Ativista do movimento pró-democracia de Hong Kong aceita prisão por agredir polícias

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Um ativista dos protestos pró-democracia de 2014 em Hong Kong, que foi atacado por sete polícias condenados pela agressão, aceitou hoje a pena de cinco semanas de prisão por atacar as forças de segurança.

Ken Tsang, que trabalha na área da assistência social, renunciou à possibilidade de recorrer da decisão - de maio de 2016 - que o condena a cinco semanas de prisão por ter agredido a polícia e resistido à detenção durante as manifestações de finais de 2014 na antiga colónia britânica.

O ativista apresentou-se hoje diante de um tribunal de Hong Kong, à entrada do qual se concentraram duas dezenas de manifestantes para expressar o seu apoio com guarda-chuvas amarelos -- símbolo dos protestos pró-democracia -- e uma dezena de simpatizantes das forças de segurança da Região Administrativa Especial chinesa.

O caso de Tsang voltou à atualidade em 14 de fevereiro quando um juiz de Hong Kong condenou a dois anos de prisão os sete polícias que o agrediram por ter atacado antes outros agentes da autoridade.

O incidente teve lugar durante uma das noites mais violentas dos quase três meses de ocupação nas ruas e foi tornado público pelo canal de televisão local TVB que transmitiu no dia seguinte as imagens.

As imagens de vídeo mostravam os sete agentes a arrastar Tsang, algemado, para longe da multidão, para um canto escuro num parque público, onde foi agredido. Um homem estava por cima do ativista infligindo-lhe golpes enquanto três outros o pontapeavam repetidamente.

Na gravação também se via Ken Tsang, então membro do Partido Cívico, um dos principais grupos políticos pró-democracia, a atirar um líquido -- que o ativista insiste que era água -- contra polícias antes de ser agredido.

Tsang tornou hoje pública a sua decisão de não recorrer da sentença através de um comunicado no Facebook: "Sei que algumas das coisas que fiz infringem a lei e tenho de ser responsável por isso -- nunca o neguei".

Com esta condenação encerra-se outro dos casos que correm na justiça sobre a fase de desobediência civil em que degenerou o movimento que levou inúmeros ativistas a sentarem-se no banco dos réus nos meses que seguiram ao fim dos protestos populares que tomaram as ruas de Hong Kong durante 79 dias.

Agora, Ken Tsang pode vir a tornar-se no primeiro recluso a votar na eleição para o chefe do Executivo de Hong Kong, marcada para domingo, dado que é um dos 1.194 membros do restrito colégio que vai escolher o líder do Governo entre os três atuais candidatos ao cargo.

Tsang, que integra o colégio eleitoral como representante do setor da assistência social, afirmou, citado pelos `media` locais, que espera que as autoridades competentes o ajudem a exercer o seu direito de voto na cadeia.

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