Civis querem servir de escudos humanos em torno de Afrin contra a Turquia

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Uma família foge da aldeia de Khaldieh, nos arredores de Afrin, capturada sábado dia 10 de março pelos combatentes do Exército Livre da Síria, aliado do avanço da Turquia contra as milícias YPG.
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As forças turcas e os combatentes aliados do Exército Livre da Síria, ELS, conquistaram várias cidades e vilas em torno de Afrin, durante o dia de domingo, numa ofensiva que apanhou os combatentes curdos das milícias do povo, as YPG, de surpresa.

Estão às portas da cidade e prontos a entrar. Milhares de pessoas, que fugiram do avanço turco, propõem-se agora auxiliar as milícias e servir de escudos humanos entre as tropas e a cidade.

"Há pessoas que dizem querer ajudar as YPG contra o ELS e os turcos e por isso ofereceram-se como escudos humanos - uma proposta que foi aceite pelas YPG. E não são só pessoas das áreas curdas que estão a ir para lá. Estamos também a receber informações de grupos de mulheres, de grupos socialistas que estão a disponibilizar os seus serviços - para se colocarem entre o ELS e os turcos e as YPG", afirmou Alan Fisher, repórter da televisão do Qatar, al Jazeera.

"O que os curdos dizem com este 'escudo humano' é desafiamo-vos a considerar a questão humanitária".

A Turquia lançou a 20 de janeiro uma ofensiva armada aérea e terrestre no norte da Síria, contra as milícias curdas sírias YPG, que acusa de serem uma extensão do PKK, o movimento armado curdo da Turquia, que combate há três décadas a hegemonia de Ancara e que esta considera "terrorista".
Um milhão de refugiados em Afrin
Depois de semanas de combates, o exército curdo e o ELS avançaram domingo até às portas de Afrin. "A velocidade do assalto apanhou todos de surpresa", refere Alan Fisher.

Nas últimas 48 horas a cidade foi bombardeada por aviões turcos, o abastecimento de água foi cortado e a internet interrompida.

No sábado, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan disse que as suas forças entrariam em Afrin dentro de dias, mas garantiu estar a demorar para planear uma estratégia que evitasse o máximo de vítimas civis, por razões humanitárias.

Domingo, referiu que as suas forças e dos seus aliados do ELS estavam a a penas cinco quilómetros da cidade.

Mais de um milhão de pessoas estão concentradas na cidade e nas aldeias limítrofes de Afrin, depois de fugir dos combates, afirma o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

"Estamos a ter informações de pessoas de dentro da própria cidade de que há quatro a cinco famílias em cada casa, devido ao número de pessoas que procuraram ali refúgio", diz Fisher.
Pedido de auxílio
O Presidente turco diz que a ofensiva das suas tropas permitiu dominar 950 quilómetros quadrados de território sírio controlado pelas YPG. O obejtivo d ofensiva, esclareceu, não é "ocupar" mas sim "libertar" e depois devolver a área aos residentes.

"Na zona de Afrin, os donos das terras começaram a regressar", afirmou. Acusou ainda as forças aliadas da NATO de nada fazer para apoiarem a ofensiva.

Numa declaração enviada domingo ao Conselho de Segurança da ONU, o conselho curdo que governa Afrin na ausência de forças sirias devido à guerra civil, apelou uma resposta internacional à ofensiva turca.

"A comunidade internacional deve apoiar a resistência do povo de Afrin e acabar com o silêncio sobre estes ataques invasivos", denunciou, apelando ao estabelecimento de uma zona sem voos sobre Afrin.

O Conselho de Segurança da ONU impos há duas semanas um período de tréguas de 30 dias em toda a Síria, sobretudo devido às ofensivas do Governo sírio em Ghouta Oriental e do Governo turco em Afrin.

As tréguas não foram respeitadas por nenhum dos envolvidos e Ancara afirmou considerar que não se aplicavam à sua intervenção.

As milícias YPG receberam apoio dos Estados Unidos na sua luta para destruir o grupo armado islamita Estado Islâmico mas ficaram isoladas desde então.

Também a Rússia, aliada de Damasco, terá autorizado a ofensiva turca no norte da Síria e Damasco enviou apenas em auxílio das YPG grupos de milícias, algumas iranianas.

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