França só pode estar satisfeita com morte de "ditador sanguinário"
A porta-voz do Governo francês considerou hoje que o líder supremo do Irão, Ali Khamenei, era um "ditador sanguinário", pelo que a França apenas pode "sentir-se satisfeita" com a sua morte.
"Khamenei era um ditador sanguinário que oprimiu o seu povo, aviltou as mulheres, os jovens, as minorias, e foi, ainda recentemente, responsável pela morte de milhares de civis no país e na região", afirmou a porta-voz do Governo francês.
"Não podemos, portanto, senão sentir satisfação com o seu desaparecimento", disse Maud Bregeon num programa televisivo.
A porta-voz francesa reafirmou as reservas de Paris quanto ao desencadeamento das operações militares de Israel e dos Estados Unidos contra o poder da República Islâmica, nomeadamente no plano jurídico, e sublinhou as incertezas que acarretam.
"Mais uma vez, com toda a evidência, isto não foi enquadrado pelo direito internacional. Agora, o que conta é o dia seguinte", afirmou, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Advertiu que a decisão de atacar o Irão "mergulha a região numa situação de instabilidade" e que "cabe ao povo iraniano escolher o seu próprio destino".
Bregeon reiterou que o Governo francês não participou nem foi avisado com antecedência sobre os ataques, mas rejeitou que isso implique que a França esteja isolada.
Segundo a porta-voz, o Presidente Emmanuel Macron informou no sábado os parceiros no Médio Oriente de que a França estava disposta para prestar assistência perante as represálias iranianas.
Bregeon disse também que o Governo estava disposto a organizar, "quando a situação o permitir", a retirada de franceses que desejem abandonar a região do Médio Oriente, dado o agravamento da situação de segurança.
A declaração de Bregeon é a primeira reação do Governo francês desde a confirmação oficial da morte de Khamenei, segundo a agência espanhola EFE.
No sábado, Macron apelou à cessação da escalada bélica, instou o Irão a manter negociações e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.