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"Alvo prioritário" de potenciais atentados. Suécia eleva nível de alerta terrorista

"Alvo prioritário" de potenciais atentados. Suécia eleva nível de alerta terrorista

A Suécia elevou o nível de alerta para terrorismo do nível três para quatro, numa escala de cinco, anunciou esta quinta-feira o Serviço de Segurança Sueco (Säpo), após fortes reações no estrangeiro à profanação de cópias do Corão no país nórdico. Estocolmo considera que a ameaça de atentados vai "persistir durante muito tempo".

Cristina Sambado - RTP /
Henrik Montgomery - TT News Agency via Reuters

"Decidi elevar o nível de ameaça terrorista de elevado para crítico", ou seja, para quatro numa escala de cinco, revelou a diretora do Serviço de Segurança Sueco (Säpo), Charlotte von Essen, em conferência de imprensa, sublinhando que o país é atualmente um "alvo prioritário" de potenciais atentados.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, acrescentou que “ataques terroristas planeados já foram evitados”.


Charlotte von Essen recorda que “ao longo do ano a ameaça contra a Suécia aumentou progressivamente”, sublinhando que a decisão “não estava ligada a nenhum acontecimento específico”.

“Constatamos que a situação em relação a um ataque contra a Suécia piorou e que esta ameaça vai persistir por muito tempo”, frisou a responsável do Säpo.

Os serviços secretos aconselham a população a “continuar a viver como habitualmente” e a ter cuidados especiais com a desinformação e rumores.


A decisão não se concentra num facto "único", sublinhou Von Essen, mas numa estimativa "estratégica e de longo prazo", na qual a Suécia passou de alvo "legítimo" a "prioritário" para o terrorismo.

É a primeira vez em sete anos que o nível de alerta foi elevado para quatro durante alguns meses. A última vez que a Suécia tinha elevado o nível de alerta tinha sido entre 18 de novembro de 2015 e 2 de março de 2016. Na altura, a decisão foi tomada, entre outros motivos, porque o Estado Islâmico fazia regularmente ameaças terroristas contra o continente europeu.

O alerta foi também elevado decido ao agravamento da segurança relacionado à guerra na Ucrânia e à ameaça da extrema-direita, referiu também o Serviço de Segurança Sueco. "País hostil aos muçulmanos"
Nos últimos meses, a situação de segurança no país nórdico, habitualmente pacato, deteriorou-se fortemente na sequência da profanação do Corão no seu território.

No final de julho, dois homens incendiaram um exemplar do Corão em frente ao Parlamento, em Estocolmo, repetindo um gesto feito um mês antes em frente à maior mesquita da capital sueca.
Ações que causaram grande tensão no mundo muçulmano, com a embaixada sueca em Bagdade a ser incendiada e os funcionários temporariamente repatriados para Estocolmo.

Os incidentes "contribuíram para a imagem da Suécia como um país hostil aos muçulmanos", afirmou Ahn-Za Hagström, diretor do Centro Nacional de Avaliação da Ameaça Terrorista, na conferência de imprensa desta quinta-feira.


"Na nossa estimativa para 2023, descobrimos que as ofensas contra o Islão podem influenciar a ameaça terrorista", acrescentou Ahn-Za Hagström. A Dinamarca e a Suécia reforçaram os controlos de fronteira este mês por considerarem que há uma ameaça terrorista crescente.

Na semana passada, foi lançado um cocktail Molotov contra a embaixada sueca em Beirute, mas o projétil não explodiu. E no fim de semana, o grupo terrorista Al Qaeda apelou a ataques terroristas no país escandinavo.

Vários Governos de países de maioria muçulmana alertaram que permitir estes atos de profanação podem ter consequências nas relações diplomáticas.

Tanto o Governo da Suécia como o da Dinamarca, onde também houve recentemente a profanação e queima do livro sagrado muçulmano, anunciaram há semanas que estudam a possibilidade de limitar estes atos ou proibir que sejam realizados diante de embaixadas estrangeiras, proposta que recebeu críticas da oposição política em ambos os países.

Alguns países atualizaram também as suas recomendações para os viajantes que pretendem visitar a Suécia.

No domingo, o serviço diplomático britânico declarou que os atentados terroristas eram agora "muito prováveis", referindo que as autoridades suecas já tinham "conseguido impedir uma série de atentados planeados e efetuado várias detenções", afirmações que não foram confirmadas pela parte sueca.

Os Estados Unidos tinham igualmente aconselhado, a 26 de julho, os viajantes a terem "precaução acrescida" na Suécia devido ao risco de "terrorismo".

As autoridades suecas estão a estudar formas de limitar a organização de manifestações que envolvam a queima do Corão, no respeito pela liberdade de expressão. Mas a maioria parlamentar parece agora hostil a essa mudança.

A imagem da Suécia como sendo hostil aos muçulmanos não é nova: no início de 2022, as autoridades suecas, foram acusadas de "raptar" sistematicamente crianças muçulmanas das suas famílias, o que acabou por se tornar numa vasta campanha de desinformação online.


As alegações, que rapidamente se tornaram virais, afirmavam que o país nórdico raptava crianças muçulmanas e as entregava a famílias cristãs, onde eram obrigadas a beber álcool e a comer carne de porco.

Quando questionado pela AFP, em fevereiro de 2022, o ministro da Imigração desmentiu o facto, apontando o dedo a "forças malévolas que querem explorar a frustração (...) e semear a desconfiança e a divisão na sociedade sueca".

Essas mesmas "forças" voltaram a ser mencionadas esta quinta-feira.

"Sabemos que os grupos extremistas e as potências estrangeiras gostam de utilizar o tipo de situação em que a Suécia se encontra atualmente", observou Susanna Trehörning, diretora-adjunta do departamento de contraterrorismo da Säpo.

c/ agências
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