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"32599 Pedromachado". União Astronómica Internacional batiza asteróide com nome de astrofísico português

"32599 Pedromachado". União Astronómica Internacional batiza asteróide com nome de astrofísico português

Em 2015, um conjunto de astrónomos atribuiu a uma jovem galáxia - COMOS Redshift 7 - a sigla CR7 em referência ao jogador de futebol Cristiano Ronaldo, mas agora, mais do que uma sigla, um nome português volta a estar ligado a um objeto celeste - o asteróide 32599 Pedromachado. A designação distingue um investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa). Pedro Machado junta-se assim a dois portugueses nomeados que tinham já o seu nome no espaço sob as designações 40210 Peixinho e 10694 Lacerda.

Nuno Patrício - RTP /
Imagem do asteroide 243 Ida, obtida pela sonda Galileo. Fonte: ESA

São muitos os sonhadores que desejam um dia ter o nome “nas estrelas”. Outros, como é o caso do professor Pedro Machado, nem nos melhores sonhos imaginariam que um dia receberiam uma chamada a dizer: “O seu nome agora brilha no céu!”.

A surpresa foi tal que o investigador da IA Ciências ULisboa pensou ser brincadeira. “Não me disseram nada. Foi um grupo de colegas, com quem fiz observações no âmbito deste tópico dos asteróides e dos corpos transneptunianos (…) Eu só soube pelo telefonema direto da Associação Internacional de Astronomia a dar-me a boa nova”. Uma notícia à qual Pedro Machado respondeu com humor: “Ah, pois, mais uma brincadeira e já ia a desligar”, explicou, com um sorriso.

O anúncio foi feito na Conferência de Asteróides, Cometas e Meteoros, que decorreu em Flagstaff, no Arizona, EUA, e publicado no Boletim do WGSBN.

Pedro Machado é especialista em atmosferas planetárias, mas este é um reconhecimento pelo seu contributo noutro domínio de estudo do Sistema Solar: a detecção e caracterização de asteróides e outros objetos que se encontram para além da órbita de Neptuno, chamados transneptunianos.

Em alguns casos, este trabalho cruza o estudo das atmosferas, pois envolve o estudo das regiões de transição entre a atmosfera e o espaço exterior, as chamadas exosferas, nas quais são perdidas partículas para o espaço.

“Desde há alguns anos que desenvolvemos aqui em Portugal um estudo de ocultações estelares”, explica Pedro Machado. Ou seja, “tentar detetar os asteróides, porque eles são muito escuros e pequeninos, mas quando passam em frente a uma estrelinha, eles tapam o fluxo [de luz] da estrelinha e conseguimos estudar o que chamamos a curva de luz”, o que possibilita saber que ali existe um objecto em órbita.

Asteróide 32599 Pedromachado

Mas afinal que asteróide é o 32599 Pedromachado? A resposta surge com humor por parte do investigador que agora dá o nome a este objecto: ”Este eu devo dizer que é um asteróide que tem cerca de três quilómetros de diâmetro e está na Cintura de Asteróides. Portanto não há receio que nos caia em cima da cabeça (risos)."

O 2001 QL160, agora designado 32599 Pedromachado, orbita o Sol entre os planetas Marte e Júpiter, demora quatro anos e meio a dar uma volta ao Sol e foi descoberto em 2001 através do programa Lowell Observatory Near-Earth-Object Search (LONEOS), da NASA e do Observatório Lowell, para a deteção de objectos espaciais em órbitas próximas da Terra.

De acordo com o processo de denominação de objetos astronómicos, inicialmente foi-lhe atribuído um nome provisório, 2001 QL160, que inclui o ano da descoberta e letras e algarismos que indicam o dia do ano e a ordem da descoberta.

Após a determinação da sua órbita de forma fiável, recebeu a designação definitiva de 32599, pelo Minor Planet Center da IAU. Só a partir desse momento é que pôde ser proposto um nome para este asteróide, avaliado pelo Grupo de Trabalho para a Nomenclatura de Pequenos Corpos, uma atribuição que Pedro Machado recebe com muito carinho e orgulho, por mais uma vez o contributo cientifico português ser reconhecido entre o que de melhor se faz no campo da ciência e astronomia.

“É uma honra inesperada e uma grande satisfação ver o meu nome na lista de novas nomeações de asteróides. Estou muito grato por este reconhecimento do meu trabalho pela comunidade científica”.

Com esta atribuição, Pedro Machado junta-se aos também investigadores do IA Nuno Peixinho (IA e Universidade de Coimbra) e Pedro Lacerda (Instituto Pedro Nunes e IA), cujo trabalho já havia sido reconhecido com a atribuição dos seus nomes aos asteróides 40210 Peixinho e 10694 Lacerda.
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