Cidadãos portugueses a viver na Líbia estão a chegar a Portugal

Quatro portugueses que partiram de Tripoli no avião C-130 da Força Aérea Portuguesa chegaram terça-feira a Lisboa. Em Itália, na região da Catânia, estão mais 80 portugueses que saíram da capital líbia, na noite de segunda-feira. Aguardam a última deslocação do avião a Tripoli, que irá buscar mais 84 pessoas entre as quais 42 cidadãos nacionais, para regressarem a Portugal. Os repatriados pretendem regressar à Líbia mal a situação acalme.

RTP /
A maioria dos passageiros do C-130 trabalha na Líbia em empresas portuguesas ou de capital português Mário Cruz, Lusa

O Hércules C-130 que transporta portugueses da Líbia deverá aterrar em Lisboa pelas 3h da manhã de quarta-feira, informou fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades.

O avião da Força Aérea Portuguesa descolou de Tripoli com destino à base militar da NATO na Sicília no final da tarde de terça-feira. Esta foi a segunda e provavelmente última viagem do Hércules, que segunda-feira havia retirado 80 portugueses e 34 cidadãos estrangeiros (Espanha, Brasil, Reino Unido, Roménia, África do Sul, Egipto, Arménia, Polónia e Estados Unidos).

Quatro desses cidadãos chegaram a Lisboa na tarde de terça-feira, outros dois preferiram viajar para Londres e Dublin e os restantes cinco vão gozar um período de férias na Sicília. A Itália prevê a chegada ao seu território de cerca de 300 mil pessoas, em fuga da Líbia.

As autoridades portuguesas na Sicília são representadas pelo diplomata Nuno Belo, que garantiu estarem todos bem. A maioria daqueles “cujas empresas organizaram o seu transporte da Sicília para Portugal ou que tiveram meios para o fazer já partiu hoje. Devem ter partido cerca 50 (portugueses), porque ontem chegaram mais de 70 (à Catânia) e tenho aqui 23 que em princípio vão entrar neste C-130 e irão para Lisboa esta noite”, explicou Nuno Belo.

Fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades referia que, quando em solo italiano, os portugueses tinham duas hipóteses: seguir pelos próprios meios ou esperar que o C-130 regresse de uma segunda deslocação à Líbia para ir buscar mais repatriados, iniciando de seguida a viagem para Lisboa.

Tensão artificial
À chegada a Lisboa, dois passageiros que tinham acesso à informação das televisões via satélite notavam "alguma tensão", sobretudo perante a contestação alargada ao mundo árabe.

"Sentia-se uma ligeira tensão, mas penso que as pessoas empolaram um pouco (face às notícias do fim dos regimes tunisino e egípcio). No último dia havia já algumas filas para bens essenciais, mas não era uma situação dramática", descreveu Gonçalo Lopes.

Violência em Benghazi
Quanto aos 55 portugueses na cidade de Benghazi a trabalhar numa empresa brasileira, fonte da secretaria de Estado das Comunidades referiu que não foi possível por em prática o plano de transportar portugueses e os brasileiros de barco até à Grécia, onde seriam apoiados pela embaixada de Portugal em Atenas.

A pista do aeroporto da segunda cidade da Líbia, a mil quilómetros de Tripoli, está inoperacional desde segunda-feira e o porto afigurava-se como a única porta de saída, mas entretanto foi bloqueado.

Benghazi é apontada como foco de insurreição, onde terão morrido mais de uma centena de pessoas no âmbito da violência que acompanha a contestação ao regime de Kadhafi.

Nesta cidade, milhares de trabalhadores estrangeiros, principalmente turcos, esgotaram todos os autocarros com destino ao porto para garantirem lugar nos dois primeiros barcos de um total de cinco que o governo turco enviou para a Líbia. O ministro turco dos Negócios Estrangeiros pretende repatriar três mil pessoas numa primeira fase. Ahmet Davutoglu estima que são cerca de cinco mil os cidadãos turcos na área de Benghazi.

Se os navios forem impedidos de atracar no porto da cidade, poderão ser utilizadas pequenas embarcações e helicópteros para transportar os nacionais até aos navios.

Milhares de cidadãos estrangeiros a residir na Líbia continuam retidos em Benghazi à espera de serem evacuados por via marítima.
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