Mundo
Agrupamento de famílias de refugiados divide Governo de Merkel
O ministro alemão do Interior, Thomas de Maiziére, apelou de novo esta quarta-feira à restrição no direito ao reagrupamento familiar para os refugiados, nomeadamente sírios. Uma ideia contestada pelos aliados sociais-democratas da chanceler Angela Merkel.
"Não podemos duplicar ou até mesmo triplicar o nosso elevado número de refugiados", afirmou o ministro alemão, conservador, perante os deputados alemães no Bundestag.
De Maiziére justificou o seu apelo à restrição do direito de reunião familiar invocando o fluxo de migrantes que tentam ficar na Alemanha invocando o desejo de ficar junto da família.
"Ninguém sabe quantas pessoas na Síria, ou nos Estados fronteiriços com a Síria. esperam que os seus pedidos de reunião familiar sejam aprovados", referiu de Maiziére, apelando a um debate sobre o assunto.
"Dizer que cada pessoa que chega da Síria pode fazer vir a sua família, mesmo se não estamos suficientemente certos de poder garantir os seus meios de subsistência, já não é possível, penso eu, devido ao elevado número de sírios que nos chegam", afirmou o ministro do Interior da Alemanha.

A questão divide a "grande coligação" de conservadores e sociais-democratas que sustenta o governo de Angela Merkel.
Faltam locais de acolhimento
Oficialmente a Alemanha esperava receber, em 2015, 800.000 refugiados, mas este número já é mais próximo do milhão de pessoas, já que, só nos 10 primeiros meses do ano, se registaram 760.000 entradas. Entre estas incluem-se cerca de 240.000 sírios.
Organismos oficiais alemães sondaram na última semana cerca de 300 comunas alemãs e concluíram que poderão faltar no final do ano cerca de 400.000 locais para acolher refugiados e migrantes.
Até agora a esmagadora maioria dos sírios obtém uma autorização de residência de três anos e a autorização de fazer vir a sua família. De Maiziére sugeriu inicialmente encurtar o período de autorização de permanência para um ano e abolir o direito de agrupamento familiar, mas a sugestão foi liminarmente rejeitada pelos sociais-democratas e o ministro recuou na proposta.
Em Malta, a União Europeia e 35 Estados africanos iniciaram ao fim da tarde desta quarta-feira uma cimeira sobre a crise migratória.
O bloco europeu deverá pressionar os africanos a tomarem medidas para conter o fluxo de refugiados e migrantes económicos mas está ainda longe de assumir uma resposta unida à crise.
Cimeira sobre a Síria
Este sábado, em Viena, um encontro internacional sobre a Síria deverá começar a debater soluções para a crise síria, mas um plano russo apresentado há duas semanas, não deverá centrar as atenções.
O plano inclui oito pontos e apela a um processo de reforma constitucional, de 18 meses, ao qual se seguiriam eleições, mas já foi rejeitado por países ocidentais por não apresentar uma solução clara para a deposição do atual Presidente sírio, Bashar al-Assad.
No sábado, a reunião de cerca de 20 instituições e países pretende estabelecer um quadro para a transição politica na Síria e conseguir um cessar-fogo entre Damasco e as várias forças que se opõem a Assad.
Um dos primeiros passos será começar a selecionar uma "delegação unida" da oposição síria que debaterá com o Governo sírio de Damasco uma transição política.
"Cada país poderá apresentar uma lista de nomes e será necessário depois reduzir o número a 20 ou 25 pessoas que serão distribuídas por duas comissões, uma sobre a reforma política e outra sobre a segurança. Elas trabalharão depois sob supervisão do emissário da ONU à Síria, Staffan de Mistura", explicou esta quarta-feira à Agência France Presse uma fonte ocidental em Beirute.
"Não será já no sábado que vai ficar tudo resolvido, vai levar tempo até todos estarem a tocar sob o mesmo diapasão", acrescentou a mesma fonte, sob anonimato.

Processo moroso e contestado
O enviado da ONU, De Mistura, havia proposto em finais de julho a formação de quatro comissões de reflexão temáticas inter-sírias, mas a ideia foi entretanto substituída pelas duas comissões, pois estas terão verdadeiro poder negocial, ao contrário das comissões que só iriam procurar soluções.
Já esta quinta-feira à tarde, uma "comissão preparatória" irá começar a debruçar-se sobre as listas da oposição síria, sobre as linhas que definem organizações terroristas e sobre questões humanitárias, afirmou ainda um diplomata ocidental na capital libanesa.
Rússia e Irão discordam dos Estados Unidos e dos seus aliados europeus e árabes, na classificação dos grupos como terroristas e como oposição.
"Sexta-feira, passar-se-a a um nível superior e sábado reúnem-se uma vintena de ministros", afirmou a mesma fonte, referindo ser impossível "resolver num dia um conflito de cinco anos".
Rússia, Arábia Saudita e Egipto já apresentaram nomes. A lista russa, de 38 personalidades, inclui três ex-presidentes da coligação da oposição, Ahmad Jarba, Ahmad Moaz al-Khatib, Hadi al-Bahra além do presidente em exercício, Khaled al Khoja.
Os russos propõem ainda representantes da oposição do interior e até dois representantes da Irmandade Muçulmana, Mohammad Tayfour et Mohammad Habache, e opositores históricos como Michel Kilo.
A Arabia Saudita apresentou 20 nomes e o Egipto, 10. "vai ser necessário muito caminho para conseguir uma lista aceite por todos", afirmou o diplomata à AFP.
O método seguido para a formação das listas está a ser contestado por alguns sírios. "cada Estado quer enviar os seus representantes em nome da oposição síria para conseguir um acordo regional e internacional", afirmou Samir Nachar, membro da coligação da oposição síria.
"É lamentável que a escolha não represente o interesse dos sírios e este processo não vai levar à resolução da crise síria", acrescentou, citado pela AFP.
De Maiziére justificou o seu apelo à restrição do direito de reunião familiar invocando o fluxo de migrantes que tentam ficar na Alemanha invocando o desejo de ficar junto da família.
"Ninguém sabe quantas pessoas na Síria, ou nos Estados fronteiriços com a Síria. esperam que os seus pedidos de reunião familiar sejam aprovados", referiu de Maiziére, apelando a um debate sobre o assunto.
"Dizer que cada pessoa que chega da Síria pode fazer vir a sua família, mesmo se não estamos suficientemente certos de poder garantir os seus meios de subsistência, já não é possível, penso eu, devido ao elevado número de sírios que nos chegam", afirmou o ministro do Interior da Alemanha.
A questão divide a "grande coligação" de conservadores e sociais-democratas que sustenta o governo de Angela Merkel.
Faltam locais de acolhimento
Oficialmente a Alemanha esperava receber, em 2015, 800.000 refugiados, mas este número já é mais próximo do milhão de pessoas, já que, só nos 10 primeiros meses do ano, se registaram 760.000 entradas. Entre estas incluem-se cerca de 240.000 sírios.
Organismos oficiais alemães sondaram na última semana cerca de 300 comunas alemãs e concluíram que poderão faltar no final do ano cerca de 400.000 locais para acolher refugiados e migrantes.
Até agora a esmagadora maioria dos sírios obtém uma autorização de residência de três anos e a autorização de fazer vir a sua família. De Maiziére sugeriu inicialmente encurtar o período de autorização de permanência para um ano e abolir o direito de agrupamento familiar, mas a sugestão foi liminarmente rejeitada pelos sociais-democratas e o ministro recuou na proposta.
Em Malta, a União Europeia e 35 Estados africanos iniciaram ao fim da tarde desta quarta-feira uma cimeira sobre a crise migratória.
O bloco europeu deverá pressionar os africanos a tomarem medidas para conter o fluxo de refugiados e migrantes económicos mas está ainda longe de assumir uma resposta unida à crise.
Cimeira sobre a Síria
Este sábado, em Viena, um encontro internacional sobre a Síria deverá começar a debater soluções para a crise síria, mas um plano russo apresentado há duas semanas, não deverá centrar as atenções.
O plano inclui oito pontos e apela a um processo de reforma constitucional, de 18 meses, ao qual se seguiriam eleições, mas já foi rejeitado por países ocidentais por não apresentar uma solução clara para a deposição do atual Presidente sírio, Bashar al-Assad.
No sábado, a reunião de cerca de 20 instituições e países pretende estabelecer um quadro para a transição politica na Síria e conseguir um cessar-fogo entre Damasco e as várias forças que se opõem a Assad.
Um dos primeiros passos será começar a selecionar uma "delegação unida" da oposição síria que debaterá com o Governo sírio de Damasco uma transição política.
"Cada país poderá apresentar uma lista de nomes e será necessário depois reduzir o número a 20 ou 25 pessoas que serão distribuídas por duas comissões, uma sobre a reforma política e outra sobre a segurança. Elas trabalharão depois sob supervisão do emissário da ONU à Síria, Staffan de Mistura", explicou esta quarta-feira à Agência France Presse uma fonte ocidental em Beirute.
"Não será já no sábado que vai ficar tudo resolvido, vai levar tempo até todos estarem a tocar sob o mesmo diapasão", acrescentou a mesma fonte, sob anonimato.
Processo moroso e contestado
O enviado da ONU, De Mistura, havia proposto em finais de julho a formação de quatro comissões de reflexão temáticas inter-sírias, mas a ideia foi entretanto substituída pelas duas comissões, pois estas terão verdadeiro poder negocial, ao contrário das comissões que só iriam procurar soluções.
Já esta quinta-feira à tarde, uma "comissão preparatória" irá começar a debruçar-se sobre as listas da oposição síria, sobre as linhas que definem organizações terroristas e sobre questões humanitárias, afirmou ainda um diplomata ocidental na capital libanesa.
Rússia e Irão discordam dos Estados Unidos e dos seus aliados europeus e árabes, na classificação dos grupos como terroristas e como oposição.
"Sexta-feira, passar-se-a a um nível superior e sábado reúnem-se uma vintena de ministros", afirmou a mesma fonte, referindo ser impossível "resolver num dia um conflito de cinco anos".
Rússia, Arábia Saudita e Egipto já apresentaram nomes. A lista russa, de 38 personalidades, inclui três ex-presidentes da coligação da oposição, Ahmad Jarba, Ahmad Moaz al-Khatib, Hadi al-Bahra além do presidente em exercício, Khaled al Khoja.
Os russos propõem ainda representantes da oposição do interior e até dois representantes da Irmandade Muçulmana, Mohammad Tayfour et Mohammad Habache, e opositores históricos como Michel Kilo.
A Arabia Saudita apresentou 20 nomes e o Egipto, 10. "vai ser necessário muito caminho para conseguir uma lista aceite por todos", afirmou o diplomata à AFP.
O método seguido para a formação das listas está a ser contestado por alguns sírios. "cada Estado quer enviar os seus representantes em nome da oposição síria para conseguir um acordo regional e internacional", afirmou Samir Nachar, membro da coligação da oposição síria.
"É lamentável que a escolha não represente o interesse dos sírios e este processo não vai levar à resolução da crise síria", acrescentou, citado pela AFP.