Bruxelas retoma e reforça ajuda à agência da ONU para refugiados palestinianos

por Cristina Sambado - RTP
Dylan Martinez - Reuters

A Comissão Europeia decidiu esta sexta-feira atribuir um montante adicional de 68 milhões de euros para apoiar a população palestiniana, a executar através de parceiros internacionais como a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho. Este montante vem juntar-se à ajuda prevista de 82 milhões de euros a implementar pela UNRWA em 2024, elevando o total para 150 milhões de euros.

A Comissão procederá ao pagamento de 50 milhões de euros da dotação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos (UNWRA) na próxima semana. Além disso, atribuiu 125 milhões de euros de ajuda humanitária aos palestinianos para 2024. E está a adjudicar esta sexta-feira os primeiros 16 milhões.
Israel acusou alguns funcionários da Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos de terem estado envolvidos no ataque do Hamas a 7 de outubro, o que levou a que vários países suspendessem temporariamente o apoio à agência da ONU.
“Tal como estabelecido em 29 de janeiro, a Comissão avaliou a sua decisão de financiamento para a UNRWA à luz das alegações muito graves feitas em 24 de janeiro que implicam vários funcionários da UNRWA nos hediondos ataques de 7 de outubro. A Comissão teve em conta as medidas tomadas pela ONU e os compromissos que exigiu da UNRWA”, lê-se num comunicado publicado na página da Comissão Europeia.
"Estamos ao lado do povo palestiniano em Gaza e noutros locais da região. Os palestinianos inocentes não devem ter de pagar o preço dos crimes do grupo terrorista Hamas. Enfrentam condições terríveis que põem em risco as suas vidas devido à falta de acesso a alimentos suficientes e a outras necessidades básicas. É por isso que este ano estamos a reforçar o nosso apoio a eles com mais 68 milhões de euros", afirmou a presidente da Comissão Europeia.
Bruxelas congratula-se com o facto de o Gabinete de Supervisão Interna das Nações Unidas ter investigado as graves acusações contra o pessoal da UNRWA.


“Além disso, louva a ONU por ter criado um grupo de análise independente, dirigido por Catherine Colonna, para avaliar se a UNRWA está a fazer tudo o que está ao seu alcance para garantir a neutralidade e responder a alegações de violações graves”, acrescenta o documento.

Na sequência de trocas de impressões com a Comissão, a UNRWA indicou igualmente que está disposta a assegurar que seja efetuada uma análise do seu pessoal, a fim de confirmar que não participou nos ataques, e que sejam instituídos novos controlos para atenuar esses riscos no futuro.

A UNRWA já concordou com o lançamento de uma auditoria, que será efetuada por peritos externos designados pela União Europeia, que examinará os sistemas de controlo destinados a evitar a eventual participação do seu pessoal e dos seus bens em atividades terroristas.

Por fim, a UNRWA concorda com o reforço do seu departamento de inquéritos internos e da governação que o envolve.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos e a Comissão confirmaram o acordo sobre estes pontos.


Nesta base e na sequência da troca de cartas com a UNRWA confirmando os seus compromissos, a Comissão procederá ao desembolso de uma primeira fração de 50 milhões de euros dos 82 milhões previstos para a UNRWA para 2024.

A segunda e a terceira frações de 16 milhões de euros serão disponibilizadas em conformidade com a aplicação deste acordo.

“Para além do seu apoio à UNRWA, a Comissão continua plenamente empenhada em dar resposta à situação humanitária do povo palestiniano, em especial em Gaza, mas também de forma mais ampla na região. Para o efeito, atribuirá um montante adicional de 68 milhões de euros até 2024”, remata o comunicado.
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