ao passo que maquinaria pesada era utilizada para bloquear outros pontos de acesso.

A RAF Fairford está localizada em Cotswolds, a cerca de 6,4 quilómetros a sul da cidade de Fairford, situada nas margens do rio Coln.

A segurança foi também reforçada noutras bases dos EUA na Grã-Bretanha. 

A base tem um longo historial de parceria com as forças armadas americanas e, recentemente, tem sido utilizada por aviões militares norte-americanos como ponto de apoio para ataques defensivos contra o Irão.

O governo britânico tinha autorizado os EUA a utilizar bombardeiros sediados em Fairford para atacar instalações de mísseis iranianos que estavam a atacar navios no Estreito de Ormuz.

O governo informou que o primeiro-ministro Andy Burnham está a ser regularmente atualizado sobre o incidente e cancelou a sua participação em pelo menos dois eventos da conferência anual do Partido Trabalhista, no domingo.

A Guarda Revolucionária do Irão tinha avisado a Grã-Bretanha, em julho, para não permitir que os bombardeiros norte-americanos levantassem voo de Fairford, afirmando que qualquer base utilizada para lançar ataques seria um alvo legítimo.

c/agências 

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