Arábia Saudita vende prédio onde Jamal Khashoggi foi assassinado

por RTP
Porta de entrada do antigo Consulado da Arábia Saudita, em Istambul Reuters - Murad Sezer

A Arábia Saudita vendeu o edifício onde foi morto e desmembrado o jornalista Jamal Khashoggi, no ano passado. O prédio do Consulado, em Istambul, foi comprado há mais de um mês por menos de um terço do seu valor.

A Arábia Saudita vendeu o prédio do Consulado Geral, no distrito de Levent, em Istambul, em agosto. A missão diplomática será transferida para um novo prédio, no distrito de Sariyer", revelou uma fonte anónima, avançou o Al Jazeera.

De acordo com a fonte da emissora turca Habeturk TV, o edifício onde o jornalista saudita foi assassinado acabou por ser vendido a um comprador desconhecido por um terço do seu valor.

Supostamente as autoridades sauditas precisavam da aprovação do Ministério das Relações Exteriores da Turquia antes de prosseguir com a venda da propriedade. Contudo, um dos funcionários do Ministério adiantou ao Middle East Eye que a Turquia não tinha informações para confirmar o negócio.

O colunista do Washington Post e crítico das políticas de Riade desapareceu misteriosamente, em outubro do ano passado, depois de entrar no Consulado saudita, em Istambul.

A capital da Arábia Saudita negou inicialmente qualquer conhecimento sobre o paradeiro do jornalista, mas acabou por admitir que Jamal Khashoggi foi morto e desmembrado dentro das instalações.

Algumas fontes asseguraram ainda que os restos mortais, nunca encontrados, foram dissolvidos em ácido, num jardim, a 300 metros do Consulado.

As autoridades sauditas chegaram a acusar funcionários dos seus próprios serviços de segurança pelo assassinato do jornalista. No entanto, sempre recusaram a realização de um julgamento com cobertura da imprensa e, sobretudo, desmentiram qualquer envolvimento por parte da família real no planeamento, execução e encobrimento do assassínio.

Por outro lado, o relatório internacional das Nações Unidas, publicado em junho deste ano, culpa a Arábia Saudita pelo assassinato de Jamal Khashoggi e envolve claramente o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman como mandante do assassínio.

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