Ameaça de protestos armados coloca os EUA em alerta máximo para a tomada de posse de Biden

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Justin Lane - EPA

A três dias da tomada de posse do presidente eleito Joe Biden, os 50 Estados norte-americanos estão em alerta máximo para possíveis protestos armados previstos a partir deste domingo. Em todas as capitais de Estado foram implementadas medidas de segurança rigorosas e milhares de soldados da Guarda Nacional estão destacados para Washington de forma a garantir que motins como os que sucederam a 6 de janeiro não se voltam a repetir.

Na semana passada, o FBI alertou que a investidura do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, poderá ser antecedida de protestos armados. Num memorando, o FBI anunciou que existem relatos de manifestantes pró-Trump armados que estão a planear reunir-se no Capitólio e em todas as capitais estaduais e em Washington DC a partir deste domingo. Pistas nas redes sociais apontavam para a possibilidade de um segundo assalto ao Congresso, bem como a outros edifícios estatais das capitais.

Perante esta ameaça, todos os 50 Estados norte-americanos estão em alerta máximo. Milhares de soldados da Guarda Nacional foram enviados para Washington para evitar falhas de segurança como aquelas que levaram ao caos do dia 6 de janeiro, quando milhares de apoiantes de Donald Trump invadiram o Capitólio onde congressistas estavam a validar o resultado das eleições presidenciais. Pelo menos cinco pessoas morreram nestes protestos e já foram detidos dezenas de manifestantes que participaram no assalto ao edifício.

Na sexta-feira, o Pentágono anunciou ter autorizado a deslocação de mais de 25 mil militares para as ruas de Washington, para a proteção de várias zonas, principalmente do National Mall, onde se reúnem os pontos mais importantes da política norte-americana, incluindo a Casa Branca, o Capitólio e outros monumentos emblemáticos.

Washington está em estado de emergência até ao dia seguinte à tomada de posse. As ruas da capital norte-americana estão desertas. Muitas delas, a quilómetros do Capitólio, foram bloqueadas com barreiras e cercas de metal. O Capitólio está cercado com uma vedação “não escalável” de mais de dois metros e o National Mall, que costuma ficar lotado com milhares de pessoas no dia da tomada de posse, foi vedado e estará encerrado ao público, assim como outros pontos de referência.

Nos restantes Estados estão também a ser tomadas medidas de precaução. Os especialistas alertam que as capitais dos Estados onde os resultados das eleições presidenciais foram mais renhidos, como Wisconsin, Michigan, Pensilvânia e Michigan, correm um maior risco de violência. Mas mesmo naqueles onde não existem indicações especificas de possíveis manifestações estão a ser tomadas medidas adicionais de segurança.

Vários governadores declararam estado de emergência e outros, como o Estado do Texas, fecharam as suas capitais ao público até dia 21, após a tomada de posse de Joe Biden e da sua vice-presidente Kamala Harris.

Estados como a Califórnia, Pensilvânia, Michigan, Virgínia e Wisconsin convocaram a Guarda Nacional para ajudar a proteger as suas capitais estaduais e reforçar as forças policiais locais.

Em Michigan foi erguida uma vedação com cerca de dois metros em torno do Capitólio, na cidade de Lansing. “Estamos preparados para o pior, mas continuamos esperançosos de que aqueles que escolherem manifestar-se na nossa capital o façam pacificamente”, disse o diretor da polícia daquele Estado, Joe Gasper.
Homem armado detido em Washington
A polícia do Capitólio deteve na sexta-feira um homem que tentou entrar no perímetro cercado do centro de Washington com uma acreditação falsa, pelo menos uma arma e mais de 500 balas. A detenção soou todos os alarmes.

O homem, identificado como Wesley Allen Beeler, dirigia uma carrinha com vários autocolantes referentes a armas de fogo, incluindo um em que se lia: “Se eles vierem buscar as suas armas, dê-lhes as balas primeiro”, segundo The Guardian.

De acordo com a CNN, a detenção ocorreu às 18h30 locais de sexta-feira (23h30 em Lisboa), quando o homem se aproximou de um dos pontos de controlo policial perto do Capitólio, um dos muitos criados ao longo do perímetro se segurança que impede a entrada no centro da capital dos Estados Unidos.

O homem, residente em Front Royal, no estado da Virginia, apresentou aos polícias uma acreditação falsa para aceder ao perímetro de segurança.

Quando os agentes lhe perguntaram se levava armas, o homem respondeu que tinha uma pistola semiautomática Glock, que estava carregada com 17 balas.

Depois da detenção, a polícia apreendeu a arma, mais 509 balas, 21 cartuchos de espingarda e um carregador para a pistola, de acordo com um relatório policial a que a CNN teve acesso.

Em resposta a esta notícia, Don Beyer, membro democrata da Câmara dos Representantes, disse que o perigo era real e que a cidade estava em ansiedade com a aproximação da investidura do presidente eleito Joe Biden.

“Quem puder evitar a área à volta do Capitólio e do National Mall esta semana deve fazê-lo”, apelou Beyer no Twitter.

A cerimónia da tomada de posse de Joe Biden e de Kamala Harris continua marcada para o próximo dia 20, no Capitólio, apesar dos recentes acontecimentos. No entanto, vários aspetos da cerimónia tiveram de ser adaptados, desde logo as questões de segurança.

Biden teve de desistir da ideia de chegar a Washington nesse dia de comboio a partir de Wilmington, no Estado de Delaware. A lista de convidados foi também drasticamente reduzida, passando a estar apenas mil pessoas presentes. Sabe-se que Donald Trump não será uma das pessoas presentes, sendo o primeiro presidente em 150 anos que não comparecerá à tomada de posse do seu sucessor.

c/agências
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