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Netanyahu ou Eisenkot. Israel vai a votos à procura de ponto de viragem

Netanyahu ou Eisenkot. Israel vai a votos à procura de ponto de viragem

Esta terça-feira é um dia decisivo para Israel. Pela primeira vez desde o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023, os israelitas são chamados às urnas para eleger os 120 deputados ao Parlamento, o Knesset.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Amir Cohen - Reuters

Os israelitas parecem unidos na ideia de que é preciso um ponto de viragem e pedem o afastamento de Bejamin Netanyahu, o primeiro-ministro há mais tempo no poder na história de Israel.

No total, 37 partidos vão constar nos boletins de voto. No entanto, as legislativas em Israel estão a ser protagonizadas pelo Likud, de Netanyahu, e pelo Yashar, do ex-general Gadi Eisenkot.

Eizenkot, principal adversário de Netanyahu, é apontado como favorito à vitória nestas eleições. No entanto, as sondagens mais recentes mostram que nenhum partido consegue uma maioria (61 lugares), o que significa que vai ser preciso trabalhar em coligações.

Uma aliança rival de partidos de direita, de esquerda e de centro, que procura afastar Netanyahu do poder, não tem um caminho claro para governar, o que sugere meses de impasse político, com Netanyahu eventualmente à frente de um governo interino.
Os partidos árabes podem ser a chave para uma solução. Os eleitores árabes representam 20% do eleitorado e estes partidos podem conseguir reunir cerca de 15 deputados, o que significa que se se juntarem ao bloco de centro, liderado por Eizenko, poderá resultar numa coligação que irá governar Israel nos próximos quatro anos.
Gadi Eisenkot pede “unidade nacional”
Gadi Eisenkot, antigo chefe do Estado-Maior do Exército Israelita, avisa que Israel não sobrevive a mais quatro anos como os últimos e fez um apelo à unidade nacional perante centenas de apoiantes reunidos em Telavive para o seu último comício, no domingo.

Dirigindo-se diretamente aos eleitores do Likud, o partido de Benjamin Netanyahu, Eisenkot disse: "No fundo, vocês também sabem que Israel não pode continuar assim".

Atribuindo a Netanyahu parte da responsabilidade pelas falhas de segurança que permitiram o ataque do Hamas a 7 de outubro, Eisenkot comprometeu-se a criar uma comissão de inquérito independente para investigar estes acontecimentos.

O antigo chefe do Estado-Maior do Exército prometeu ainda evitar o isolamento do país e retirar o Hamas do poder em 18 meses.

Eisenkot também se opõe à criação de um Estado palestiniano, mas promete reprimir a violência dos colonos israelitas contra os palestinianos na Cisjordânia ocupada.
Netanyahu lembra ameaça iraniana
Benjamin Netanyahu, por sua vez, concentrou a sua campanha na segurança do país, afirmando ser o único capaz de a garantir.

O primeiro-ministro israelita acusou, mais uma vez, os seus adversários de quererem criar um Estado palestiniano, "o que seria uma catástrofe para Israel".

No domingo, Netanyahu publicou no X uma imagem de uma nuvem em forma de cogumelo — típica de uma explosão nuclear — que parecia engolir Telavive. A imagem é acompanhada por um texto que descreve o Irão como uma ameaça existencial e menciona o risco de um "segundo Holocausto" caso perca as eleições.

Eisenkot acusou Netanyahu de "apostar numa campanha baseada em incutir medo, mentiras e ameaças”. “Desta vez, isso não vai funcionar para ele", garante.

Netanyahu agradeceu também o apoio declarado do presidente norte-americano, Donald Trump, e sugeriu que os dois poderiam retomar a guerra contra o Irão.

Numa publicação nas redes sociais, no domingo, Trump — que juntamente com Netanyahu iniciou a ofensiva contra o Irão em fevereiro — declarou: "Votem em 'Bibi' Netanyahu para primeiro-ministro. Precisamos de terminar o serviço que iniciámos!".

Netanyahu afirmou que Trump estaria disposto a tomar medidas "que finalmente eliminariam a ameaça iraniana", mas salientou que isso só acontecerá caso seja reeleito esta terça-feira.
Quem são os restantes candidatos?
O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, de 54 anos — um antigo comandante militar de direita, antigo conselheiro de Netanyahu e milionário do setor tecnológico —, uniu forças com o antigo primeiro-ministro de centro, Yair Lapid.

Bennett e Lapid criaram um novo partido chamado “Juntos” e prometem “curar uma nação traumatizada” e colocar o país de volta nos eixos.

Os dois candidatos já lideraram um Governo que reuniu partidos liberais e conservadores e incluiu, pela primeira vez na história de Israel, um partido árabe islâmico.

A aliança entre ambos — que ocupam posições em extremos opostos do espetro político — foi responsável por afastar Netanyahu do poder nas eleições de 2021.

Avigdor Lieberman, antigo aliado de Netanyahu e ex-ministro da Defesa, também concorre a estas eleições. Com uma postura ainda mais radical do que a de Netanyahu, Lieberman deixou o Governo do atual primeiro-ministro em 2018, acusando Netanyahu de ser "demasiado brando" com os militantes palestinianos em Gaza. Desde então, tornou-se um dos mais acérrimos críticos de Netanyahu.

Itamar Ben-Gvir, líder do partido de extrema-direita “Poder Judaico” e atual ministro da Segurança Nacional de Israel, também constará nos boletins de voto. Ben-Gvir, que foi condenado em 2007 por incitamento racista contra árabes, defende a pena de morte para os militantes palestinianos condenados, o endurecimento das condições prisionais para os palestinianos detidos e a facilitação do acesso a armas de fogo para os israelitas.

Yair Golan, antigo major-general das Forças de Defesa de Israel (IDF), lidera o partido "Os Democratas", formado a partir do histórico Partido Trabalhista de Israel e do Meretz, um partido de esquerda mais pequeno.

c/ agências
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