Israel. Likud marca dissolução do Knesset para a semana após Netanyahu perder apoio dos ortodoxos

Israel. Likud marca dissolução do Knesset para a semana após Netanyahu perder apoio dos ortodoxos

O impasse sobre a isenção de serviço militar obrigatório para os estudantes religiosos ultraortodoxos, levou o partido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a marcar a dissolução do parlamento israelita. A oposição acolhe eleições antecipadas de braços abertos.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel Foto: Ilia Yefimovich - Reuters

A crise política foi desencadeada depois de Netanyahu, de acordo com o jornal israelita Haaretz, ter proposto aos líderes políticos ultraortodoxos o adiamento da apresentação da proposta de lei a isentar os estudantes religiosos do serviço militar obrigatório. O primeiro-ministro israelita pretendia avançar com a legislação apenas após as próximas eleições legislativas.

A fação judaica Haredi, ultraortodoxa, reagiu com indignação à ideia. 

Acusou o primeiro-ministro de faltar a promessas de criar a legislação para proteger a comunidade do recrutamento a que a maioria dos judeus israelitas tem de se submeter.  

O partido que representa os Haredi, o Degel HaTorah, da coligação que sustenta o governo, pediu terça-feira a imediata dissolução do parlamento. 

"Já não confiamos em Netanyahu", disse o Degel HaTorah, num comunicado público. "Precisamos de dissolver o parlamento imediatamente".

O partido Likud, do primeiro-ministro, aceitou a exigência e anunciou esta quarta-feira que a dissolução terá lugar já na próxima semana.

"A 25ª Knesset será dissolvida antes do fim do seu mandato. As eleições (para formar o próximo parlamento) serão realizadas numa data determinada pelo Comité da Knesset, que não poderá ser definida antes de 90 dias após a aprovação desta lei", refere o projeto de lei divulgado pelo Likud.

Segundo relatos dos meios de comunicação israelitas, o projeto de lei de dissolução poderá ser votado a 20 de maio.

“Estamos prontos. Juntos”, reagiu logo a seguir o líder da oposição israelita, Yair Lapid.

Lapid escreveu na rede X, usando o nome do novo partido político, “Beyahad” (Juntos), que criou no final de abril, em parceria com o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, para derrotar Netanyahu. 
Entre os ortodoxos e o Supremo Tribunal

A isenção dos judeus ultraortodoxos do serviço militar em Israel divide a sociedade israelita há décadas. Historicamente, Israel isenta os jovens homens e mulheres da devota comunidade ultraortodoxa para lhes permitir frequentar estudos religiosos.

Na verdade, Netanyahu tem estado sob pressão desde que, no ano passado, o Supremo Tribunal de Israel ordenou ao governo que convocasse os israelitas ultraortodoxos para o serviço militar. 

A guerra em Gaza e a necessidade de mais soldados aumentaram a pressão política sobre a comunidade Haredi, para que participe no serviço militar, com a isenção a ser alvo de críticas de setores da sociedade que defendem igualdade no serviço obrigatório.

Entre o cumprimento de promessas aos parceiros de coligação ortodoxos e a pressão social e judicial, Netanyahu pareceu optar pela fuga em frente.

A confirmar-se a dissolução, as eleições poderão ocorrer, em teoria, já no final de agosto. Netanyahu, que concorre a mais um mandato, permaneceria primeiro-ministro em exercício até ao ato eleitoral.Por lei, Israel tem de realizar novas eleições até 27 de outubro. 

A legislação para dissolver o parlamento israelita irá exigir quatro votações plenárias [uma votação preliminar e três votações subsequentes] com o apoio de uma maioria simples de 61 deputados no Knesset, que tem 120 membros. 

Acredita-se que os sete partidos Haredi que integram o Degel HaTorah, preferem o dia 1 ou 15 de setembro, enquanto Netanyahu, segundo os relatos, quer evitar eleições muito próximas do aniversário da invasão e massacre liderados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023, no sul de Israel.
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