Qatar. Cessar-fogo em Gaza não pode depender da libertação dos reféns

por Graça Andrade Ramos - RTP
Forças israelitas em Gaza Dylan Martinez - Reuters

O primeiro-ministro do Qatar, o sheik Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, considerou este sábado que, nos últimos dias, as negociações para um quadro de acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza não foram muito promissoras.

"O padrão dos últimos dias não foi realmente muito promissor mas, como sempre digo, iremos manter sempre o otimismo e iremos sempre tentar", afirmou Al Thani durante a Conferência de Segurança de Munique.

Mas o acordo de tréguas não deve ser "condicionado" pela libertação dos reféns, defendeu.

O sheik, que é também ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, admitiu não poder revelar detalhes das negociações, mas lembrou que como no passado, estão dois elementos em cima da mesa, as condições humanitárias em Gaza e o número de palestinianos a llibertar em troca da libertação dos reféns israelitas raptados pelo hamas a 7 de outubro último.

"Penso que, neste acordo, estamos a falar numa escala maior e vamos enfrentar algumas dificuldades na parte humanitária das negociaçóes", afirmou.

Al Thani disse acreditar que, se houver avanços ao nível humanitário, o obstáculos dos números dos que irão ser libertados será facilmente ultrapassado.

As negociações envolvem, além da mediação do Qatar e dois principais oponentes, o Egito, e os Estados Unidos. Há meses que não produzem qualquer efeito no terreno, apesar dos apelos para Israel cessar a sua ofensiva militar e permitir e facilitar a entrada de auxílio humanitário internacional aos palestinianos de Gaza.

Na mesma conferência, a Arábia Saudita considerou que a criação de um estado da Palestina é o único caminho para a estabilização e segurança no Médio Oriente, incluindo para Israel.


A posição foi assumida pel príncipe Faisal bin Farhan, ministro saudita dos Negócios Estrangeiros, durante um painel de debate em Munique sobre a normalização dos laços com Israel.

Faisal bin Farhan afirmou que atualmente o foco do reino saudita é uma trégua em Gaza. "Estamos focados num cessar-fogo e na retirada israelita e no acesso dos habitantes de Gaza ao apoio humanitário".

A Arábia Saudita tem repetido que o estabelecimento de relações diplomáticas com Israel está dependente do reconhecimento de um estado independente da Palestina.
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