Bloqueios de estradas diminuem após apelo de Bolsonaro

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
A PRF já aplicou cerca de duas mil multas a motoristas "bolsonaristas" Diego Vara - Reuters

Apesar de ainda persistirem, os bloqueios de estradas no Brasil por parte de camionistas pró-Bolsonaro diminuíram após o apelo do chefe de Estado, na noite de quarta-feira. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os Estados com bloqueios de estradas caíram para oito.

O número de Estados brasileiros que continuam a ser palco de manifestações de camionistas, que protestam contra o resultado das presidenciais, caiu a pique na noite passada.

Segundo a última atualização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgada na noite de quarta-feira, foram desmanteladas 776 manifestações e as interdições persistem em oito Estados. Na terça-feira, a PRF adiantava que os bloqueios subsistiam em cerca de 150 pontos de 15 dos 25 Estados brasileiros.

Os protestos enfraqueceram após o discurso de Bolsonaro, que afirmou que este tipo de manifestações é ilegítimo e apelou aos seus apoiantes para que desobstruam as estradas.

"Eu quero fazer um apelo a você: desobstrua as rodovias. Isso daí não faz parte, no meu entender, dessas manifestações legítimas. Não vamos perder nós aqui a nossa legitimidade", disse Bolsonaro, num vídeo gravado e partilhado no Twitter na quarta-feira.


O ainda chefe de Estado diz que "está tão chateado e tão triste" quanto os seus apoiantes, mas sublinha que é preciso ter "a cabeça no lugar".

"O fechamento de rodovias pelo Brasil prejudica o direito de ir e vir das pessoas, está lá na nossa Constituição. E nós sempre estivemos dentro dessas quatro linhas. Eu tenho que respeitar o direito de outras pessoas que estão se movimentando, além de prejuízo a nossa economia", insistiu Bolsonaro. A PRF já aplicou cerca de duas mil multas a motoristas “bolsonaristas” que têm bloqueado estradas desde domingo – um valor que já ultrapassa um total de 18 milhões de reais em coimas.

Na quarta-feira, realizaram-se dezenas de manifestações diante de quartéis militares brasileiros. Os apoiantes do presidente cessante reclamavam uma intervenção das Forças Armadas para travar a tomada de posse de Lula da Silva.

Em silêncio desde a sua derrota no domingo, Bolsonaro falou ao país pela primeira vez após as eleições na terça-feira. No discurso, Bolsonaro absteve-se de apelar explicitamente à desmobilização dos bloqueios das estradas, alegando que as manifestações são "fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral".

Bolsonaro sublinhava, porém, os métodos dos seus apoiantes “não podem ser os da esquerda” e que as “manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas”.

Lula da Silva ganhou as eleições presidenciais à segunda volta, no passado domingo, com 50,9 por cento dos votos, contra 49,1 de Jair Bolsonaro. O candidato do PT voltará a assumir a presidência do país a 1 de janeiro de 2023 – 20 anos após vencer a sua primeira eleição.
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