Alemanha. Dois mortos em atentado falhado contra sinagoga

por RTP

Vários homens envergando uniformes camuflados e equipamentos de combate tentaram entrar numa sinagoga, durante as celebrações da páscoa judaica. A tentativa foi frustrada pela segurança da sinagoga e, na perseguição que se seguiu, duas pessoas fora mortas a tiro. A polícia anunciou entretanto a detenção de um suspeito.

A polícia não precisou, por enquanto, se o atentado será atribuível a integristas islâmicos ou a neo-nazis. Em Halle, a principal cidade da Saxónia-Anhalt, onde o atentado teve lugar, o presidente da Câmara, Bernd Wiegand, começou por falar num acto tresloucado, mas rapidamente essa versão se achou desmentida pelos fortes indícios de que estiveram envolvidos vários homens armados e organizados, e também pela anunciada decisão da Procuradoria-Geral, no sentido de chamar a si a investigação.

Segundo círculos policiais citados pelo diário Der Tagesspiegel, a investigação dá como provável a origem neo-nazi do atentado. Os círculos governamentais que até agora se pronunciaram são menos categóricos: um porta-voz do ministro do Interior, o social-cristão Horst Seehofer, afirmou que ainda não se conhece a autoria do atentado. No mesmo sentido, o porta-voz da chanceler Angela Merkel manifestou apenas a expectativa de que o ou os criminosos sejam rapidamente detidos e expressou as suas condolências a amigos e familiares das duas vítimas.

Vários meios de comunicação davam conta, por outro lado, de notícias sobre um tiroteio também na localidade de Landsberg, nas imediações de Halle. A população estava a ser aconselhada a permanecer em casa ou nos locais de trabalho onde se encontre, sempre atenta às comunicações pela rádio e pela televisão, e referia-se a existência de facto de um estado de excepção, tendo os bombeiros e os serviços de emergência médica sido colocados de prevenção.

Segundo as descrições de testemunhas, tudo terá começado com uma explosão ouvida no cemitério judeu, depois tiros de espingarda disparados por um dos criminosos, e depois ainda tiros de metralhadora que terão abatido uma mulher. Segundo testemunhos citados no Tagesspiegel, a mulher mortalmente atingida seria uma agente da polícia, que envergava protecção antibalas e capacete. O autor dos disparos terá finalmente fugido num Volkswagen Golf.

Depois deste tiroteio, o grupo terrorista terá tentado entrar na sinagoga, onde se encontravam, segundo o presidente da comunidade judaica local, Max Privorotzki, em declarações a Der Spiegel, umas 70 a 80 pessoas. O número elevado de presenças explica-se pelas celebrações em curso da páscoa judaica. A segurança da sinagoga conseguiu impedir a entrada dos homens armados.

Segundo fontes policiais igualmente citadas por Der Spiegel, a tentativa de atentado foi levada acabo por vários indivíduos armados, que depois fugiram num automóvel. Os autores do atentado, diz aquela publicação, foram pelo menos dois. As duas vítimas, respectivamente um homem e uma mulher, terão caído junto de um quiosque e junto do cemitério.
Operação policial contra o terrorismo da extrema-direita
O atentado surge escassas horas depois de uma série de operações de busca levadas a cabo pela polícia contra a extrema-direita em diversas regiões da Alemanha (Baviera, Baden-Württemberg, Turíngia e, precisamente,também a Saxónia-Anhalt).

Segundo a polícia judiciária da região da Baviera, igualmente citada em Der Tagesspiegel, o ponto de partida da operação foi uma série de cartas com ameaças de morte enviadas a jornais, mesquitas, sedes partidárias e outras instituições. As cartas estavam assinadas por organizações neo-nazis: „Volksfront“, „Combat 18“ ou „Blut und Ehre“. Tem-se discutido a proibição dessas organizações, mas sem realmente tomar uma decisão a tal respeito.

As buscas envolveram 120 agentes da polícia.