Bielorrússia ameaça responder às novas sanções com medidas "severas e assimétricas"

por RTP
Kacper Pempel - Reuters

Os Estados Unidos, o Reino Unido, a União Europeia (UE) e o Canadá anunciaram esta quinta-feira novas sanções económicas contra o regime da Bielorrússia face à crise migratória. Minsk descreveu as novas sanções como “absurdas” e prometeu retaliar com medidas “severas e assimétricas”.

No documento assinado pelos aliados ocidentais, são feitas duras críticas à atuação do regime do presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, e promessas de duras sanções económicas, acusando Lukashenko de estar a usar os migrantes como armas políticas contra o Ocidente.

"Continuamos comprometidos em apoiar as aspirações democráticas do povo da Bielorrússia e unimo-nos para impor custos ao regime - e àqueles que o apoiam - pelos seus esforços para silenciar as vozes da sociedade civil independente, dos `media` e de todos os bielorrussos que procuram falar a verdade sobre o que está a acontecer no país", escreveram os aliados.

"Exigimos, mais uma vez, ao regime de Lukashenko que ponha fim imediata e integralmente à organização da migração irregular através das suas fronteiras com a UE", salientam os aliados.

O Governo de Lukashenko já respondeu e apelidou as novas sanções de “absurdas”. "A profundidade do absurdo desta decisão começa a desafiar toda a lógica", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia em comunicado. Minsk ameaçou ainda retaliar com "medidas severas e assimétricas, mas adequadas".

Num comunicado do Departamento de Estado norte-americano, o chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, lembra que esta é a terceira vez que os aliados agem de forma concertada contra a Bielorrússia, acusando Lukashenko de "desrespeito pelos direitos humanos".

Blinken explicou que o endurecimento das sanções demonstra "a nossa determinação inabalável de agir face a um regime brutal que reprime cada vez mais os bielorrussos, mina a paz e a segurança na Europa e continua a explorar pessoas que procuram apenas viver em liberdade".

O Departamento de Tesouro dos EUA anunciou que tem como alvo 20 indivíduos e 12 organizações próximas do regime de Lukashenko, acusados de ter "facilitado a passagem (...) de migrantes para dentro da UE" e de ter "participado em atos de repressão contra os direitos humanos e a democracia". Do lado europeu, a lista de sanções da UE foi hoje oficialmente alargada a 28 funcionários e entidades, incluindo a companhia aérea nacional Belavia.

Na declaração conjunta, os aliados apelam ainda à "libertação incondicional e sem demora" dos quase 900 presos políticos, bem como a "implementação das recomendações da missão de peritos independentes, ao abrigo do Mecanismo de Moscovo da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)".

Os aliados dizem também desejar a realização na Bielorrússia de "novas eleições presidenciais livres e justas, sob observação internacional".

A UE acusa a Bielorrússia de criar artificialmente a atual crise migratória ao atrair pessoas, sobretudo do Médio Oriente, com a promessa de entrada fácil da Europa - uma retaliação às sanções impostas pela União Europeia ao regime de Lukashenko.

Desde o início de 2021, mais de 11.500 migrantes foram detidos na fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia, cerca de cinco mil foram deportados e pelo menos 13 morreram.

c/agências
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