Brasil já vota para decidir futuro do país. Bolsonaro e Lula já votaram
As mesas de voto abriram hoje no Brasil para umas eleições gerais altamente polarizadas entre o Presidente brasileiro, Lula da Silva, e Flávio Bolsonaro, senador e filho mais velho ex-chefe de Estado Jair Bolsonaro.
Todas as assembleias de voto no país abriram às 08h00 de Brasília (12h00 em Lisboa) e encerram às 17h00 (21h00 em Lisboa), mantendo o horário unificado adotado em 2022, apesar dos diferentes fusos horários brasileiros.
Além do Presidente e do vice-presidente, os brasileiros elegem hoje 27 governadores e respetivos vice-governadores, 54 senadores, correspondentes a dois terços do Senado, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais.
Os mais de 158,7 milhões de eleitores poderão votar até às 17h00 de Brasília (21h00 em Lisboa) nas 563.910 urnas eletrónicas espalhadas por 5.571 cidades do país, além de 186 cidades no exterior, como Lisboa, Porto e Faro.
Bolsonaro e Lula já votaram
Flávio Bolsonaro votou antes de Lula, numa escola municipal da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro. Diz esperar que os eleitores possam decidir já nesta primeira volta quem querem para Presidente.
O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, disse esperar que os eleitores possam este domingo sair de casa com tranquilidade e defendeu que o país precisa de mudança “para muito melhor”.
"Espero que os brasileiros e brasileiras saiam de casa hoje para poder mudar o Brasil para melhor. Que dê seu voto de protesto contra o governo que está deixando um recorde de mulheres assassinadas, recorde de pessoas endividadas, recorde de impostos altos, recorde de violência por tudo quanto é lado", declarou.
Disse ainda estar tranquilo e "mais do que preparado para presidir a este país e devolver o direito das famílias brasileiras de voltarem a sonhar. Que Deus toque os corações e as mentes de todos os brasileiros para fazerem a coisa certa".
Lula da Silva votou numa Escola Estadual, em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo. Diz estar confiante numa vitória nas eleições e garante que o que o povo brasileiro decidir vai ser acatado.
“O que está em jogo é a definição de um projeto de Brasil. O eleitor vai ter de decidir entre o fortalecimento do regime democrático ou a barbárie, entre o positivismo e o negacionaismo, entre o desenvolvimento e o atraso, entre o crescimento económico e o retrocesso”, afirmou, alertando que os eleitores têm de pensar no futuro do Brasil.
Diz estar confiante numa vitória, quer pelo governo que liderou, quer pelo trabalho que fizeram na campanha. “É preciso muito tempo para consertar este país”, afirmou. No entanto, e apesar do auto-elogio ao seu trabalho, diz que é preciso “fazer o dobro para o futuro está garantido”.
Lula acompanhará depois a contagem dos votos no Hotel Renaissance, na capital paulista, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Além de Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, disputam a Presidência Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos, Augusto Cury, Samara Martins, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta e Wilson Grassi.
Caso nenhum dos candidatos presidenciais obtenha mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados voltam a enfrentar-se numa segunda volta em 25 de outubro. Os resultados das sondagens têm apontado ser esse o caminho.
Portugal com mais locais de voto
Em Portugal, a votação já começou desde cedo. No estrangeiro, 918.876 pessoas estão habilitadas a votar em 2026, mais de 134.000 destes recenseados em Portugal, o segundo contingente maior no estrangeiro, atrás dos Estados Unidos.
Lisboa é o maior colégio eleitoral no estrangeiro com cerca de 79.000 eleitores. Há três locais de voto na capital e outro no Porto e em Faro.
Mais de 20 mil candidaturas
Os números das eleições são à imagem de um país do tamanho de um continente: além dos 12 candidatos presidenciais, e respetivos `vices`, concorrem ainda 201 a governador, 318 ao Senado, 7.803 a deputado federal, 11.295 a deputado estadual e 433 a deputado distrital, nos 26 estados e no Distrito Federal.
No total, estão registadas 20.986 candidaturas, incluindo a vice-presidente, vice-governador e suplentes de senador.
Caso nenhum dos candidatos presidenciais obtenha mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados voltam a enfrentar-se numa segunda volta em 25 de outubro.