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Ataques com mísseis simulados. Cerco chinês a Taiwan serviu para "testar tomada de poder"

por Cristina Sambado - RTP
Ministério da Defesa de Taiwan- via Reuters

A China realizou ataques com mísseis simulados, esta sexta-feira, nos seus exercícios de dois dias em Taiwan, avançou a televisão estatal CCTV. Pequim afirma que as manobras militares em curso têm como objetivo testar a capacidade para, eventualmente, "tomar o poder" na ilha.

Os bombardeiros montaram várias formações de ataque nas águas a leste de Taiwan, realizando ataques simulados em coordenação com navios de guerra, acrescentou a CCTV, enquanto a China testava a sua capacidade de "tomar o poder" e controlar áreas-chave de Taiwan.Os exercícios de dois dias, que começaram na manhã de quinta-feira, visam testar a "capacidade de tomar o poder e realizar ataques conjuntos, bem como controlar territórios chave", disse o porta-voz do teatro de operações oriental do Exército chinês, Li Xi.

As manobras, que envolvem unidades militares chinesas da Força Aérea, da força de mísseis, da Marinha, do Exército e da Guarda Costeira, foram anunciadas subitamente na manhã de quinta-feira, com mapas que mostram cinco áreas-alvo aproximadas no mar que rodeia a ilha principal de Taiwan. Outras áreas também visavam as ilhas offshore de Taiwan, que estão próximas do continente chinês.

Os dois dias de exercícios, que também incluíram o bombardeamento simulado de navios estrangeiros, começaram três dias depois de Lai ter tomado posse na segunda-feira. Taipé condenou as ações de Pequim.

O Ministério chinês da Defesa afirmou que os exercícios serviram para testar a capacidade das suas forças armadas para "tomar o poder" e ocupar áreas-chave, de acordo com o objetivo final de Pequim de anexar Taiwan.

O Governo e o povo de Taiwan rejeitam a perspetiva de um domínio chinês, mas o Governo de Xi Jinping não excluiu o uso da força para conquistar a ilha. Os serviços secretos ocidentais afirmam que o presidente chinês disse ao Exército Popular de Libertação para ser capaz de efetuar uma invasão até 2027.

Esta sexta-feira, a Guarda Costeira chinesa afirmou ter efetuado "exercícios de aplicação da lei" ao largo da costa oriental de Taiwan.


A Reuters, que cita um responsável pela segurança de Taiwan, afirma que os exercícios incluíram "inspeções simuladas" a embarcações civis. O mesmo funcionário disse que o Exército de Libertação da China (ELP) também efetuou ataques simulados a navios estrangeiros perto do extremo leste do Canal Bashi, que separa Taiwan das Filipinas, e que cerca de 24 aviões de guerra se aproximaram "perto" de Taiwan, mas nenhum entrou na zona contígua, que se estende por 24 milhas náuticas ao largo.

Na quinta-feira, o exército Chinês revelou que as manobras estão a decorrer "no Estreito de Taiwan, a norte, sul e leste da ilha de Taiwan, bem como nas zonas em torno das ilhas de Kinmen, Matsu, Wuqiu e Dongyin", que se situam na proximidade imediata da costa oriental chinesa.
A primeira cadeia de ilhas refere-se à área que se estende do Japão a Taiwan, às Filipinas e ao Bornéu, cercando os mares costeiros da China.
Pelo menos três navios da Guarda Costeira chinesa também foram vistos ao largo do sudoeste de Taiwan, segundo os rastreadores de navios online.

A CCTV avança que, o navio chinês Nantong efetuou patrulhas de prontidão de combate e missões de exercícios práticos no Estreito de Taiwan, com o navio taiwanês Zheng He a seguir 0,6 milhas náuticas atrás.
Esta sexta-feira, o ELP mostrou um vídeo animado na sua conta da rede social WeChat de mísseis a serem lançados contra Taiwan a partir do solo, do ar e do mar, que depois atingiram as cidades de Taipei, Kaohsiung e Hualien em bolas de fogo. A CCTV revelou mais tarde que a China encenou ataques simulados com mísseis contra Taiwan, usando dezenas de mísseis.
Na tarde de quinta-feira, o ELP revelou que jatos de combate carregando mísseis reais realizaram com sucesso "ataques simulados" em alvos militares de Taiwan
, mas até agora os exercícios são menores em escala do que os realizados em 2022 e 2023. Pequim não declarou nenhuma zona de exclusão aérea e não foi utilizado fogo real, exceto em áreas de treino no continente chinês, segundo Taiwan.

O Ministério chinês da Defesa revelou ainda que foram enviados 19 navios de guerra ao redor do perímetro de Taiwan, 16 navios da polícia marítima e 49 aviões de guerra, dos quais 35 cruzaram a linha mediana, a fronteira de facto entre a China e Taiwan.
Lai Ching-te confiante nas forças armadas de Taiwan
Em reação às manobras militares chinesas, Taiwan enviou jatos, colocou as suas forças em alerta e deslocou sistemas de mísseis anti-navio para as zonas costeiras.

A partir de uma base militar em Taoyuan, na quinta-feira, o novo presidente de Taiwan, Lai Ching-te, disse ter confiança nas forças armadas para proteger a ilha. Lai tomou posse como presidente de Taiwan na segunda-feira, depois de ter ganho as eleições democráticas de janeiro. Lai e a sua antecessora, Tsai Ing-wen, pertencem ao Partido Democrático Progressista (DPP), pró-soberania, que Pequim considera separatista.
O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan disse na quinta-feira que enviou "forças marítimas, aéreas e terrestres em resposta (...) para defender a liberdade, a democracia e a soberania" da ilha e garantiu que "todos os oficiais e soldados do exército nacional estão preparados para a guerra".
Esta sexta-feira, o Ministério da Defesa de Taiwan publicou imagens de F-16, armados com mísseis reais, a patrulhar os céus, e imagens de navios da guarda costeira chinesa, que estão a participar nos exercícios, e de corvetas chinesas da classe Jiangdao, embora não tenha dito exatamente onde as imagens foram tiradas.

Segundo o Ministério, foram detetados 49 aviões militares chineses, 19 da marinha e sete navios da guarda costeira. Dos aviões, 28 atravessaram a linha mediana do estreito, que em tempos serviu de barreira não oficial, embora a China diga que não a reconhece.

O avião chinês que mais se aproximou da costa de Taiwan foi a 40 milhas náuticas (74 quilómetros) da cidade de Keelung, no norte do país, e base da marinha, segundo um mapa fornecido pelo Ministério.

Um oficial de relações públicas da 7ª Frota da Marinha dos Estados Unidos disse que o país está atento a "todas as atividades" no Indo-Pacífico e leva "muito a sério" a responsabilidade de impedir a agressão na região.

Taiwan e os Estados Unidos não têm uma relação diplomática oficial, uma vez que Washington reconhece formalmente Pequim, mas é obrigado por lei a fornecer a Taiwan os meios para se defender e é o mais importante apoiante internacional da ilha.

O território de 23 milhões de habitantes opera como uma entidade política soberana, com diplomacia e exército próprios, apesar de oficialmente não ser independente. Pequim considera a ilha uma província sua, que deve ser reunificada, pela força, caso seja necessário.

O Governo derrotado da República da China fugiu para Taiwan em 1949, depois de perder uma guerra civil para os comunistas de Mao Zedong, que fundaram a República Popular da China.

A República da China continua a ser o nome oficial de Taiwan, embora apenas 12 países a reconheçam diplomaticamente, na sua maioria pequenas nações em desenvolvimento, como Palau e Guatemala.

c/ agências
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