Arábia Saudita. Membros da família real terão tentado afastar o trono do príncipe

A detenção de dois membros da família real saudita, na passada semana, ter-se-á devido a discussões entre ambos sobre um plano para bloquear o acesso do príncipe Mohammed bin Salman ao trono no caso de o seu pai, o rei Salman bin Abdulaziz, morrer ou ficar incapacitado.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Reuters

De acordo com o Guardian, dois dos homens detidos foram o príncipe Ahmed bin Abdul Aziz, irmão mais novo do rei saudita, e Mohammed bin Nayef, sobrinho do rei. As detenções ocorreram na sexta-feira, depois de alegadas conversas entre os dois membros da família terem sido transmitidas à realeza.

Terá sido o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, a ordenar a detenção dos dois homens por acreditar que estes estavam a conspirar nas costas do Conselho de Fidelidade, órgão criado em 2007 para garantir uma transição suave no trono saudita.

Esse mesmo Conselho foi fundamental para, em 2017, assegurar bin Salman como príncipe herdeiro e líder de facto do país, depois de ter conquistado 31 dos 34 votos. O irmão mais novo do rei, agora detido, ficou na altura excluído da linha de sucessão.

Desde então, o príncipe Ahmed bin Abdul Aziz ter-se-á tornado um opositor do príncipe herdeiro e, ao alegadamente orquestrar o bloqueio de bin Salman ao trono, o irmão do rei poderá agora enfrentar acusações de traição.

O Guardian avança ainda que os dois homens detidos são acusados de tentar estabelecer o príncipe Ahmed como diretor do Conselho de Fidelidade, posição que atualmente se encontra vaga. Se tal acontecesse, este tio do príncipe herdeiro passaria a ter grande influência sobre a nomeação de novos líderes sauditas, o que poderia ser negativo para bin Salman.
Homens detidos já foram libertados
As alegadas discussões entre os dois membros da família real originaram especulação em Riade sobre o estado de saúde do atual rei saudita. No entanto, o líder da coroa deverá reunir-se com diplomatas no domingo, algo que terá acalmado os rumores.

Na sexta-feira, para além dos dois membros da coroa, foram também detidos o ministro saudita do Interior, dois outros príncipes e um membro não identificado da realeza. Todos, à exceção deste último, foram libertados no domingo, depois de serem interrogados.

O príncipe Mohammed bin Salman, líder de facto da Arábia Saudita, é conhecido por alegadamente eliminar os seus rivais, algo que levanta críticas a nível mundial. Por outro lado, há quem o louve pela introdução de reformas culturais que têm proporcionado às mulheres sauditas uma maior participação na sociedade.

Um dos casos mais controversos nos quais viu o seu nome envolvido foi o do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, que em outubro de 2018 entrou no consulado saudita em Istambul e nunca mais foi visto.

Khashoggi era um forte opositor da família real saudita, e esse país confessou que o jornalista morreu no edifício do consulado depois de as negociações para que regressasse ao país terem falhado. A Turquia acredita que foi estrangulado e desmembrado, apesar de nunca terem sido encontrados vestígios do corpo.
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