Amnistia apela ao fim de "qualquer apoio militar" português aos EUA contra Irão

Amnistia apela ao fim de "qualquer apoio militar" português aos EUA contra Irão

A Amnistia Internacional considera urgente que Portugal cesse "qualquer apoio militar aos Estados Unidos" que permita "crimes ao abrigo do Direito Internacional".

Inês Moreira Santos - RTP /
José António Rodrigues via AFP

Nenhum Estado deve “ajudar ou prestar assistência em violações do Direito Internacional”. É a mensagem que a Amnistia Internacional dirigiu às autoridades portuguesas, em comunicado, lembrando que “têm a obrigação de assegurar o respeito pelo Direito Internacional Humanitário”. 

“Portugal tem de terminar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos da América que permita crimes ao abrigo do direito internacional”, escreve a organização. 

Apesar dos “acordos bilaterais ou multilaterais” celebrados entre os Estados Unidos e alguns países, como Portugal, “para acolher ou apoiar atividades militares norte-americanas, tais acordos não isentam os Estados terceiros da responsabilidade por quaisquer operações ilegais, nos termos do direito internacional, realizadas a partir do seu território”. 

Nesse sentido, a Amnistia Internacional apelou com urgência “a todas as partes para que ponham fim a ataques ilegais”.

“Durante a rápida expansão das hostilidades regionais no Médio Oriente, na sequência dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da subsequente vaga de ataques retaliatórios iranianos em toda a região, a Amnistia Internacional emitiu um apelo urgente a todas as partes para que protejam os civis, respeitem o direito internacional humanitário e, em particular, ponham fim a ataques ilegais, como ataques deliberados, indiscriminados ou desproporcionados contra civis e infraestruturas civis”. Violação do Direito Internacional 
A organização denuncia ainda que as investigações “apontam para possíveis violações do Direito Internacional Humanitário e possíveis crimes de guerra, incluindo por parte dos EUA — aliado de Portugal e beneficiário do seu apoio político e militar”.

Os ataques israelo-americanos a várias infraestruturas iranianas além de terem provocado “danos civis vastos”, representam também “um risco substancial de violação do Direito Internacional, e podem, em alguns casos, constituir crimes de guerra”. 

No mesmo comunicado, a Amnistia recorda que o presidente norte-americano ameaçou “cometer crimes dE, por isso, a organização reforça que “Portugal tem de assegurar o cumprimento das suas obrigações internacionais”.e guerra” e “destruir ‘toda uma civilização’, o que poderá constituir uma ameaça de cometer genocídio”.

“Este é um momento de extremo perigo para as populações civis no Irão e em toda a região”, lê-se na nota. “Portugal tem de cessar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos que possa tornar possíveis quaisquer violações do direito internacional, incluindo crimes de guerra, garantir o cumprimento das suas obrigações de não prestar auxílio ou assistência a tais atos, e assegurar o respeito pelo direito internacional humanitário”.

Ao permitir “reiteradamente a utilização da Base das Lajes para qualquer operação militar” norte-americana, a Amnistia considera que “Portugal pode estar a violar os seus compromissos internacionais, (...) sem que o Governo português consiga assegurar que não foram cometidos crimes com o uso das aeronaves e do material que passou pela ilha Terceira, nos Açores”. 
Apelos ao Governo 
Considerando a aliança entre Portugal e os Estados Unidos, a Amnistia defende que o Governo português tem a “responsabilidade e o dever moral de assegurar que não contribui para violações do direito internacional” no conflito no Médio Oriente”. “Portugal pode e deve ser uma voz corajosa e firme no garante de um sistema internacional baseado em regras, e no Direito Internacional e dos Direitos Humanos”.

Nesse sentido, apela ao Executivo de Luís Montenegro que, entre outras medidas, “recuse a disponibilização da Bases das Lajes e do espaço aéreo nacional” para operações militares dos EUA no Irão e suspenda as “transferências de armas para qualquer parte envolvida no conflito”.

Com este comunicado, a Amnistia Internacional - Portugal aproveitou para lançar ainda uma petição com idêntico objetivo, dirigida ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.
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