Mundo
Cheney confirma que Bush conhecia práticas de tortura da CIA
O ex-vice-presidente norte-americano Dick Cheney revelou que George W. Bush estava “plenamente informado” dos métodos de interrogatório usados pela CIA no pós-11 de Setembro. Na passada terça-feira, um relatório do Senado dos Estados Unidos revelou que a agência de espionagem exerceu práticas de tortura como simulação de afogamentos, privação de sono até 180 horas e hidratação retal entre 2001 e 2007.
A revelação dos métodos de tortura utilizados pela CIA está a tornar-se numa verdadeira luta política nos Estados Unidos. Os responsáveis políticos da era Bush e antigos membros da CIA fazem uma leitura diferente do relatório daquela que é realizada pelos democratas, grandes responsáveis pela investigação.
Para além da divulgação dos métodos chocantes, a investigação acusa a CIA de ter enganado as autoridades políticas e de ter mesmo impedido a supervisão por parte do Congresso e da Casa Branca.
Revelações que Dick Cheney, vice-presidente dos EUA durante a Administração de George W. Bush, nega. O Presidente estava “plenamente informado”.Já na terça-feira o ex-vice-presidente tinha defendido a CIA, ao considerar que os interrogatórios eram “absolutamente, totalmente justificados”.
“Quando tivemos o programa em vigor, mantivemos o país a salvo de ataques em massa, que era o nosso objetivo”, defendeu Cheney ao New York Times.
“Sabia tudo o que precisava de saber e queria saber”, afirmou Dick Cheney à Fox News. “Conhecia as técnicas. Não havia qualquer esforço meu para afastar essa informação dele”, acentuou.
Numa entrevista emitida na noite de quarta-feira, Dick Cheney criticou fortemente o relatório, que considera estar “profundamente errado” e avalia como um “péssimo trabalho”. Cheney elogiou ainda o trabalho da agência.
“O que precisava de ser feito foi feito”, defendeu o republicano, que afirma mesmo: “Voltaria a fazê-lo”.
Bush elogia patriotismo da CIA
No passado domingo, antes de ser divulgado o relatório, George W. Bush também defendeu o trabalho dos operacionais da CIA.
“Somos afortunados por ter homens e mulheres que trabalharam arduamente para a CIA, servindo em nosso nome”, comentou o antigo inquilino da Casa Branca à CNN. O ex-Presidente classificou os agentes de “patrióticos”.
“Qualquer coisa que o relatório disser, se diminuir os contributos destes operativos para o nosso país, estará errado”, afirmou.
George W. Bush encontrava-se em funções no período em que foram realizados estes interrogatórios. Em 2002, o então Presidente Bush publicou mesmo um decreto executivo em que declarava que a Convenção de Genebra, que proíbe práticas como o recurso à mutilação e à tortura, não se aplicava aos suspeitos da Al Qaeda. Um dos fundadores da empresa que concebeu o programa de interrogatórios da CIA também repudia as conclusões do relatório.
John Mitchell considera que o documento está cheio de “idiotices”, colocando as situações fora de contexto, para denegrir os que participaram no projeto.
Os antigos líderes e operacionais da CIA continuam uma campanha pública para descredibilizar a investigação do Senado, que levou já à criação do site ciasavedlives.com.
Os ex-diretores da CIA, num artigo de opinião no Wall Street Journal, apelidam o relatório de “estudo parcial, marcado por erros de facto e interpretação”, considerando que este configura um “ataque partidário e pobre contra a agência que mais fez para proteger a América”.
Também oficialmente a CIA tenta libertar-se das acusações do Senado. A agência divulgou um comunicado com mais de 130 páginas em que acusa os democratas de apenas selecionarem provas que justificam as suas conclusões predeterminadas.
Além de fazer um relato das técnicas de tortura usadas pela CIA, o relatório do Senado defende que estas não terão tido nenhum contributo decisivo na luta contra o terrorismo.
Uma acusação que a CIA refuta, referindo, nomeadamente, que os interrogatórios a alegados elementos da Al Qaeda contribuíram para a localização de Osama Bin Laden.
Mundo reage
A somar à condenação das Nações Unidas e de várias organizações de defesa dos Direitos Humanos, várias nações já teceram duras críticas ao programa de interrogatórios da agência secreta no pós-11 de setembro. O Afeganistão condena as “ações desumanas” e lamentou a tortura que foi executada em cidadãos afegãos. Anunciou ainda que, a partir de 2014, nenhuma força internacional será autorizada a “colocar cidadãos afegãos na prisão, entrar nas suas casas ou ter prisões”.
A China considera que o relatório comprova a “hipocrisia dos Estados Unidos enquanto defensor dos Direitos Humanos” e alega que o regime de Pequim “consistentemente se opõe à tortura”. Também o Paquistão e a Rússia condenaram o uso da tortura.
O Guia Supremo do Irão utilizou a rede social Twitter para responder ao relatório, considerando que o Governo norte-americano é um “símbolo de tirania”.

“Hoje, o Governo americano é um símbolo da tirania contra a humanidade. Mesmo o povo americano enfrenta a crueldade”, escreveu o ayatollah Ali Khamenei numa das várias publicações sobre o assunto.
Países aliados dos Estados Unidos, como a França, Reino Unido e a Alemanha, também condenaram o recurso à tortura.
Já na terça-feira organizações de defesa dos Direitos Humanos tinham condenado o recurso à tortura e exigiram que fossem prosseguidas ações judiciais contra os responsáveis pelo programa. Também as Nações Unidas consideram que o relatório do Senado não pode cair em saco roto.
Para além da divulgação dos métodos chocantes, a investigação acusa a CIA de ter enganado as autoridades políticas e de ter mesmo impedido a supervisão por parte do Congresso e da Casa Branca.
Revelações que Dick Cheney, vice-presidente dos EUA durante a Administração de George W. Bush, nega. O Presidente estava “plenamente informado”.Já na terça-feira o ex-vice-presidente tinha defendido a CIA, ao considerar que os interrogatórios eram “absolutamente, totalmente justificados”.
“Quando tivemos o programa em vigor, mantivemos o país a salvo de ataques em massa, que era o nosso objetivo”, defendeu Cheney ao New York Times.
“Sabia tudo o que precisava de saber e queria saber”, afirmou Dick Cheney à Fox News. “Conhecia as técnicas. Não havia qualquer esforço meu para afastar essa informação dele”, acentuou.
Numa entrevista emitida na noite de quarta-feira, Dick Cheney criticou fortemente o relatório, que considera estar “profundamente errado” e avalia como um “péssimo trabalho”. Cheney elogiou ainda o trabalho da agência.
“O que precisava de ser feito foi feito”, defendeu o republicano, que afirma mesmo: “Voltaria a fazê-lo”.
Bush elogia patriotismo da CIA
No passado domingo, antes de ser divulgado o relatório, George W. Bush também defendeu o trabalho dos operacionais da CIA.
“Somos afortunados por ter homens e mulheres que trabalharam arduamente para a CIA, servindo em nosso nome”, comentou o antigo inquilino da Casa Branca à CNN. O ex-Presidente classificou os agentes de “patrióticos”.
“Qualquer coisa que o relatório disser, se diminuir os contributos destes operativos para o nosso país, estará errado”, afirmou.
George W. Bush encontrava-se em funções no período em que foram realizados estes interrogatórios. Em 2002, o então Presidente Bush publicou mesmo um decreto executivo em que declarava que a Convenção de Genebra, que proíbe práticas como o recurso à mutilação e à tortura, não se aplicava aos suspeitos da Al Qaeda. Um dos fundadores da empresa que concebeu o programa de interrogatórios da CIA também repudia as conclusões do relatório.
John Mitchell considera que o documento está cheio de “idiotices”, colocando as situações fora de contexto, para denegrir os que participaram no projeto.
Os antigos líderes e operacionais da CIA continuam uma campanha pública para descredibilizar a investigação do Senado, que levou já à criação do site ciasavedlives.com.
Os ex-diretores da CIA, num artigo de opinião no Wall Street Journal, apelidam o relatório de “estudo parcial, marcado por erros de facto e interpretação”, considerando que este configura um “ataque partidário e pobre contra a agência que mais fez para proteger a América”.
Também oficialmente a CIA tenta libertar-se das acusações do Senado. A agência divulgou um comunicado com mais de 130 páginas em que acusa os democratas de apenas selecionarem provas que justificam as suas conclusões predeterminadas.
Além de fazer um relato das técnicas de tortura usadas pela CIA, o relatório do Senado defende que estas não terão tido nenhum contributo decisivo na luta contra o terrorismo.
Uma acusação que a CIA refuta, referindo, nomeadamente, que os interrogatórios a alegados elementos da Al Qaeda contribuíram para a localização de Osama Bin Laden.
Mundo reage
A somar à condenação das Nações Unidas e de várias organizações de defesa dos Direitos Humanos, várias nações já teceram duras críticas ao programa de interrogatórios da agência secreta no pós-11 de setembro. O Afeganistão condena as “ações desumanas” e lamentou a tortura que foi executada em cidadãos afegãos. Anunciou ainda que, a partir de 2014, nenhuma força internacional será autorizada a “colocar cidadãos afegãos na prisão, entrar nas suas casas ou ter prisões”.
A China considera que o relatório comprova a “hipocrisia dos Estados Unidos enquanto defensor dos Direitos Humanos” e alega que o regime de Pequim “consistentemente se opõe à tortura”. Também o Paquistão e a Rússia condenaram o uso da tortura.
O Guia Supremo do Irão utilizou a rede social Twitter para responder ao relatório, considerando que o Governo norte-americano é um “símbolo de tirania”.
“Hoje, o Governo americano é um símbolo da tirania contra a humanidade. Mesmo o povo americano enfrenta a crueldade”, escreveu o ayatollah Ali Khamenei numa das várias publicações sobre o assunto.
Países aliados dos Estados Unidos, como a França, Reino Unido e a Alemanha, também condenaram o recurso à tortura.
Já na terça-feira organizações de defesa dos Direitos Humanos tinham condenado o recurso à tortura e exigiram que fossem prosseguidas ações judiciais contra os responsáveis pelo programa. Também as Nações Unidas consideram que o relatório do Senado não pode cair em saco roto.