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"Regressei dos mortos". Palestiniano libertado por Israel denuncia tortura contra prisioneiros

"Regressei dos mortos". Palestiniano libertado por Israel denuncia tortura contra prisioneiros

Um palestiniano de 37 anos detido após o ataque de 7 de outubro do Hamas em Israel e recentemente libertado por Telavive denunciou espancamentos, fome e tortura. "Regressei dos mortos", contou à agência France Press, numa entrevista dada a partir de um hospital em Belém, a sua cidade natal.

RTP /
Foto: Mosab Shawer - AFP

Moazzaz Abayat está internado a recuperar das lesões provocadas pelos agentes israelitas da prisão onde esteve detido nos últimos oito meses. Este talhante foi detido a 26 de outubro e diz não conhecer, até hoje, a razão.

Passou todo esse tempo numa prisão do Negev, no sul de Israel, em “detenção administrativa”, conceito que permite a Israel deter palestinianos sem acusação nem julgamento.

À AFP, comparou a prisão israelita ao centro de detenção de alta segurança de Guantánamo. "Prenderam-me em casa, não entre os combatentes, mas quando estava rodeado pelos meus filhos e pela minha mulher grávida", relatou.

"A minha detenção foi injusta", garantiu à AFP. Saí da prisão de ‘Guantánamo’, no Negev, que pratica as torturas mais horríveis e intensas contra prisioneiros indefesos, algemados e doentes", comparou.

O palestiniano denunciou "espancamentos com cassetetes, correntes de ferro, torturas" e contou como lhe “doem todas as partes” do corpo.
Num vídeo divulgado nas redes sociais após a sua libertação na passada terça-feira, Moazzaz Abayat é visto frágil, a coxear e ajudado por um homem, tendo a mão direita aparentemente paralisada.
"Davam-nos 10 ou 12 feijões com couve às sete da manhã e tínhamos de esperar pelo jantar" para receber outra refeição, contou. Agora, saiu “de uma pequena prisão para a grande prisão" da ocupação israelita, lamentou o homem.

Questionada pela AFP, a direção da prisão israelita disse "não ter conhecimento" destas acusações e assegurou que “todos os prisioneiros são mantidos em conformidade com a lei e todos os direitos fundamentais são respeitados por guardas prisionais qualificados".

"Tal como indicado no seu processo, o prisioneiro foi examinado e tratado pelos melhores médicos da prisão durante toda a sua detenção", disse um porta-voz, acrescentando que os prisioneiros têm a possibilidade de apresentar uma queixa.

Antes da detenção, Abayat “pesava entre 100 e 110 quilos”, contou a sua mãe à AFP. Agora, a balança no hospital onde se encontra marca 54 quilos. "Quando o vi, parecia um homem morto. Só a sua alma é que continua a viver nele”, afirmou a progenitora.

"Já não me reconhece, está desorientado, o seu estado de saúde está no seu pior", acrescentou.

De acordo com a ONG palestiniana Clube dos Prisioneiros, cerca de 9.700 palestinianos estão atualmente detidos em Israel, incluindo centenas sob o regime de detenção administrativa.

Esta organização estima que, desde o ataque de 7 de outubro pelo Hamas, o número desse tipo de detenções tenha duplicado em relação ao mesmo período do ano passado.

No início de julho, a ONU denunciou abusos "inaceitáveis" e a tortura de detidos palestinianos desde o início da guerra em Gaza e exigiu uma investigação.

c/ agências
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