Máquina de guerra dos Estados Unidos ataca ilha iraniana em véspera de eleições intercalares

Máquina de guerra dos Estados Unidos ataca ilha iraniana em véspera de eleições intercalares

Na véspera das eleições intercalares norte-americanas e poucas horas depois de Donald Trump ter admitido haver progressos nas negociações com Teerão, os Estados Unidos atacaram a ilha de Qeshm, no Golfo Pérsico.

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Reuters

Apesar da nova operação militar contra o Irão, antes de os eleitores norte-americanos irem votar, o presidente dos EUA minimizou o risco de recomeço de guerra. Segundo as forças armadas, foram ataques limitados na ilha iraniana de Qeshm, no Golfo Pérsico, com objetivos meramente defensivos e de proteção aos ativos norte-americanos na região.

De acordo com os media norte-americanos, este ataque foi uma resposta aos disparos do Irão contra uma aeronave dos EUA. A agência de notícias oficial iraniana IRNA tinha anteriormente noticiado cinco explosões ouvidas na ilha e relatos dos habitantes locais que dizem ter visto duas aeronaves.

Ao longo da última semana, Teerão afirmou ter atacado vários drones norte-americanos na região. Na noite de segunda-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica alegou ter abatido dois drones de reconhecimento americanos a sobrevoar a ilha de Qeshm.

Qeshm é uma ilha situada à entrada do estreito de Ormuz que alberga uma instalação subterrânea de mísseis, uma base naval e uma importante estação de dessalinização. O Pentágono reforçou nas últimas semanas a presença militar na região e preparou várias opções para uma eventual ampliação dos ataques, segundo o WSJ.

Conflito assombra eleições

Os ataques desta madrugada aconteceram horas antes de começarem as eleições legislativas intercalares. Donald Trump tinha afirmado, na véspera, que um acordo com Teerão "poderia acontecer".

O presidente norte-americano afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos "já tinham vencido a guerra contra o Irão" e minimizou a importância de um possível reinício dos combates.

"Não sei se se pode sequer chamar a isto uma guerra, porque já há meses que não combatemos", disse aos jornalistas em Washington.

Mais tarde, numa entrevista à Fox News, Trump não falou sobre os novos ataques a alvos iranianos, mas admitiu que os EUA “podem ter de atacar” a Montanha da Picareta, local que Israel acredita que o Irão usa como armazém de urânio enriquecido.

“Isso não é grande coisa. Podemos fazer isso em literalmente uma hora. Ok, assim que quisermos, a qualquer hora que quisermos”, disse.

Trump defendeu ainda a decisão de iniciar a guerra contra o Irão, afirmando não ter havido combates recentes. No início deste mês, já tinha garantido que os EUA não atacariam o Irão antes das eleições intercalares, mas adiantou se seriam retomados após.

“Não estamos em guerra. Toda a gente diz: 'vocês estão em guerra!' Bem, quando foi a última vez que disparamos alguma coisa? Isso não é uma guerra — é uma guerra muito branda”, argumentou. “Mas não é como se estivéssemos em guerra de verdade. Não há nenhuma guerra a acontecer. Isso podia acontecer se não chegarem a um acordo, mas eles querem muito chegar a um acordo e há uma grande possibilidade de chegarmos a um acordo”.

Nas redes sociais, na noite de segunda-feira, acrescentou: "Os preços do petróleo estão a cair como pedras (...), porque as pessoas sentem que não haverá guerra com o Irão. O Irão quer um acordo, o mais rápido possível. Isso poderá acontecer”.

Também o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou na segunda-feira que Trump e ele estavam a sentir-se "bem otimistas" quanto a um acordo negociado para pôr fim à guerra com o Irão.

Os analistas têm afirmado ver-se uma trégua nas tensões desde o início de setembro, mas as notícias diárias sugerem uma possível campanha militar curta, mas intensa, após as eleições intercalares.

"A bola está agora com os Estados Unidos para evitar a guerra"
, declarou na terça-feira o influente negociador-chefe do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, num discurso perante o parlamento a que preside.

O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, fez também saber na segunda-feira através do Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que concedeu poderes ao Governo iraniano no âmbito dos esforços para pôr fim à guerra com os Estados Unidos.

"Estamos a esforçar-nos para resolver o problema através do diálogo. A este respeito, o líder supremo conferiu certos poderes ao Governo", anunciou Pezeshkian, citado pela agência estatal iraniana IRNA.

c/ agências
PUB