Afirma Moscovo. Ritmo das negociações depende de Kiev e Washington

O ritmo das negociações para resolver a guerra na Ucrânia depende da posição de Kiev, da eficácia da mediação dos Estados Unidos e da situação no terreno, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em entrevista a um canal televisivo da vizinha e aliada Bielorrússia.

Cristina Sambado - RTP /
Alexander Kazakov - Sputnik via Reuters

"Muito depende, naturalmente, da posição do regime de Kiev", disse Peskov à Belarus 1 TV, o principal canal de televisão estatal de Minsk.

"Depende da eficácia dos esforços de mediação de Washington", disse, acrescentando que a situação no terreno era outro fator que não podia ser ignorado.

Peskov não explicou o que Moscovo espera de Washington ou de Kiev.O Kremlin tem exigido que a Ucrânia ceda mais terreno e abandone o apoio militar ocidental, condições que Kiev considera inaceitáveis.


Embora não tenha sido definida uma data para a próxima ronda de negociações, Peskov disse que a Rússia espera que as datas se tornem claras "num futuro próximo".

Cinco meses após o início do mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, não há um fim à vista para a guerra que a Rússia lançou em fevereiro de 2022 contra o país vizinho, apesar da promessa de campanha de 2024.

Trump, que empurrou os dois lados para negociações de cessar-fogo desde a posse em janeiro, disse na sexta-feira que acha que "algo vai acontecer" relativamente a um possível entendimento.

Embora não tenha sido definida uma data para a próxima ronda de negociações, Peskov afirmou que a Rússia espera que as datas se tornem claras "num futuro próximo".


Após um interregno de mais de três anos, Rússia e Ucrânia mantiveram conversações presenciais em Istambul, a 16 de maio e 2 de junho, que conduziram a uma série de trocas de prisioneiros e ao regresso dos seus mortos.Tropas de Moscovo continuam a avançar na Ucrânia
A Rússia, que já controla cerca de um quinto da Ucrânia, continua a avançar gradualmente, ganhando terreno nas últimas semanas nas regiões de Donetsk e Dnipropetrovsk, no sudeste da Ucrânia, e intensificando os ataques aéreos em todo o país.

Esta segunda-feira, segundo os meios de comunicação estatais russos, as forças russas tomaram o controlo da primeira aldeia na região centro-leste ucraniana de Dnipropetrovsk.


Não houve confirmação imediata por parte de fontes ucranianas ou do Ministério russo da Defesa.

Enquanto Moscovo e Kiev falam de uma possível paz, a guerra intensificou-se com as forças russas a conquistar um pedaço de 200 quilómetros quadrados da região ucraniana de Sumy e a entrar na região de Dnipropetrovsk, no mês passado.
As áreas controladas pela Rússia incluem a Crimeia, mais de 99 por cento da região de Lugansk, mais de 70 por cento das regiões de Donetsk, Zaporizhia e Kherson, todas no leste ou sudeste, e fragmentos das regiões de Kharkiv, Sumy e Dnipropetrovsk.
O mapa oficial do Estado ucraniano mostra que a Rússia controla 113.588 quilómetros quadrados do território ucraniano, mais 943 quilómetros quadrados do que nos dois meses anteriores a 28 de junho.

A agência noticiosa estatal russa RIA que citou um funcionário pró-russo, Vladimir Rogov, revelou que as forças russas tinham tomado o controlo da aldeia de Dachnoye, no interior de Dnipropetrovsk. 
Putin “quer que a Ucrânia se renda”
O chefe da diplomacia alemã, Johann Wadephul, acusou esta segunda-feira o presidente russo, Vladimir Putin, de querer impor uma “capitulação” à Ucrânia, sem uma verdadeira vontade de negociar, depois de ter chegado a Kiev para uma visita sem aviso prévio.

Putin não cede em nenhuma das suas exigências maximalistas: não quer negociações, quer a capitulação", afirmou Wadephul, citado num comunicado de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Mas a Alemanha continuará “firmemente” ao lado da Ucrânia, em particular através de uma defesa aérea moderna e de “outras armas”, a par da ajuda humanitária e económica, assegurou o ministro, afirmando ter chegado a Kiev na segunda-feira com esta “promessa”.

“A liberdade e o futuro da Ucrânia são a tarefa mais importante da nossa política externa e de segurança” na Europa, afirmou ainda o ministro, segundo o comunicado de imprensa.A visita de Johann Wadephul ocorre numa altura em que a Rússia está a intensificar os seus ataques com drones e mísseis contra a Ucrânia e em que as conversações de paz iniciadas pelos Estados Unidos para pôr fim ao conflito de três anos estão num impasse.

A Rússia está a “apostar no enfraquecimento do nosso apoio” e “quer a conquista e a subjugação a qualquer preço - mesmo à custa de mais centenas de milhares de vidas”, acrescentou Wadephul.

Enquanto a Rússia se recusar a encetar verdadeiras negociações, “continuaremos a limitar os meios de Putin para financiar a sua guerra criminosa através de sanções”, frisou o chefe da diplomacia alemã.

Berlim está a trabalhar neste sentido “no seio da União Europeia e com os nossos parceiros do G7 com a maior determinação”, garantiu.
Zelensky pede mais apoio para a defesa aérea
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu aos Estados Unidos e ao Ocidente mais defesas aéreas para apoiar a Rússia no ataque que envolveu mais de 500 drones e mísseis de cruzeiro e balísticos.

O apelo do presidente ucraniano surge depois de a Ucrânia ter perdido mais um F-16 que realizava manobras defensivas durante o fim de semana. A queda da aeronave provocou a morte do piloto que não teve tempo de ejetar antes de se despenhar.


O presidente ucraniano elogiou o piloto, Maksym Ustymenko, e concedeu-lhe postumamente o título de Herói da Ucrânia, a mais alta condecoração do país.A Ucrânia já perdeu três F-16 desde que começou a operar os jatos fabricados nos EUA no ano passado. Kiev não revelou a dimensão da sua frota de caças, mas estes tornaram-se uma parte central e muito utilizada das defesas do país.

No tradicional discurso noturno, Zelensky revelou que Ustymenko “dominava quatro tipos de aeronaves e teve resultados importantes em seu nome na defesa da Ucrânia”. “É doloroso perder pessoas assim”, lamentou.

"O piloto utilizou todas as suas armas de bordo e abateu sete alvos aéreos. Durante o abate do último, a aeronave ficou danificada e começou a perder altitude", revelaram as Forças Aéreas da Ucrânia na rede social Telegram.

c/ agências 
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