China retalia e suspende visita de navios dos EUA a Hong Kong

por RTP
As visitas anuais de navios da marinha norte-americana a Hong Kong acontecem há algumas décadas Foto: Tyrone Siu - Reuters

O Governo chinês suspendeu as visitas de navios de guerra norte-americanos a Hong Kong e anunciou sanções contra vários grupos de direitos humanos dos EUA. As medidas surgem como retaliação depois de os Estados Unidos terem, na última semana, passado uma lei apoiando os protestos pró-democracia que há meses têm lugar em Hong Kong.

“Em resposta ao comportamento pouco razoável dos Estados Unidos, o Governo chinês decidiu suspender os pedidos dos EUA para a visita de navios de guerra a Hong Kong”, anunciou esta segunda-feira a porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.

“Apelamos aos Estados Unidos para que corrijam os erros e parem de interferir com os nossos assuntos internos. Se necessário, a China tomará outras medidas que mantenham a estabilidade, prosperidade e soberania do país”, alertou Hua Chunying. As medidas de Pequim vêm agravar as já existentes tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China.

Donald Trump assinou, na semana passada, a Lei sobre Direitos Humanos e Democracia em Hong Kong, que leva o Presidente norte-americano a rever anualmente o estatuto comercial atualmente favorável à cidade chinesa e ameaça revogá-lo caso as liberdades nesse território sejam comprometidas.

O documento prevê também sanções contra as autoridades chinesas que violem direitos humanos ao levar a cabo, por exemplo, detenções arbitrárias ou confissões forçadas.

As visitas anuais de navios da marinha norte-americana a Hong Kong acontecem já há algumas décadas. A última destas embarcações a visitar a cidade chinesa foi a USS Blue Ridge, em abril, cerca de dois meses antes de os protestos pró-democracia começarem.

Michael Raska, perito em segurança, considerou em declarações à agência AFP que, de um ponto de vista militar, os Estados Unidos não serão afetados pelo impedimento do acesso dos navios de guerra a Hong Kong, uma vez que “podem usar muitas outras bases navais na região”.
Organizações de direitos humanos sancionadas
A porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros anunciou que uma das medidas de retaliação por parte da China é a aplicação de sanções a diversas organizações não-governamentais norte-americanas que “agiram mal” durantes os protestos em Hong Kong.

“Elas são parcialmente responsáveis pelo caos em Hong Kong e devem ser sancionadas e pagar o preço”, defendeu Hua Chunying, dando como exemplo as ONG Human Rights Watch, National Endowment for Democracy e Freedom House.

As organizações não-governamentais estrangeiras encontram-se já restringidas na China e têm sido criticadas por Pequim por denunciarem violações de direitos humanos no país, nomeadamente a detenção em massa de membros da minoria ética uigur.
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