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Casa Branca acusa Irão de não ser construtivo nas novas negociações sobre nuclear

Casa Branca acusa Irão de não ser construtivo nas novas negociações sobre nuclear

Os Estados Unidos acusaram hoje o Irão de não se comportar de forma construtiva na sétima ronda de negociações para o retomar do acordo nuclear de 2015, instando os iranianos a demonstrar "maior compromisso" nas conversações.

Lusa /

"Infelizmente, esta semana, o foco do Irão não foi tentar resolver as questões restantes [para salvar o acordo nuclear]", disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, na conferência de imprensa diária.

A porta-voz da Casa Branca afirmou que o novo Governo iraniano, do ultraconservador Ebrahim Raisí, "não chegou a Viena com propostas construtivas". 

"O Irão iniciou a nova ronda de negociações com novas provocações nucleares, conforme confirmado quarta-feira pela AIEA [Agência Europeia de Energia Atómica]. E ainda não chegaram a um acordo com a AIEA para restaurar a cooperação, que optaram por degradar nos últimos meses", sublinhou Psaki.

Quarta-feira, a AIEA anunciou que o Irão intensificou o seu programa nuclear ao produzir mais urânio enriquecido com equipamentos mais modernos em instalações subterrâneas, em violação aos termos do acordo nuclear. 

Psaki acrescentou que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está "comprometido" com a reintegração norte-americana no acordo nuclear, de que Washington se retirou em 2018, e cumprir as suas exigências "desde que o Irão faça o mesmo". 

"Se o Irão demonstrar um compromisso igual [ao dos Estados Unidos], haverá uma solução à vista, mas esta semana não vimos que tenham demonstrado isso", enfatizou a porta-voz de Biden.

A reação dos Estados Unidos, que participaram indiretamente na sétima ronda de negociações que decorreu esta semana em Viena, vai no mesmo sentido que a expressa anteriormente por fontes diplomáticas dos três países europeus que fazem parte do diálogo: Alemanha, França e o Reino Unido.

As discussões serão retomadas em meados da próxima semana, mas "não está clara a forma como este distanciamento possa ser resolvido num calendário realista e na base do projeto iraniano", sustentaram fontes diplomáticas ocidentais, sob condição de anonimato.

Apesar dos comentários críticos, os diplomatas europeus continuam a manifestar o seu "pleno empenho na busca de uma solução diplomática". "O tempo urge", insistiram.

O designado JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global), concluído em 2015 entre o Irão e seis potências (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), e na presença da União Europeia, está moribundo desde 2018 após a administração do então Presidente dos EUA Donald Trump ter decidido a sua retirada unilateral do acordo e impor a Teerão um verdadeiro bloqueio económico através de pesadas sanções.

Pelo contrário, o acordo de 2015 oferecia a Teerão um levantamento de parte das sanções em troca de uma redução drástica do seu programa nuclear, colocado sob o controlo da ONU.

Em resposta à decisão de Trump, o Irão optou por renunciar aos seus compromissos, e agora exige o fim das sanções como primeira medida para o regresso aos compromissos de 2015.

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