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Base das Lajes. Bloco pede demissão de MNE e acusa Governo de "ocultar dados"

Base das Lajes. Bloco pede demissão de MNE e acusa Governo de "ocultar dados"

O coordenador do Bloco de Esquerda acusa o ministro dos Negócios Estrangeiros de "ocultar" informação sobre a utilização da Base das Lajes pelas forças norte-americanas no ataque ao Irão e defende que Paulo Rangel já não tem condições para permanecer no cargo.

João Alexandre - Antena 1 /
Foto: Bloco de Esquerda/Assembleia da República

É a posição manifestada por José Manuel Pureza depois de o semanário Expresso ter noticiado que sete voos de aviões militares dos Estados Unidos partiram da base dos Açores ainda antes de o Governo português ter concedido autorização para que houvesse uma utilização da infraestrutura em contexto de guerra.

Ouvido pela Antena 1, o coordenador bloquista diz que Paulo Rangel não tem "condições democráticas" para continuar como governante.

"Há um ministro que se vai refugiando em subterfúgios e que ocultou dados e ocultou informação ao país. Quem faz isto numa situação tão complexa e tão delicada para todos os nossos países e para o mundo não fica em condições democráticas de exercer - com perfeita legitimidade e perfeita lisura - o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros", diz.

O coordenador do BE afirma que o Governo é "cúmplice" de um ataque que "viola" o Direito Internacional e o próprio acordo de utilização da Base das Lajes. José Manuel Pureza acrescenta que as notícias vindas a público são claras e que colocam o Executivo e Paulo Rangel numa situação de confronto com os factos e com a realidade.

"O que ficamos hoje a saber é que, pelo menos sete dessas utilizações foram anteriores à suposta clarificação por parte do Governo de que seria só para missões defensivas. Diz hoje o semanário Expresso que foram feitas sem qualquer tipo de autorização por parte do Governo - e era legalmente obrigatória, porque se trata de um tipo de aeronaves que exige autorização explícita", sublinha, em declarações à Antena 1.

Nesse sentido, o coordenador do BE e ex-vice-presidente da Assembleia da República conclui que as justificações sobre as condições colocadas por "não funcionaram", até porque, acrescenta: "A argumentação de que se tinha estabelecido como imperativo que [os EUA] não participassem em missões ofensivas, evidentemente que é pura retórica. Não há qualquer forma de prova de que essas missões são estritamente defensivas".

"Quem diz isto ao país contrariando a verdade dos factos está numa posição moral e política insustentável. É isso que nós estamos a dizer perante aquilo que hoje conhecemos, que é a utilização da Base das Lajes em cumplicidade com uma ação agressiva contrária à Carta das Nações Unidas e ao Direito Internacional", argumenta.
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