Após veto a resolução. China acusa EUA de prolongarem "o massacre" na Faixa de Gaza

por Cristina Santos - RTP
As Nações Unidas contabilizam quase um milhão e meio de pessoas na cidade palestiniana de Rafah. Reuters

As autoridades chinesas criticaram, nas últimas horas, Washington após o que consideram ser o sinal errado do veto norte-americano ao projeto de resolução a exigir um cessar-fogo humanitário imediato na Faixa de Gaza. Pequim acusa os Estados Unidos de terem dado "luz verde a que o massacre continue".

Principal apoiante de Israel, Washington acredita que a resolução teria posto em causa as negociações diplomáticas para conseguir uma trégua, incluindo a libertação de reféns.

Em resposta ao veto, o embaixador da China na ONU, Zhang Jun, afirma que o argumento de que a proposta interferiria nas negociações diplomáticas em curso é “totalmente insustentável”.

“As repercussões do conflito estão a desestabilizar toda a região do Médio Oriente, levando a um risco crescente de uma guerra mais ampla”, acrescenta Zhang Jun.

Quanto à Argélia, que apresentou o texto a propor o cessar-fogo imediato, o embaixador argelino na ONU sublinha que “infelizmente o Conselho de Segurança falhou mais uma vez”. O diplomata afirma que os elementos do Conselho de Segurança têm que “fazer um exame de consciência” e pensar em “como a história os vai julgar”.A resolução da Argélia foi apoiada por 13 dos 15 elementos do Conselho de Segurança da ONU. Os Estados unidos vetaram e o Reino Unido absteve-se também com o argumento de que um apelo ao cessar-fogo agora poderia “pôr em causa as negociações que decorrem”.
 
No entanto, nem todos os aliados dos EUA apoiam o veto de Washington. O embaixador francês na ONU lamenta que a resolução não tenha sido adotada "dada a situação desastrosa no terreno".

A Faixa de Gaza permanece mergulhada numa situação humanitária catastrófica, na sequência dos ataques israelitas. As Nações Unidas somam quase um milhão e meio de pessoas na cidade de Rafah, localizada no sul do território palestiniano, junto à fronteira com o Egito.

Este é o terceiro veto norte-americano desde o início da guerra entre Israel e o Hamas. Um veto “irresponsável e perigoso” e que envia a mensagem de que Israel pode “continuar a fazer qualquer coisa impunemente”, criticou o embaixador palestiniano.

A proposta da Argélia, vetada na terça-feira, não vinculava o pedido de cessar-fogo à libertação dos reféns, mas exigia separadamente a sua libertação imediata e incondicional.

Após o veto, a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas defendeu que a aprovação desta resolução seria "uma ilusão e uma irresponsabilidade".

De acordo com a Reuters, os Estados Unidos estão a preparar um projeto de resolução alternativo que apela a um "cessar-fogo temporário" e se opõe a uma grande ofensiva terrestre por parte de Israel em Rafah. A proposta norte-americana, a que a agência teve acesso, defende o "apoio a um cessar-fogo temporário em Gaza o mais rapidamente possível, com base na fórmula de libertação de todos os reféns", e apela a que seja permitido prestar “assistência humanitária em grande escala".

Israel começou a atacar Gaza depois do ataque do Hamas no sul de Israel, a 7 de outubro, durante o qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e mais de 240 feitas reféns.

A campanha militar israelita provocou já mais de 29 mil mortos em Gaza, de acordo com um balanço feito pelo Ministério da Saúde do território palestiniano, gerido pelo Hamas.
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