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Brasil. Número de mortos em colapso de barragem continua a subir
Pelo menos 58 pessoas morreram e 305 estão desaparecidas, revelaram as autoridades brasileiras, que atualizaram o balanço de vítimas do colapso da barragem da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho. O número “vai certamente aumentar”, admite a Defesa Civil do Estado de Minas Gerais. O autarca de Brumadinho lança críticas à empresa Vale e lamenta que não se tenha aprendido nada com o colapso de 2015.
O tenente-coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil do Estado de Minas Gerais, notou que houve uma subida do número de desaparecidos, em comparação com o último balanço provisório – 37 mortos e 287 desaparecidos. Uma subida explicada pelo registo de famílias “que não constavam da lista inicial”.
As equipas concentraram-se num autocarro próximo da
administração da empresa mineira Vale SA e de uma casa, onde foram
encontrados três corpos.
Das 58 vítimas mortais, foram identificadas 19. Os primeiros funerais decorreram no domingo em Brumadinho, que fica a 57 quilómetros de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais.
As bucas foram retomadas após uma interrupção de dez horas, devido a suspeitas da iminente rutura de outra barragem, desta vez com água. “Já não há risco de rutura (…) as buscas foram já retomadas, de helicóptero, por terra e com cães”, acrescentou Flávio Godinho.
Em declarações à Folha de São Paulo, o comandante dos bombeiros, o tenente-coronel Eduardo Ângelo, admitiu que a hipótese de encontrar alguém com vida é “bem pequena” após 48 horas de buscas.
Eduardo Ângelo explicou as principais dificuldades encontradas: “Não estamos a conseguir chegar, porque à medida que vamos avançando na lama encontramos corpos. A cada corpo encontrado, fazemos o nosso trabalho e retornamos. Encontramos ontem um autocarro, mas quando estávamos a chegar encontramos corpo, corpo, corpo. Hoje chegamos ao autocarro. Temos de fazer um trabalho de escavação”.
No sábado, já tinha sido encontrado um outro autocarro, com dez corpos no interior.
As corporações têm tido também dificuldade em aceder ao refeitório da empresa, que poderá ter-se deslocado de lugar. A profundidade da lama chega aos 15 metros.
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As condições meteorológicas desta segunda-feira são menos adversas do que as de sábado, que levaram a que a maior parte das buscas se fizesse com recurso a helicóptero. Com a lama mais sólida, as buscas vão ser agora também por terra.
No entanto, os bombeiros procuram ainda passar uma mensagem de esperança. “Enquanto não tivermos removido o último corpo, ainda esperamos encontrar sobreviventes, embora saibamos que quanto mais o tempo passar, mais difícil será", acrescentou o porta-voz do Corpo de Bombeiros Pedro Aihara.
A rutura aconteceu sexta-feira, às 13h20 locais, quando vários funcionários da mineira Vale SA estavam a trabalhar e outros almoçavam.
“O refeitório estava numa área de risco”, conta o irmão de um funcionário da Vale, citado pela agência Reuters.
Justiça bloqueia verbas e israelitas ajudam
O tribunal também decidiu bloquear uma verba equivalente a 2,63 mil milhões de euros nas contas da mineira Vale, para indenizações por danos humanos e ambientais, em virtude da rutura de uma das três barragens da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho.
Esta manhã, uma equipa israelita, composta por 130 pessoas e 16 toneladas de equipamentos, inicia a participação nas buscas. De acordo com os bombeiros, os israelitas transportam sonares capazes de localizar corpos em grande profundidade.
Um forte abraço a todos e até breve! Deus no comando! 🇧🇷👍 pic.twitter.com/SegyTyNrol
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 27 de janeiro de 2019
Numa declaração no Twitter, o Presidente do Brasil declarou que o desastre “afeta a todos nós e estamos solidários com as famílias das vítimas”. Jair Bolsonaro está a ser submetido uma cirurgia programada e deverá permanecer internado durante dez dias.
Aumentam críticas à insegurança
As causas do desastre ainda estão por apurar e as vistorias mais recentes – feitas pela auditora alemã TUV - não revelaram problemas.
A Vale anunciou a criação de dois comités independentes para responder ao desastre de Brumadinho. As ações da empresa abriram esta segunda-feira a perder perto de 20 por cento na bolsa de São Paulo.
“Não sou perito em minas. Segui os conselhos dos técnicos e viram o que aconteceu. Não funcionou”, declarou na noite de domingo o presidente executivo da Vale, Fabio Schvartsman, que sublinha que a empresa ”cumpre 100 por cento todos os requisitos”.
A Vale anunciou a criação de dois comités independentes para responder ao desastre de Brumadinho. As ações da empresa abriram esta segunda-feira a perder perto de 20 por cento na bolsa de São Paulo.
“Não sou perito em minas. Segui os conselhos dos técnicos e viram o que aconteceu. Não funcionou”, declarou na noite de domingo o presidente executivo da Vale, Fabio Schvartsman, que sublinha que a empresa ”cumpre 100 por cento todos os requisitos”.
Schvartsman prometeu ir além dos “padrões nacionais e internacionais” de segurança. “Vamos criar uma almofada de segurança muito superior à que temos hoje para garantir que isto nunca mais acontece”, anunciou. Além de ter criado uma comissão independente para apurar as causas do colapso, a Vale suspendeu a distribuição de dividendos aos acionistas e os bónus aos executivos.
A tragédia evoca uma outra, em 2015, também no Estado de Minas Gerais, com uma barragem da mesma empresa: Mariana, a 120 quilômetros de Brumadinho.
Na altura, uma rutura matou 19 pessoas e provocou um desastre ambiental sem precedentes no Brasil. Um grande rio ficou cheio de lama tóxica.
"A Vale foi inconsistente e incompetente. Pensámos que eles teriam aprendido com Mariana, mas três anos depois, é a nossa cidade que está ferida de morte", criticou o autarca de Brumadinho.
Avimar de Melo Barcelos quer que a empresa pague uma multa de 100 milhões de reais, cerca de 230 milhões de euros.
O desastre pode ameaçar os planos do Presidente Bolsonaro de diminuir as regras relativas à indústria de mineração.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro das Minas e Energia do Brasil propôs uma alteração da lei para atribuir responsabilidade às entidades de certificação de segurança das barragens.
"A atual lei não previne desastres como o que vimos Brumadinho", afirmou. "O modelo para verificar o estado das barragens terá que ser reconsiderado. O modelo não é bom", declarou Bento Albuquerque.