Beirute. Número de mortos e feridos continua a aumentar

por Joana Raposo Santos - RTP
As equipas de regaste continuam nos locais mais atingidos para procurarem, entre os escombros, as pessoas dadas como desaparecidas. Foto: Mohammed Badra - EPA

Aumentou para 137 o número de vítimas mortais da explosão em Beirute. O desastre fez ainda cinco mil feridos e 300 mil desalojados. Ao amanhecer desta quinta-feira, dois dias depois do incidente, ainda havia fumo a erguer-se do porto da capital libanesa.

“Até agora, o número de mortos atinge os 137 e há mais de cinco mil feridos”, avançou o ministro libanês da Saúde, Hamad Hassan, acrescentando que um novo balanço pode ser anunciado durante o dia. Há ainda pelo menos uma centena de desaparecidos.

As equipas de regaste continuam nos locais mais atingidos para procurarem, entre os escombros, as pessoas dadas como desaparecidas desde a enorme explosão em Beirute, sentida a mais de 200 quilómetros de distância. Também as águas da costa da cidade estão a ser palco de buscas.

As autoridades acreditam que o número de vítimas mortais possa ainda subir, assim como o número de feridos, neste momento tão elevado que levou à sobrelotação dos hospitais da cidade.

“Beirute precisa de comida, Beirute precisa de roupa, casas, materiais para reconstruir casas. Beirute precisa de um sítio para os refugiados, para o seu povo”, apelou o governador da cidade, Marwan Aboud, em declarações à BBC. As autoridades libanesas estão a determinar as necessidades imediatas e a instalar hospitais de campanha.

Portugal juntou-se, entretanto, aos países que estão a ajudar o Líbano após o incidente, passando a integrar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. A Proteção Civil portuguesa está pronta para enviar, a qualquer momento, até quatro equipas de ajuda para Beirute.

Ao todo estão disponíveis 42 operacionais com competências na emergência médica, na análise do ar e em atividades de busca e salvamento em estruturas colapsadas.

França foi um dos países que mais apoio ofereceu, enviando três aviões com 55 operacionais de resgate, equipamentos médicos e uma clínica móvel com capacidade para tratar 500 pessoas. O Presidente Emmanuel Macron será, esta quinta-feira, o primeiro líder mundial a visitar o Líbano, antiga colónia francesa, desde que ocorreu a explosão.
Governo libanês acusado de negligência
Em Beirute as tensões encontram-se elevadas, com a população a expressar descontentamento para com o Governo, acusando-o de negligência, depois de o Presidente Michel Aoun ter avançado que a causa mais provável da explosão foi o armazenamento, durante seis anos e sem condições de segurança, de 2750 toneladas de nitrato de amónio num armazém do porto da capital.

“Sempre soube que somos liderados por pessoas incompetentes, por um Governo incompetente. Mas o que fizeram agora é absolutamente criminoso”, lamentou à BBC uma libanesa num hospital de Beirute após ter ficado ferida com a explosão.

Na quarta-feira, o Governo libanês anunciou que vários funcionários do porto de Beirute foram colocados em prisão domiciliária no âmbito de uma investigação ao sucedido, nomeadamente “todos os que lidaram com o armazenamento do nitrato de amónio, guardando-o e lidando com a papelada”. A Justiça libanesa insistiu que os responsáveis irão enfrentar “a punição máxima”.

Apesar de essa investigação interna estar a decorrer, a Amnistia Internacional e a organização Human Rights Watch pediram uma investigação independente, de modo a que não haja dúvidas sobre as causas da explosão. “Existem sérias preocupações sobre a capacidade das forças judiciárias libanesas de conduzir uma investigação credível e transparente”, alertou a HRW em comunicado.

As preocupações destas organizações de Direitos Humanos intensificam-se depois de o responsável pelo porto de Beirute, assim como o chefe da alfândega, terem dito aos meios de comunicação locais que escreveram várias vezes aos serviços judiciários do país para pedirem que os químicos armazenados fossem exportados ou vendidos de modo a assegurar a segurança do porto.
Explosão fez aumentar receio de novos casos de Covid-19
O desastre aconteceu num período sensível para o Líbano, que vive uma crescente crise económica e divisões internas enquanto lida com os danos provocados pela pandemia de Covid-19. As autoridades de Beirute informaram que os danos causados pela explosão podem atingir um valor entre os 2,5 e os 4,5 milhões de euros, o que vem agravar a já preocupante situação financeira do país.

O Governo libanês teme agora que a catástrofe e a consequente emergência de saúde em Beirute possam precipitar um aumento nos casos de Covid-19 na capital do país.

O ministro libanês da Saúde, Hamad Hassan, afirmou esta quinta-feira à rádio oficial do Líbano que receia um “aumento do número de infetados [pelo novo coronavírus] nos próximos dias” devido à necessidade de dar prioridade ao atendimento dos mais de cinco mil feridos causados pelas explosões.

Por outro lado, referiu o ministro, perderam-se muitos dos equipamentos de proteção contra a Covid-19 com as explosões, que deixaram inutilizáveis três hospitais da cidade, pelo que o Governo quer que os hospitais de campanha que estão a ser criados também tratem casos de Covid-19.

c/ agências
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