Cimeira. Líderes da UE destacam "progresso" na integração dos Balcãs no bloco europeu

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Florion Goga - Reuters

Os líderes dos 27 estiveram esta terça-feira reunidos em Tirana, na Albânia, onde manifestaram a vontade de fortalecer as relações com os Balcãs Ocidentais e discutiram uma parceria estratégica. A presidente da Comissão Europeia mencionou o "grande avanço" no processo de adesão destes seis países à União Europeia e destacou a importância da relação com os Balcãs no contexto atual da guerra na Ucrânia.

Os chefes de Governo e de Estado dos 27 membros da EU, bem como da Albânia, Bósnia-Herzegovina, Macedónia do Norte, Montenegro, Kosovo e da Sérvia, estiveram esta terça-feira reunidos na Albânia numa cimeira que teve como principal tema de debate a integração destes seis países na UE.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, descreveu a cimeira como “histórica”, dado que se realizou pela primeira vez na região dos Balcãs Ocidentais e foram assumidos “compromissos concretos e passos adicionais no caminho da integração”.

Em conferência de imprensa no final da cimeira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sublinhou que o processo de adesão destes países assistiu recentemente a um “novo impulso”

“Estamos a apoiar de coração o plano de alargamento e a integração regional, que teve um grande progresso recentemente”, disse Von der Leyen.

Os dirigentes dos 27 destacaram a importância de reforçar as relações com os Balcãs, consideradas ainda mais cruciais devido à guerra na Ucrânia. O encontro serviu, desta forma, para aproximar estes seis países da Europa, ao mesmo tempo que se afastam da Rússia.

"Acredito profundamente que o futuro dos nossos filhos será mais seguro e próspero com os Balcãs Ocidentais dentro da UE, e estamos a trabalhar arduamente para progredir", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, à chegada à cimeira.
A declaração final da cimeira afirma ainda que a UE também "refirmará o seu compromisso total e inequívoco com a perspetiva de adesão dos Balcãs Ocidentais e pedirá a aceleração das negociações".

O processo de adesão destes seis países ao bloco europeu teve início há mais de uma década. Montenegro, a Sérvia, a Macedónia do Norte e a Albânia são oficialmente países candidatos e já iniciaram o processo de negociação. A Bósnia tem um parecer favorável da Comissão Europeia, mas aguarda ainda um parecer favorável dos Estados-membros, enquanto Kosovo tem o processo estagnado dado que alguns países ainda não reconhecem a independência do país. A Croácia foi o primeiro país dos Balcãs Ocidentais a aderir à UE, em 2013.

Bruxelas defende que os países não cumprem os critérios necessários para a integração, mas os Balcãs têm criticado a demora do processo. A frustração aumentou recentemente quando a UE concedeu o estatuto de candidato à Ucrânia e à Moldova.


António Costa, que participa na cimeira, destacou o “grande esforço” dos Balcãs, mas lembra que o processo de adesão ao bloco europeu “é difícil”.
“Claro que a perspetiva do alargamento é um processo difícil, que implica também, do lado da União Europeia, reformas profundas nas suas instituições, no seu quadro orçamental, mas, para além da questão do alargamento, há um conjunto de projetos concretos que podem e devem ser postos imediatamente em prática”, salientou o primeiro-ministro.
Crise energética e migratória em debate
Ursula von der Leyen anunciou também um pacote de mil milhões de euros em subsídios para ajudar os países Balcãs a enfrentarem a crise energética.

Nesta cimeira, os líderes da UE e dos Balcãs discutiram ainda o plano de ação apresentado na segunda-feira pelo executivo comunitário para reforçar a cooperação com os países dos Balcãs Ocidentais ao nível das migrações, que identifica 20 medidas operacionais para melhorar a gestão das fronteiras, cada vez mais pressionadas.

“É importantíssimo avançar neste tema”, sublinhou a presidente da Comissão Europeia.

Foi também assinado um acordo com os operadores de telecomunicações para reduzir as tarifas de roaming com a União Europeia em outubro de 2023, com vista à sua eliminação gradual até 2027.

c/agências
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