Alterações climáticas. Aquecimento global registado na Europa é o dobro da média mundial

por Andreia Martins - RTP
Seca severa atinge o lago de Broc, perto de Nice. Eric Gaillard - Reuters

De acordo com o relatório divulgado esta quarta-feira pela Organização Meteorológica Mundial, o aumento das temperaturas na Europa está a ocorrer a um ritmo ainda mais acelerado do que no resto do mundo. Nos últimos 30 anos, o ritmo de subida das temperaturas foi de mais do dobro nesta região do globo.

O relatório sobre O Estado do Clima na Europada Organização Meteorológica Mundial (OMM) foi realizado em conjunto com o Copernicus, o programa de observação da Terra da União Europeia.

Todos os anos, estas entidades reúnem informações sobre o aumento das temperaturas, ondas de calor terrestres e marinhas, fenómenos climáticos extremos, mudanças nos padrões de precipitação e recuo do gelo e neve.

Entre 1991 e 2021, as temperaturas na Europa aumentaram a uma taxa média de cerca de 0,5ºC por década.
Os glaciares na zona dos Alpes “perderam 30 metros de espessura” entre 1997 e 2021, salienta a agência da ONU em comunicado. Houve também alterações significativas na camada de gelo da Gronelândia, o que contribuiu para “acelerar o aumento do nível do mar”. No verão de 2021, ocorreu nesta região “a primeira chuva registada no seu ponto mais alto, a estação Summit”.

Segundo as conclusões dos peritos, o Velho Continente está mais exposto às alterações climáticas do que outras regiões do globo. Mais de meio milhão de europeus foram afetados em 2021 por fenómenos climáticos extremos, das quais cerca de 84 por cento foram eventos como inundações ou tempestades. Houve ainda danos materiais e prejuízos económicos no valor de mais de 50 mil milhões de dólares.

A Europa é a imagem viva de um mundo em aquecimento e lembra-nos que mesmo as sociedades bem preparadas não estão a salvo dos impactos provocados por eventos climáticos extremos. Este ano, como em 2021, grandes zonas da Europa foram afetadas por extensas ondas de calor e seca, o que avolumou os incêndios florestais. Em 2021, inundações extraordinárias causaram mortes e devastação”, salientou o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas.

A OMM destaca também as várias oscilações pouco comuns entre temperaturas quentes e frias em momentos inesperados do ano de 2021, com subidas de temperatura em março e descidas abruptas em abril. A situação atípica resultou em grandes danos agrícolas sobretudo para os países do sul, nomeadamente em videiras e árvores de fruto.

Apesar do cenário negativo traçado por este relatório, há algumas boas notícias.
A OMM destaca que vários países europeus já estão a reduzir de forma significativa as emissões de gases de efeito de estufa, com uma diminuição de 31 por cento entre 1990 e 2020.

“O bom ritmo na redução das emissões de gases de efeito de estufa na região deve continuar e a ambição deve ser aumentada. A Europa pode desempenhar um papel fundamental para alcançar uma sociedade neutra em carbono até meados do século e cumprir o Acordo de Paris”, considerou Petteri Taalas.

A sociedade europeia é vulnerável à variabilidade e mudança climática, mas a Europa também está na vanguarda do esforço internacional para mitigar as mudanças climáticas e desenvolver soluções inovadoras para se adaptar ao novo clima como qual os europeus terão de conviver”, acrescentou Carlo Buontempo, diretor do serviço Copernicus (ECMWF).

O estudo é divulgado poucos dias antes da COP27, a conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. Entre os próximos dias 6 e 18 de novembro, praticamente todos os países do mundo vão reunir-se em Sharm el-Sheikh para debater a luta contra o aquecimento global e a melhor forma de combater as alterações climáticas.
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