75 anos da NATO. Ucrânia pede mísseis Patriot sem querer "estragar a festa"

por Cristina Sambado - RTP
"Salvar vidas ucranianas, a economia ucraniana e as cidades ucranianas depende da disponibilização de sistemas Patriot e de outros sistemas de defesa" Johanna Geron - Reuters

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia alertou esta-quinta-feira que, apesar de ser um dia de celebração para a NATO, que completa agora 75 anos, o país precisa de mais sistemas de defesa antiaérea para proteger a população da ofensiva russa.

Não quero estragar a festa, mas a minha mensagem principal hoje é: Patriot”, disse Dmytro Kuleba à chegada ao quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), em Bruxelas.O MIM-104 Patriot é um sistema de defesa antiaérea de fabrico norte-americano utilizado pelos Estados Unidos, Alemanha, Israel, Países Baixos, Turquia e outros países. São produzidos nos Estados Unidos, mas a Alemanha e o Japão têm licenças para produção.

Salvar vidas ucranianas, a economia ucraniana e as cidades ucranianas depende da disponibilização de sistemas Patriot e de outros sistemas de defesa. Referi o Patriot por ser o único que consegue intercetar mísseis balísticos”, acrescentou o chefe da diplomacia ucraniana.

Dmytro Kuleba revelou que “só em março a Ucrânia foi atingida por 94 mísseis balísticos”. “Os aliados têm imensos [sistemas deste tipo]”, completou.
Stoltenberg defende que Europa e EUA são mais fortes unidos
O secretário-geral da NATO alertou os Estados Unidos de que precisam da Aliança Atlântica e que, através dos países europeus, Washington “tem mais amigos e parceiros do que qualquer outra potência”.

A Europa precisa da América para a sua segurança. É essencial a partilha de encargos justa e a Europa está a investir mais, muito mais. Este ano, a maioria dos aliados da NATO vai investir pelo menos dois por cento do seu PIB na Defesa. Por outro lado, a América do Norte também precisa da Europa. Os aliados europeus disponibilizam militares de alto nível, vastas redes de informação e influência diplomática única, multiplicando o poder americano” frisou o secretário-geral da Aliança Atlântica.
“Através da Organização do Tratado do Atlântico Norte, os EUA têm mais amigos e aliados do que qualquer outra potência. Não acredito na América sozinha, como também não acredito na Europa sozinha, acredito na América e na Europa juntos na NATO. Somos mais fortes e mais seguros juntos”, defendeu Jens Stoltenberg.

Durante a cerimónia dos 75 anos, no quartel-general do bloco político-militar, em Bruxelas, o secretário-geral realçou que o alargamento da NATO para 32 membros é a prova de que a Aliança Atlântica é necessária e está a trabalhar bem.

“No início tínhamos 12 membros. Hoje somos 32. Como tal, algo devemos estar a fazer bem. Ajudamos a espalhar a paz, democracia e prosperidade em toda a Europa”, realçou Stoltenberg.
O secretário-geral da NATO recordou ainda que o mundo passou por “duas guerras mundiais, uma guerra-fria e temos enfrentado todos os desafios desde essa altura”.
Rússia e NATO em “confronto direto”
A Rússia e a NATO estão agora em "confronto direto", afirmou o Kremlin numa altura em que a aliança liderada pelos EUA marca seu 75.º aniversário.
As sucessivas vagas de alargamento da NATO a leste são uma fixação do presidente Vladimir Putin, que entrou em guerra na Ucrânia há dois anos com o objetivo declarado de impedir a aliança de se aproximar das fronteiras da Rússia. Em vez disso, a guerra agitou a NATO, que se expandiu novamente com a entrada da Finlândia e da Suécia, recorda a Reuters.
"Na verdade, as relações passaram agora para o nível de confronto direto", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas.

A NATO "já estava envolvida no conflito em torno da Ucrânia e continua a avançar para as nossas fronteiras e a expandir as suas infraestruturas militares para as nossas fronteiras".

Putin tem dito repetidamente que a Rússia foi enganada pelo Ocidente no rescaldo da Guerra Fria
, uma vez que a aliança de Moscovo com o Pacto de Varsóvia foi dissolvida, mas a NATO avançou para leste, tomando os membros do pacto de informadores e os três Estados bálticos que faziam parte da União Soviética.

O Ocidente rejeita essa versão, afirmando que a NATO é uma aliança defensiva e que a sua adesão foi uma escolha democrática de países que se livraram de décadas de regime comunista.

A NATO diz que está a ajudar a Ucrânia a lutar pela sua sobrevivência face à agressão russa e que forneceu a Kiev armas avançadas, treino e informações.


A Rússia diz que isso faz da NATO uma parte de facto do conflito. Putin afirmou em fevereiro que um conflito direto entre a Rússia e a Aliança Atlântica significaria que o planeta estava a um passo da Terceira Guerra Mundial.

c/ agências
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