Hong Kong reforça combate a contrabando de combustível após subida de preço
Hong Kong reforçou hoje a luta contra o contrabando de combustível em veículos vindos da China continental, devido ao crescente custo do petróleo, causado pela guerra no Médio Oriente.
Nas últimas semanas, foram intercetados mais camiões transfronteiriços suspeitos de introduzirem gasolina ilegal na cidade, muitos deles com depósitos ampliados ou modificações para transportar maiores volumes destinados a postos de gasolina ilegais, indicou hoje o comissário de Alfândega e Impostos Especiais de Hong Kong, Chan Tsz-tat.
As autoridades ordenaram a apreensão de todos os veículos envolvidos e pretendem solicitar aos tribunais que sejam definitivamente confiscados, de acordo com a legislação em vigor sobre importação e exportação e sobre produtos sujeitos a impostos especiais.
Chan sublinhou que a diferença de preços entre a China continental e o centro financeiro, juntamente com a escalada do custo internacional do petróleo bruto, gerou um "forte incentivo económico" para que os contrabandistas assumissem riscos adicionais.
O responsável assegurou, no entanto, que o departamento dispõe de um robusto sistema de inteligência e que está a realizar inspeções direcionadas que permitiram detetar numerosos casos em postos fronteiriços.
Além disso, o comissário alertou que a compra de gasolina não tributada constitui um crime que implica tanto evasão fiscal como riscos importantes para a segurança.
"As alterações na estrutura dos depósitos, os pontos de carga ocultos e o armazenamento em condições não regulamentadas aumentam o risco de fugas, incêndios e explosões, em particular em áreas densamente povoadas ou em parques de estacionamento e armazéns industriais onde operam estações clandestinas", salientou Chan.
Por isso, o comissário lembrou que os condutores responsáveis por estas operações enfrentam penas de prisão e multas ao abrigo da Portaria sobre Importação e Exportação e da Portaria sobre Produtos com Impostos Especiais.
O aumento dos casos ocorre num contexto de subida dos preços dos combustíveis impulsionada pelo conflito no Irão e pelas tensões no estreito de Ormuz, que encareceram o transporte marítimo e os seguros e elevaram as cotações de referência do Brent e de destilados como o gasóleo.
Representantes do setor de transportes de Hong Kong alertaram que estão a ser estudadas sobretaxas temporárias sobre o combustível para entregas e serviços logísticos, enquanto os operadores enfrentam contratos de longo prazo que limitam a capacidade de transferir imediatamente o aumento dos custos para as tarifas.
Paralelamente, a China aumentou na terça-feira os preços de retalho da gasolina e do gasóleo, na sequência do aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, a maior subida em quase quatro anos.